O candidato do BE à Câmara do Porto, Sérgio Aires, sublinhou esta quinta-feira a importância de o próximo executivo criar o Centro para a Diversidade e Inclusão que já integra o Plano Municipal contra a Discriminação por proposta bloquista.
Em declarações à Lusa à margem da reunião que teve esta quinta-feira na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto, com elementos da comunidade LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero], o candidato bloquista assinalou ser uma resposta que existe em várias cidades portuguesas e muitas no estrangeiro, mas que tarda em implementar-se no Porto.
Sérgio Aires relatou ter participado em 2008, no Brasil, na criação da primeira resposta do género em São Paulo, explicando que ela deve ter várias vertentes, dos LGBT aos deficientes, sem-abrigo e idosos, sublinhando que a gestão deve ser dos próprios com o apoio de técnicos e de vários profissionais, apontando-a como a fórmula vencedora no projeto paulista.
Garantindo que o centro “não quer substituir ninguém, porque há instituições na cidade que fazem algum deste trabalho”, explicou que a sua mais-valia reside na capacidade de dar um apoio “de forma integrada”.
“É um centro para a diversidade e para a inclusão, quer dizer que tem uma vertente LGBT, mas tem uma vertente também na área da deficiência. É um espaço que pode nascer pequenino, mas naturalmente a ideia é que ele albergue todas as necessidades da cidade”, disse o candidato.
Apesar de integrar o Plano Municipal contra a Discriminação, o projeto “não está ainda orçamentado” nem há espaço na cidade que esteja destinado a albergar o centro, apontando Sérgio Aires aos vários espaços devolutos no Porto como exemplos para instalar o centro.
Questionado sobre se há um modelo de gestão que possa ser aplicado no Porto, o vereador bloquista defende que “não vale a pena copiar e que há que encontrar o modelo adequado”, ainda que, sublinhou, a gestão encontrada para o Centro de Referência para a Diversidade, em São Paulo, feita pelos próprios utentes surge como “um caminho possível”.
Quanto ao investimento necessário, Sérgio Aires assumiu não ter isso contabilizado, mas frisou haver “muitos recursos que a cidade já tem, nomeadamente muitos profissionais e voluntários que trabalham nesta área, que vão a casa de pessoas transexuais e dos idosos, que tiveram uma vida bastante complicada e não têm recursos, nem económicos, nem pensões, nem coisa nenhuma”.
No limite, e pensando na carência de habitação entre a comunidade LGBT, sem-abrigo e idosos, o centro pode ter “uma resposta muito mais consequente, promovendo o ‘co housing’, com as pessoas a poderem viver com outras pessoas que tenham os mesmos problemas ou não”, disse.
Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU – coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro – coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto – independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).
O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.
As eleições autárquicas realizam-se no domingo.