O candidato da CDU sentiu uma necessidade muito grande de mudança em Cascais durante a campanha para as eleições de domingo, traçando como objetivo integrar o executivo da autarquia para acabar com “o ambiente de suspeição” existente.

“A campanha correu bastante bem. Nós sentimos, com quem contactámos, uma adesão muito forte, uma necessidade muito grande de mudança, um certo já desespero para com esta maioria que se prolonga há 24 anos e que tem que acabar. E nós temos feito um esforço muito grande junto das pessoas de explicar as nossas propostas”, contou Carlos Rabaçal.

O candidato da coligação PCP/PEV à Câmara Municipal de Cascais falou com a agência Lusa antes de iniciar uma arruada no centro da Parede, freguesia daquele concelho do distrito de Lisboa, na qual foi acompanhado por uma trintena de pessoas, de bandeiras em punho, que tiveram dificuldade em seguir a sua passada.

Com grande vitalidade, Carlos Rabaçal foi distribuindo panfletos e cumprimentos e desviando-se da rota prevista para a arruada. “Tenho de ir aos queques”, disse à saída do Mercado Municipal, fazendo questão de saudar a dona do estabelecimento Casa dos Queques, que esporadicamente oferece estes bolos a pessoas carenciadas que não os conseguem pagar.

“Vamos embora”, comanda o candidato, que não hesita em entrar em todos os estabelecimentos, correndo sempre que necessário, nomeadamente para entrar na loja Paco, de instrumentos musicais, onde comprou a sua primeira aparelhagem.

“Um bom resultado para nós é estarmos no governo da Câmara com o número de vereadores ou com a posição que o povo nos der. Mas estarmos no governo da Câmara. Hoje em dia toda a gente diz que é necessário a CDU no governo da Câmara. E eu digo: então, se acham que é necessário, votem!”, afirmou.

Carlos Rabaçal comprometeu-se a, “na primeira reunião útil de Câmara” após as eleições autárquicas de domingo, propor quatro medidas imediatas, a começar pela redução de 13% do preço da água “para toda a gente”, a introdução da tarifa social obrigatória e “o resgate da concessão das águas”.

A CDU propõe ainda a integração do sistema de transportes municipais na Transportes Metropolitanos de Lisboa, a redução do horário dos trabalhadores das empresas municipais das atuais 40 para as 35 horas e “uma auditoria a todas as urbanizações e projetos urbanistas que estão descaracterizar a zona ribeirinha”.

“Há um conjunto de projetos urbanistas mais do que suspeitos do ponto de vista legal, mais do que estranhos do ponto de vista da intervenção urbanística”, alertou.

“Há um aspeto que neste concelho tem que ser resolvido de uma vez por todas, que é o ambiente de suspeição que há sobre a Câmara a propósito de processos urbanísticos, coisas que estão em Tribunal, sucessivas coisas em Tribunal. Não há fumo sem fogo, portanto nós estamos preocupados com isso. Não é justo o concelho ter essa situação e foi a maioria prolongada do PSD que a trouxe”, concluiu.

O executivo de Cascais é composto por sete eleitos da coligação Viva Cascais (PSD/CDS-PP), incluindo o presidente Carlos Carreiras, que atingiu o limite de mandatos, três da coligação Todos por Cascais (PS/PAN/Livre) e um do Chega.

Além do candidato da CDU, concorrem à autarquia cascalense nas eleições de domingo Nuno Piteira Lopes (PSD/CDS-PP), João Ruivo (PS), Alexandre Abreu (BE/Livre/PAN), João Rodrigues dos Santos (Chega), Manuel Simões de Almeida (IL), Fábio Pereira (ADN), João Maria Jonet (independente) e António Pinto Pereira (independente, com apoio da Nova Direita e Nós, Cidadãos!).

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