A candidata do Livre à presidência da Câmara e Assembleia municipais do Funchal considerou que a campanha eleitoral que termina esta sexta-feira. foi uma “corrida contra o tempo”, salientando que a meta é a eleição de um deputado municipal.

“O balanço que faço é que foi realmente uma campanha, uma corrida contra o tempo”, disse Marta Sofia numa ação na zona da Praia Formosa, na qual manifestou ser contra o projeto anunciado pela vereação PSD/CDS-PP para aquele local, entretanto, suspenso.

A unidade de execução da praia Formosa, aprovada em julho de 2023, previa a edificação de dois projetos imobiliários (apartamentos) — um do Grupo Pestana/CR7, outro da família Welsh -, sendo que, a partir da emissão dos alvarás, o prazo de execução era de quatro anos e meio, podendo estender-se excecionalmente até ao máximo de 10 anos.

No dia 10 de julho, o vereador Miguel Silva Gouveia, da coligação Confiança (liderada pelo PS), disse à Lusa que o vereador do Urbanismo, João Rodrigues, tinha confirmado que a Câmara do Funchal estava impedida judicialmente de licenciar projetos de construção nos terrenos da praia Formosa.

Nesta ação da campanha eleitoral, Marta Sofia, dirigindo-se aos eleitores que “ligam a sondagens”, alertou que estes estudos de opinião “servem apenas para desmobilizar o voto” em partidos pequenos como o Livre”.

Segundo esta candidata, o Livre “não tem como objetivo ganhar a câmara, mas sim a Assembleia Municipal”, apontando que os pilares assumidos são “ação, moderação e visão e transformar os problemas em soluções, construir consensos alargados e votar por um Funchal mais seguro e com mais justiça urbana”.

Ainda sublinhou que os funchalenses devem “acreditar que a mudança da cidade começa com a sua coragem na urna no dia 12 de outubro”.

Numa iniciativa dedicada também ao ordenamento do território, Marta Sofia realçou que o relatório elaborado, que está para ser alvo de revisão, “não responde aos desafios da cidade” do Funchal, nomeadamente no que concerne à pressão imobiliária e às ameaças climáticas.

Também “não tem uma urgência no que toca à habitação para a população, nem resolve os problemas de gestão urbanística, que respeitem a natureza, o meio ambiente e as pessoas, acrescentou.

A candidata adiantou que o Livre identificou “várias falhas” no relatório, que vão desde “dados desatualizados, indicadores de qualidade de vida insuficientes, mudanças climáticas completamente ignoradas”, reforçando que “as propostas são pouco concretas porque não têm prioridades, não são responsáveis” e mostra uma “habitação e a especulação imobiliária completamente descontroladas”.

Para esta candidata, “é preciso agir com coragem e transparência para ter um Funchal seguro, sustentável e equilibrado, onde a habitação, o turismo e os investimentos responsáveis possam coexistir, mas sempre colocando as pessoas e a ecologia em primeiro lugar”.

O atual executivo, chefiado por Cristina Pedra, é composto por seis eleitos da coligação PSD/CDS-PP e cinco sem pelouro da coligação Confiança, liderada pelo PS.

O Livre não tem representação nos órgãos municipais do Funchal.

Nestas eleições autárquicas, candidatam-se à Câmara do Funchal Paulo Azevedo (Nova Direita), Mónica Freitas (PAN), Marta Sofia (Livre), Luís Filipe Santos (Chega), Rui Caetano (PS), Miguel Pita (ADN), Fátima Aveiro (JPP), Raquel Coelho (PTP), Válter Rodrigues (MPT), Jorge Carvalho (coligação PSD/CDS-PP), Ricardo Lume (CDU — coligação PCP/PEV), Sara Jardim (IL), Liana Reis (RIR) e Dina Letra (BE).