Está marcado para quarta-feira, mas ainda não é certo que o julgamento do agente da PSP que matou Odair Moniz vá mesmo começar nessa data. Ricardo Serrano Vieira, advogado do polícia, está de baixa até ao final desta semana, depois de ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica. Apesar de “ainda não estar a 100%”, o advogado garante ao Observador que fará “um esforço para estar presente” no Tribunal de Sintra, estando dependente de uma decisão da equipa médica que o acompanha. Ao Observador, fonte do tribunal diz que já foi pedido reforço de segurança.
O advogado diz ao Observador que terá resposta ao pedido feito à equipa médica até às 16h de terça-feira, e só depois de saber a opinião clínica se saberá se a primeira sessão terá mesmo lugar na data prevista. O arranque do julgamento, presidido pela juíza Ana Sequeira, está marcado para as 13h30 de 14 de outubro no Tribunal de Sintra, da Comarca de Lisboa Oeste.
Morte de Odair na origem de tumultos. Tribunal reforça presença da PSP
Fonte ligada ao tribunal garante que já foi feito um pedido de reforço policial para a data marcada para o arranque dos trabalhos, prevenindo eventuais manifestações ou protestos à porta do tribunal. A morte de Odair Moniz, há quase um ano, desencadeou uma série de tumultos violentos em vários pontos da Grande Lisboa: além de autocarros e carros privados incendiados nos dias que se seguiram à morte de Odair, registaram-se também cenas de violência contra um condutor da Carris, ameaçado com uma faca, impedido de sair do autocarro em chamas, regado com combustível e que acabou por ficar com queimaduras graves no corpo na sequência desse ataque.
Esse foi apenas um episódio de uma série de situações de violência que se registaram há sensivelmente um ano. Ao longo de uma semana, e durante todas as noites, após a morte de Odair, registaram-se tumultos e cenas de vandalismo em vários bairros da zona da Grande Lisboa.
O polícia que está acusado da morte de Odair Moniz começou a carreira em 2022 e está, neste momento, suspenso de funções. Vai responder em tribunal pelo crime de homicídio. Para o Ministério Público, o agente sabia que “a conduta de disparar, por duas vezes, a curta distância do corpo de Odair era apta a atingir o corpo deste”. Segundo avançou esta segunda-feira o jornal Público, o único arguido do caso não revelou a sua morada por razões de segurança.
Ainda de acordo com aquele diário, nos últimos tempos, o agente não tem vivido sempre no mesmo local, permanecendo em casas de familiares ou num parque de campismo.
Cova da Moura. A história da morte de Odair contada por quem estava à janela
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