O Presidente dos EUA, Donald Trump, atribuiu a Medalha da Liberdade a Charlie Kirk, ativista de extrema-direita morto a tiro na Universidade do Vale do Utah no mês passado.
A condecoração é a mais importante que o Presidente pode dar a um civil e foi atribuída, a título póstumo, no dia em que Kirk faria 32 anos de idade. A cerimónia, que inclui a presença da viúva, Erika Kirk, marca a primeira vez que Donald Trump condecorou alguém com esta ordem no segundo mandato.
“Estamos aqui para homenagear e recordar um guerreiro destemido pela liberdade, um líder amado que galvanizou a próxima geração como ninguém que eu já tenha visto antes, e um patriota americano da mais profunda convicção, da melhor qualidade e do mais alto calibre”, disse Trump no seu longo discurso, onde classificou o atentado como “um ato demónico de assassinato“.
Para Trump, que falou no recém inaugurado jardim da Casa Branca, Charlie Kirk “foi assassinado no auge da sua vida por dizer corajosamente a verdade, por viver a sua fé e lutar incansavelmente por uma América melhor e mais forte”.
O líder dos EUA aproveitou para criticar ainda o bloqueio institucional vivido nos EUA, confessando que desejava que “Charlie estivesse cá para lutar” contra os “lunáticos radicais de esquerda”. “Acho que a luta já teria acabado e ele teria marchado sobre o Capitólio”, disse, lembrando ainda Kirk como alguém “capaz de lutar contra pessoas que eram inimigas”.
Trump: "We're dealing with some radical left lunatics. And I just wish Charlie was here to fight us. I think the fight would've been over already. You would've had a march on the Capitol by people whose average age is about 21." pic.twitter.com/4LcCqgmNLO
— Aaron Rupar (@atrupar) October 14, 2025
“E ele não amava esses inimigos. Sabem, ouvi dizer que ‘ele amava os seus inimigos’ e pensei: “Esperem aí, esse é o mesmo Charlie que eu conhecia? Não tenho a certeza’. Mas não quis entrar nesse assunto”, disse.
Depois de receber a condecoração em nome do seu marido, Erika Kirk contrariou Trump, dizendo que Charlie “rezava pelos seus inimigos“.”O que é muito difícil [de fazer], mas ele rezava. Eu vi-o a rezar“, afiançou ainda, entre risos face à reação do Presidente norte-americano.
Erika Kirk to Trump:He did pray for his enemies. He did. pic.twitter.com/Jp4Bf0IB89
— Acyn (@Acyn) October 14, 2025
A víuva descreveu o prémio como “a melhor prenda de aniversário que o marido poderia receber”. “Charlie, querido, sei que estás a celebrar no céu, mas sinto muito a tua falta“, acrescentou. “Obrigado por nos amarem. Obrigado por rezarem por nós e por acreditarem no que o Charlie acreditava”, rematou.
14 de Outubro de 2025 declarado “Dia Nacional em Memória de Charlie Kirk”
Para além de ter sido escolhido para a entrega da medalha, o dia em que Charlie Kirk celebraria o seu aniversário foi declarado, numa proclamação assinada por Donald Trump, o “Dia Nacional em Memória de Charlie Kirk”.
President Donald J. Trump just signed a Proclamation declaring today, October 14, 2025 — on what would be Charlie Kirk's 32nd birthday — as a "National Day of Remembrance for Charlie Kirk."
Here is the text of the Proclamation:
On the afternoon of Wednesday, September 10, 2025,…
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) October 14, 2025
“Hoje, a nossa nação honra a memória imortal de Charlie — um pai, um marido, um mártir cristão e um titã do movimento conservador americano. Honramos a sua vida, enviamos as nossas condolências à sua bela família e comprometemo-nos a promover os valores pelos quais ele deu a sua vida”, lê-se no texto deste documento publicado na rede social X pela Casa Branca.
“Convocamos todos os americanos a rezarem pela paz em nossa praça pública. Acima de tudo, renovamos a nossa determinação de defender sempre os nossos princípios de verdade, fé e livre troca de ideias“, acrescentou Trump.
Departamento de Estado revoga vistos a quem celebrou morte de Kirk
Pouco depois da cerimónia, o Departamento de Estado dos EUA, liderado por Marco Rubio, anunciou ter revogado vistos a vários cidadãos estrangeiros que, nas redes sociais, celebraram a morte de Charlie Kirk.
The United States has no obligation to host foreigners who wish death on Americans.
The State Department continues to identify visa holders who celebrated the heinous assassination of Charlie Kirk. Here are just a few examples of aliens who are no longer welcome in the U.S.:
— Department of State (@StateDept) October 14, 2025
“Os Estados Unidos não têm nenhuma obrigação de acolher estrangeiros que desejam a morte de americanos”, lê-se numa publicação da rede social X do departamento, que diz continuar a “identificar titulares de vistos que comemoraram o hediondo assassinato de Charlie Kirk”.
A publicação é acompanhada de exemplos das frases que valeram a retirada dos vistos. “Os neandertais não podem ter tudo… Este fim de semana, eles assumiram abertamente o racismo contra os negros e agora estão magoados porque o comício racista terminou numa tentativa de martírio? Charlie Kirk não será lembrado como um herói. Ele foi usado para criar um movimento falso de nacionalistas brancos ignorantes!”, lia-se num comentário, que o departamento indicava ser atribuído a um cidadão sul-africano.
A South African national mocked Americans grieving the loss of Kirk, saying “they’re hurt that the racist rally ended in attempted martyrdom” and alleging “he was used to astroturf a movement of white nationalist trailer trash.”
Visa revoked. pic.twitter.com/0dgiI31bdk
— Department of State (@StateDept) October 14, 2025
Para além deste, pessoas da Argentina, Brasil, Alemanha, México e Paraguai tiveram os seus vistos revogados, anunciou o departamento.
“Os estrangeiros que se aproveitam da hospitalidade dos Estados Unidos enquanto comemoram o assassinato dos nossos cidadãos serão expulsos“, avisou ainda.
[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]