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A ONU e o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) exigiram esta terça-feira a abertura de todos os pontos de passagem fronteiriços da Faixa de Gaza para permitir o envio de mais ajuda humanitária.

“Pedimos que todos os pontos de passagem sejam abertos”, disse um porta-voz do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) das Nações Unidas, Jens Laerke, durante uma conferência de imprensa em Genebra, Suíça.

Um porta-voz do CICV, também presente no encontro com os jornalistas, declarou que “nem todos os pontos de passagem de Gaza estão abertos à ajuda humanitária”. “Esse é o principal problema neste momento, e foi isso que os humanitários, incluindo o CICV, reclamaram nas últimas horas”, afirmou Christian Cardon, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP). A abertura deve ser efetuada “com urgência”, acrescentou.

A ONU e organizações parceiras retomaram o transporte de ajuda para Gaza na sequência da entrada em vigor na sexta-feira do cessar-fogo na guerra de dois anos entre o Hamas e Israel.

O porta-voz do OCHA também pediu que os pontos de passagem fronteiriços destruídos durante a guerra fossem reparados e abertos. “Dispomos na região de 190.000 toneladas prontas a serem enviadas”, nomeadamente na Jordânia e no Egito, afirmou Laerke, que apelou para o reforço da ajuda.

O apelo foi feito no dia em que o Vaticano anunciou o envio de 5.000 doses de antibióticos para Gaza através do Patriarcado Latino de Jerusalém, segundo o prefeito do Dicastério para o Serviço da Caridade, Konrad Krajewski.

A guerra, que causou mais de 67 mil mortos em Gaza, foi desencadeada pelo ataque do grupo palestiniano extremista Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, que provocou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.

A ajuda humanitária entrou de forma muito limitada em Gaza após um bloqueio hermético do território imposto por Israel no início de março de 2025, que foi parcialmente relaxado a partir do final de maio.

Peritos parceiros da ONU confirmaram em agosto que uma situação de fome se estava a instalar em parte do território, na primeira declaração do género no Médio Oriente, que Israel contestou. Israel também foi acusado de genocídio e de usar a fome como arma de guerra em Gaza, o que negou.

Numa declaração divulgada no domingo, depois de ter retomado a distribuição de ajuda humanitária, o OCHA assinalou que, pela primeira vez desde março, o gás de cozinha tinha voltado à Faixa de Gaza. “Mais tendas para famílias deslocadas, carne congelada, fruta fresca, farinha e medicamentos também atravessaram para Gaza ao longo do dia”, disse a organização na altura. “Isto é apenas o começo”, assinalou.

O plano da ONU para os primeiros 60 dias do cessar-fogo prevê o alargamento da escala e do alcance das operações “para fornecer ajuda e serviços essenciais a praticamente toda a população de Gaza”, segundo o OCHA.

Os combates em Gaza cessaram no âmbito de um acordo proposto pelos Estados Unidos com mediação do Egito, Qatar e Turquia, que previa a libertação dos reféns ainda em Gaza por troca de 1.950 palestinianos detidos em Israel.

A troca de reféns pelos presos palestinianos ocorreu na segunda-feira, no mesmo dia em que foi assinado o acordo de cessar-fogo, em Sharm el-Sheikh, no Egito.

O acordo faz parte de um plano de paz proposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prevê também o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelitas. Trump propôs também uma administração internacional transitória em Gaza e a reconstrução do território, mas os termos dos passos seguintes terão de ser ainda acordados entre as partes.