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Um futuro pianista, um jovem que deu um filme, o refém que cavou a própria sepultura e dois pares de irmãos. Todos eles estão entre os vinte reféns vivos que esta segunda-feira foram libertados pelo Hamas e que eram mantidos em Gaza. 737 dias depois do ataque do 7 de outubro de 2023, a sua libertação foi acertada no acordo assinado entre Israel e o Hamas e patrocinado por Donald Trump que impôs um cessar-fogo no enclave e que ambiciona acabar com a guerra naquela região.
Entre participantes do Nova Festival e habitantes dos kibutz perto da barreira que separava a Faixa de Gaza do território israelita, eis quem são os 20 israelitas que foram mantidos reféns, sobreviveram, e que agora se reuniram às suas famílias.
Alon Ohel, o pianista apanhado num abrigo
Um dos jovens que estava no festival nesse dia era o pianista Alon Ohel, hoje com 24 anos. Segundo o Haaretz, Ohel tinha regressado de uma viagem à Ásia, planeando depois estudar música em Israel. Durante o ataque, Alon tinha-se escondido num abrigo à beira da estrada com mais 30 pessoas. Acabou por ficar ferido por uma granada atirada para dentro desse esconderijo.
No livro do também refém libertado em fevereiro, Eli Sharabi, que se chama precisamente Refém, este conta como terá encontrado Alon num túnel subterrâneo onde foi mantido com vários outros raptados durante o primeiro ano de cativeiro, tendo sofrido vários problemas de saúde, como “diarreia constante”, “vómitos frequentes” e “inflamações por fungos”.
Na chamada “Praça dos Reféns” em Telavive, noticiou o Jerusalem Post, foi colocado um piano que era palco de várias homenagens a Ohel. Em casa, contou a sua tia Kremer, o seu próprio piano foi aberto pela família à espera do seu regresso.
Alon foi sendo filmado em vídeos do Hamas ao longo do cativeiro, tendo sido visto no início de setembro a circular num carro na cidade de Gaza, numa altura em que Israel se preparava para realizar uma forte ofensiva nessa zona.
▲ Guy Gilboa-Dalal
Getty Images
Guy Gilboa-Dalal, o fã de cultura japonesa que deu um filme
Nesse mesmo vídeo de Ohel, outro refém surgia em primeiro plano: Guy Gilboa-Dalal, 24 anos. Cerca de dois anos antes, o jovem, também foi raptado do festival Nova. Tinha uma viagem planeada ao Japão pouco depois. O amor pela cultura japonesa era profundo, por isso até levou um quimono para o festival.
Guy tinha ido ao festival com o irmão Gal. Ambos já estavam de saída do evento, mas Guy tinha ficado para trás para fumar um “último cigarro” antes da viagem, contou ao TheGuardian, o irmão. Por já estar na estrada de acesso, Gal conseguiu escapar à investida das forças do Hamas naquele dia. Guy não teve a mesma sorte — uma separação que deveria demorar uns minutos, acabou por se prolongar durante mais de dois anos.
Entrevistado pelo jornal britânico em outubro, o irmão do refém confessou que “o tempo tem passado de forma muito estranha” desde essa separação. De certa forma, sinto que estive com ele ontem no Nova e sinto que não vejo o meu irmão há mais de 100 anos“, sublinhou.
Segundo o refém libertado Tal Shoham, citado pelo Haaretz, Gilboa-Dalal sofreu em “condições horríveis“. As duas primeiras semanas que Shoham viveu com ele, foram passadas com as mãos e os pés amarrados e a cara coberta com um saco, contou.
A história de Guy Gilboa-Dalal deu depois um filme. Guygu, um filme de animação inspirado na história do refém, estreou no fim de agosto de 2025, como não podia deixar de ser é em estilo anime, de origem japonesa. Como tanto gosta
▲ Evyatar David
AFP via Getty Images
Evyatar David, que tinha sido filmado a “escavar a própria sepultura”
Amigo de infância de Gilboa Dalal, Evyatar David, 24 anos, da cidade de Kfar Saba, também tinha ido com ele ao Nova Festival naquele dia 7 de outubro. Trabalhava num café e, tal como o seu amigo, planeava ir ao Japão. E ainda à Tailândia.
“Evyatar adorava sair e vivia a vida ao máximo. Por um lado, era calmo e tranquilo, por outro, era cheio de energia e imparável”, contou a irmã Yeela, citada pelo Haaretz.
“Um esqueleto vivo.” Hamas divulga vídeo com refém a cavar a própria sepultura
As imagens que surgiram de David no cativeiro contavam outra história. Extremamente magro e pálido, o refém aparecia num túnel com uma pá: “A cada dia que passa, o meu corpo fica mais fraco e mais magro”.
[Há um novo candidato a Belém. Soares fica em choque com o anúncio do amigo que considera irmão. Freitas elege Zenha como principal adversário. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui.]
“Parece que estou a escavar a minha própria sepultura”, dizia o refém no vídeo. “Uma na qual me posso vir a deitar”, continuava. Num comunicado, a família lamentou terem sido “forçados a testemunhar o nosso querido filho e irmão deliberada e cinicamente esfomeado nos túneis do Hamas em Gaza”, parecendo “um esqueleto vivo, enterrado vivo”.
Tanto ele como Gilboa-Dalal tinham também aparecido noutro vídeo publicado em fevereiro deste ano, ainda durante o primeiro cessar-fogo na Faixa de Gaza, que durou cerca de dois meses. Segundo o Haaretz, ambos estavam num carro junto a uma cerimónia da primeira grande leva de libertações de reféns em Gaza.
Depois do regresso, a família celebrou o regresso a casa de Evyatar, esta segunda-feira. “Desde o primeiro momento, sabíamos que ele voltaria e, após dois anos de sofrimento, aqui está ele. Agora, uma nova jornada de cura começará para Evyatar e para nós”.
David e Ariel Cunio, irmãos de origem argentina (com cidadania portuguesa)
Os irmãos Cunio, nasceram em Israel de pais judeus argentinos que migraram para o país. Cresceram no kibutz Nir Oz, atacado durante o 7 de outubro. David, de 29 anos, tinha tirado informática e testava software numa empresa tecnológica. Já Ariel, 35 anos, é ator, técnico eletricista e pai de duas gémeas, Emma e Yuli, de cinco anos de idade.
Ambos os irmãos têm também a nacionalidade portuguesa, obtida devido à sua origem como judeus sefarditas. Tinham acabado de vir de uma viagem à América Latina quando militantes do Hamas entraram no kibutz e acabaram por ser levados para Gaza.
Durante o cativeiro, Ariel Cunio foi a companhia para o seu melhor amigo, Yarden Bibas, cuja mulher e duas filhas morreram enquanto estiveram presas em Gaza. Depois de Yarden ter sido libertado em fevereiro, contou ter pedido pessoalmente ao então líder do Hamas, Yahya Sinwar, para ficar com o seu amigo.
“Quando nos cruzávamos nos túneis, havia sempre um forte abraço e um beijo na bochecha. Dizíamos: ‘Vai ficar tudo bem, irmão. Amo-te’. Não sei como ele conseguiu continuar. Espero que ele seja forte”, disse então Bibas.
O pai de ambos, Luis Cunio, lançou fortes acusações ao governo liderado por Benjamin Netanyahu num texto de opinião no Haaretz publicado no início deste mês, em que disse terem sido “abandonados”.
“Criámos os nossos filhos aqui [em Israel]; eles serviram no exército, constituíram família, viveram no kibutz – e, de repente, surge este abandono. Israel não é mais o que costumava ser. O povo judeu mudou. A responsabilidade mútua que tínhamos aqui desapareceu, foi atirada para o lixo. Falam em ocupar Gaza, anexar a Cisjordânia. Não era isso que sonhávamos. Há uma grande desilusão”, disse.
▲ Gali Berman e Ziv Berman
Hannah McKayREUTERS
Ziv e Gali Berman, os gémeos levados de casa
Ziv e Gali Berman, irmãos gémeos de 28 anos, nasceram no kibutz Kfar Azza, onde viviam e trabalhavam na empresa local de fornecimento de eletricidade. Ambos estavam na localidade atacada no dia 7 de outubro e foram levados para a Faixa de Gaza.
Quando o kibutz foi atacado, Gali estava com a sua amiga Emily Damari escondido no mesmo quarto. Emily, que o Haaretz noticiou ter sido libertada durante o cessar-fogo de janeiro deste ano, lembrou o momento em que foram confrontados.
“Eles levaram-me a mim e ao Gali. Quando apontaram uma arma ao Gali, gritei com toda a minha força para o deixarem em paz, e fomos levados para Gaza juntamente com o Ziv”, contou ao jornal israelita.
Em fevereiro de 2025, a tia, Maccabit Mayer, indicara que os gémeos, conhecidos por serem próximos um do outro, estavam vivos mas estavam a ser mantidos separadamente.
▲ Rom Breslavski
Twitter/Israel in Belgium
Rom Braslavski, o segurança que tentou salvar festivaleiros
Rom Braslavski, de 21 anos, vivia em Jerusalém e trabalhava como segurança no Nova Festival no dia 7 de outubro de 2023, numa altura em que estava de licença das IDF.
Foi levado quando tentava ajudar outros festivaleiros fugir do ataque desse dia, que matou centenas de pessoas só nesse local. Ao Haaretz, Naama Gal disse ter sido uma das pessoas ajudada, contando que ele a tinha resgatado “depois de ser alvejado em ambos os braços“.
Jihad Islâmica Palestiniana publica vídeo do refém israelita Rom Braslavski
Ao contrário dos outros, Braslavski foi levado pelo grupo aliado da Jihad Islâmica Palestiniana (JIP) e não pelo próprio Hamas nesse dia. Ao longo do cativeiro, a JIP lançou apenas um vídeo em agosto deste ano, mostrando-o muito magro e afirmando estar muito fraco, sem conseguir andar nem ficar em pé.
“Não consigo respirar, não consigo viver. Tens de parar com o que estás a fazer aqui”, apelou Braslavski no vídeo.
▲ Avinatan Or
Bloomberg via Getty Images
Avinatan Or, o engenheiro informático raptado com a namorada
Avinatan Or, de 32 anos, cresceu no colonato israelita de Shiloh, na Cisjordânia, mas vivia na capital de Telavive em outubro de 2023, conta o Haaretz. Tirou engenharia informática na cidade de Be’er Sheva e, trabalhava no gigante tecnológico Nvidia. Tinha ido ao sul do país para o Nova Festival com a sua namorada, Noa Argamani.
Mesmo tendo sido levados juntos, Avinatan e Noa foram depois separados quando os levaram para a Faixa de Gaza, deixados em catacumbas diferentes. Apesar de o namorado só agora ter sido libertado, Argamani fez parte do grupo de quatro reféns que conseguiram ser resgatados pelas IDF durante a invasão do enclave, tendo contado sobre o que ambos viveram naquele momento.
“Os terroristas agarraram as nossas mãos e começaram a correr connosco, chamando alguns homens numa mota que estava por perto. Quando a mota chegou, meteram-me nela, enquanto Avinatan ficou para trás. Estiquei o braço e gritei. Gritei para que não nos separassem, mas acabei sozinha, dentro dos túneis de Gaza”, lembrou ao jornal israelita.
▲ Maxim Herkin
AFP via Getty Images
Maxim Herkin, o russo-israelita que o Kremlin queria resgatar
Maxim Herkin, 35 anos, nasceu em Donetsk, na Ucrânia (então União Soviética) e vivia em Tirat Carmel, nos subúrbios de Haifa. Segundo a BBC, tinha ido ao festival devido a um convite de última hora, após acabar de regressar da Rússia onde visitara a sua filha de três anos, que vive lá com a mãe, Anna.
Herkin, apesar de ter nascido em território ucraniano (hoje ocupado pela Rússia), não tem a nacionalidade ucraniana — optando pela dupla nacionalidade russa e israelita.
O Kremlin tinha pressionado o Hamas para libertá-lo durante o primeiro cessar-fogo, estando a sua saída de Gaza prevista para acontecer na segunda fase desse acordo, com o Hamas a prometer dar-lhe prioridade. Porém essa “segunda fase” nunca se chegou a concretizar.
A 4 de abril deste ano, o Hamas lançou um vídeo em que mostrava Herkin vivo, a prova de que o refém tinha sobrevivido, embora estivesse pálido e magro.
▲ Bar Kupershtein
Getty Images
Bar Kupershtein, o “ganha-pão” que motivou o pai a voltar a falar
No mesmo vídeo em que Herkin aparece, está também Bar Kupershtein, de 23 anos, do kibutz de Nir Oz. O mais velho de cinco irmãos, Bar tinha-se tornado o ganha-pão da casa depois do pai, Tal, ter sofrido um AVC ao volante, provocando um acidente rodoviário que o deixou paraplégico.
Para ganhar esse dinheiro, trabalhava no Nova como segurança no dia 7 de outubro de 2023. Foi raptado na sequência do ataque. Tal como Breslavski, o segurança ficou para trás para ajudar os festivaleiros a fugir, em vez de tentar escapar também.
Numa entrevista ao Times of Israel, Tal Kupershtein contou que tinha deixado de conseguir falar depois do AVC há cinco anos. No seu pensamento, porém, achou que se conseguisse voltar a falar, o seu filho voltaria.
“Bar! Estou a falar de novo! Podes voltar!“, gritou o pai junto à barreira com Gaza pouco depois da Páscoa judaica este ano.
▲ Matan Zangauker
AFP via Getty Images
Matan Zangauker, o plantador de canábis e a sua mãe combativa
Matan Zangauker, de 25 anos, foi levado de casa na sua terra natal, o kibutz Nir Oz, com a namorada, Ilana Grizewsky. Ambos trabalhavam juntos, tratando das estufas de canábis medicinal que a comunidade plantou.
Ilana Grizewsky foi uma das primeiras reféns a ser libertada da Faixa de Gaza, na primeira troca de prisioneiros logo em novembro de 2023. Zangauker não teve a mesma sorte e foi mantido no enclave palestiniano até esta segunda-feira.
A mãe de Eitan, durante os protestos das famílias, assumiu um papel de protagonismo como uma das vozes mais vocais do movimento, criticando a gestão do governo de Netanyahu com a situação dos reféns em Gaza.
“Para que o Estado de Israel possa garantir a segurança dos seus cidadãos, temos de pôr fim a esta injustiça que foi cometida contra os nossos entes queridos durante 22 meses“, disse em agosto, à porta da casa de Israel Katz, ministro da Defesa israelita.
Num texto publicado no Haaretz escrito como uma carta dirigida a Matan, Eitan Zangauker acusou “os políticos” de usarem-no em troca de “um objetivo pouco claro”, algo que lhe estava a “partir o coração”. “Embora o governo tenha se recusado a ouvir o meu clamor e fechado as portas para mim, os israelitas comuns ouviram. Eles apoiaram-me e acolheram-me. Eles viram a minha dor”, acrescentou.
Segundo o jornal israelita, Zangauker foi mostrado em vários vídeos pelo Hamas. No último, lançado só em agosto de 2025, mas datado de dezembro de 2024, o refém dirige-se a três membros da família, um deles a namorada Ilana. “Tato, Shani, Ilana, sinto a vossa falta. Se Deus quiser, ver-nos-emos em breve. A todos os meus conhecidos, a todos os meus amigos — saiam, façam barulho como só vocês sabem fazer e, com a ajuda de Deus, ver-nos-emos em breve”, disse no vídeo citado pelo Ynet.
▲ Elkana Bohbot
AFP via Getty Images
Elkana Bohbot, regressa para ver o filho dois anos depois
Elkana Bohbot, 36 anos, vivia nos súburbios de Jerusalém com a sua mulher Rivka e o filho Reem, então com três anos. Estava no Nova Festival como parte de uma empresa de produção musical no momento do ataque e, segundo Haaretz, planeava abrir uma geladaria na capital israelita de Telavive.
A prova de vida foi dada por várias vezes, tendo aparecido em quatro vídeos do Hamas desde o colapso do cessar-fogo atingido em março, noticiou o Haaretz.
Rivka após o anúncio de que o marido seria libertado, celebrou o regresso para que pudesse ver o filho. “O nosso Reem já fez cinco anos e hoje ele finalmente vai celebrar de verdade o momento do reencontro com o pai. O Reem finalmente pode chamar pelo pai, e o pai vai responder, abraçá-lo e brincar com ele”, contou, citada pelo The Guardian.
▲ Yosef Chaim Ohana
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Yosef Chaim Ohana, que ia tirar um curso de piloto aos EUA
Yosef Chaim Ohana, de 24 anos, vivia em Ramle, no centro de Israel, trabalhando como bartender em Telavive. Tal como muitos outros, foi levado para Gaza do Nova Festival, onde também tentou salvar festivaleiros dos ataques e ajudar os feridos.
Em fevereiro, a família contou ter recebido sinais de vida de Ohana, noticiou o Jerusalem Post, a quem um amigo avançara que a presença no festival servia para festejar uma futura ida aos EUA para tirar um curso de piloto de aviões.
Em comunicado, o pai Avi disse esta segunda-feira que estavam “cheios de felicidade” por conseguirem “abraçar Yosef Chaim novamente”.
“Os nossos corações estão com as famílias que ainda não tiveram a oportunidade de receber os seus entes queridos, e desejamos o rápido regresso à terra de Israel de todos os nossos reféns falecidos para poderem ter um enterro digno”, acrescentou, citado pelo The Guardian.
▲ Segev Kalfon
dpa/picture alliance via Getty I
Segev Kalfon, que tinha “ataques de ansiedade diários” antes do 7 de outubro
Segev Kalfon, de 27 anos, é originário da cidade de Dimona. Judeu sefardita, é o terceiro refém com nacionalidade portuguesa, para além dos irmãos Cunio, que vai regressar de Gaza.
Tinha sido levado também do festival, onde procurava serenar do síndrome de stress pós traumático que desenvolvera após um acidente e lhe provocava ataques de ansiedade diários, segundo contou a mãe ao Haaretz.
Na manhã do ataque, contou o pai Kobi ao Times of Israel, Kalfon esteve ao telefone enquanto tentava, sem sucesso, escapar ao ataque das forças ligadas ao Hamas.
“Ficámos ao telefone durante uma hora”, recordou, lembrando ainda ter sido “uma loucura” e que lhe tinha dito para “correr”.
▲ Eitan Mor
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Eitan Mor, o barista com um pai contra acordos com o Hamas
Eitan Mor, de 25 anos, era outro dos seguranças do Nova que foi levado pelo Hamas e que tentou salvar pessoas durante o 7 de outubro de 2023. Cresceu num colonato, mas vivia em Jerusalém, onde trabalhava como barista num café.
Segundo o Haaretz, a família de Mor recebeu um sinal de vida em fevereiro, durante o cessar-fogo celebrado em janeiro desse ano.
O seu pai Tzika fazia parte de uma minoria entre as famílias que era contra a realização de acordos com o Hamas para libertar os reféns. Questionado pela Rádio do Exército Israelita sobre o que o filho ia achar disso agora que iria ser libertado, Tzika Mor garantiu que Eitan “confiava completamente” nele e que o iria dizer.
“Na nossa casa, educámos os nossos filhos a arriscarem as suas vidas pelo povo de Israel, pelo Estado de Israel. Se Eitan não tivesse sido feito refém, ele teria lutado em Gaza e, então, também teria sido obrigado a arriscar a sua vida”, disse à rádio, citado pelo Times of Israel.
Omri Miran, o mais velho de todos os reféns vivos
Aos 48 anos, Omri Miran era o mais velho dos reféns que ainda estavam vivos em Gaza. Vivia com a sua mulher Lishay e as duas filhas em Nahal Oz, onde era terapeuta de shiatsu — uma forma de relaxamento do corpo.
Em fevereiro de 2024, o seu pai Daniel Miran falou ao Observador sobre como tinha recebido a última mensagem enquanto Omri estava no abrigo do kibutz, de onde seria levado.
❤️???? Omri Miran has been reunited with his two little girls who were just 6 months and 2 years old when he was taken hostage ???? pic.twitter.com/uxNABpe6ik
— Aviva Klompas (@AvivaKlompas) October 13, 2025
“Às 10h20 recebi a última mensagem dele. Tentei enviar-lhe mais mensagens, mas nunca recebi mais nenhuma resposta. A última que recebi foi ‘Estamos no abrigo e estamos bem'”, disse então.
Em abril deste ano, a família recebeu prova de que Omri estava vivo e, depois do anúncio que seria libertado, a família celebrou o regresso após “700 dias longos, dolorosos e agoniantes”.
“Queremos agradecer ao povo de Israel do fundo do coração por nos apoiar nos momentos mais difíceis e nos dias em que este momento parecia um desejo distante e impossível. Este momento, hoje, não é uma vitória pessoal, mas uma vitória de todo um povo”, sublinharam.
▲ Eitan Horn
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Eitan Horn, levado com o irmão após correrem “pelas suas vidas”
No dia 7 de outubro de 2023, Eitan Horn foi levado para Gaza da casa do irmão Iair no kibutz Nir Oz. Agora com 39 anos, Horn vivia na localidade de Kfar Saba, para onde se tinha mudado também da Argentina em 2002, tendo dupla nacionalidade.
Em fevereiro, Iair foi libertado, tendo contado ao Times of Israel que a preocupação com o irmão lhe tinha “paralisado a vida”. Lembrando ao Haaretz sobre o momento em que foram levados, Iair contou que ele e o irmão tinham “corrido pelas vidas”.
“O Eitan não é um tipo desportista, mas tivemos de atravessar os túneis rapidamente. Ele parou e eu tive de o puxar pelo braço – ele pesava mais de 100 quilos e eu estava a tentar arrastá-lo. Mal conseguimos sair com vida”, acrescentou.
Já esta segunda-feira, a família confirmou o regresso de Eitan, sublinhando que o irmão podia agora “respirar e sentir-se verdadeiramente livre”.
“Estaremos com ele e ao seu lado pelo tempo que for necessário, e dir-lhe-emos o quanto a sociedade israelita lutou por ele e por todos os reféns. Mas os nossos corações não estão inteiros, e a nossa luta não acabou. Eitan voltou, mas isso não é suficiente. Somente quando o último refém voltar poderemos dizer que cumprimos a nossa missão e a nossa obrigação moral”, sublinharam num comunicado citado pelo The Guardian.
▲ Nimrod Cohen e Matan Angrest
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Matan Angrest e Nimrod Cohen, os soldados das IDF apanhados nos tanques
Matan Angrest, 22 anos, era um dos soldados das IDF que estava destacado na base fronteiriça de Nahal Oz. Adepto ferrenho do clube de futebol Maccabi Haifa, o soldado estava num tanque junto à barreira com a Faixa de Gaza que foi atacado no dia 7 de outubro.
Dentro do seu tanque estavam outros dois soldados, mortos pelo ataque. Angrest foi o único que sobreviveu e acabou por ser levado para a Faixa de Gaza, onde terá sido interrogado e sofrido abusos.
Já Nimrod Cohen, de 21 anos e vindo da cidade de Rehovot, sobreviveu a um ataque semelhante ao seu tanque, que sofreu uma avaria. Um explosivo colocado ap lado da viatura não chegou para o matar.
Os pais de Matan foram especialmente ativos no movimento das famílias dos reféns, e vocais contra o governo de Netanyahu. “O meu filho lutou pelo país e foi abandonado no cativeiro, mesmo sabendo que ele estava em risco de vida“, criticou então a mãe de Angrest, Anat.