Jovens portugueses apresentaram esta quarta-feira uma “Carta da Juventude Portuguesa pelo Clima”, na qual defendem o fim gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis e o estímulo ao emprego verde e qualificado.

A carta foi esta quarta-feira divulgada em comunicado pelos jovens participantes na quarta edição da “Local Conference of Youth” (Lcoy) Portugal, um evento nacional que faz parte da rede oficial da juventude da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla original), a Youngo.

No documento, divulgado a menos de um mês do início da próxima cimeira do clima, a COP30, os jovens especificam que o fim dos apoios aos combustíveis fósseis deve acontecer até 2030, e propõem a criação de observatórios locais de monitorização, o reforço da resiliência municipal e a participação efetiva dos jovens nos processos de decisão.

As recomendações, segundo o comunicado, incluem ainda a implementação de soluções baseadas na Natureza na luta climática ou a integração da educação climática em todos os níveis de ensino.

A Carta, “mais do que um conjunto de propostas técnicas, é um apelo à democracia participativa“, dizem os jovens, acrescentando que o combate à crise climática “precisa de ser feito com diálogo, ciência e participação cidadã efetiva”.

Mariana Maraschin, diretora executiva da organização Youth Climate Leaders (YCL) Portugal, afirmou, citada no comunicado: “Esta geração quer viver num país que aposte na ação hoje. E isso começa por repensar a forma como produzimos, consumimos e tomamos decisões”.

Os jovens dizem também no documento que a ação climática se inicia e se concretiza ao nível local e, recordando as recentes eleições autárquicas, desafiam os representantes locais a assumir compromissos públicos e mensuráveis com a ação climática.

A Carta alerta para a urgência de proteger as comunidades mais vulneráveis, como as de zonas do interior, regiões costeiras e áreas afetadas por incêndios ou eventos extremos, “através de planos específicos de segurança social, defesa civil e reconstrução”.

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A Carta, que insiste na necessidade de uma maior participação dos jovens nas decisões políticas, locais e internacionais, inclui mais de 80 recomendações e estrutura-se em três agendas de negociação: Transição Justa, Adaptação Climática e Ação para o Empoderamento Climático.

“Queremos estar nas mesas onde as decisões são tomadas. Não apenas como espetadores, mas como cocriadores das soluções. O nosso futuro está a ser decidido agora, e não há tempo a perder”, afirma Victoria Rampazzo, gestora de projeto da Lcoy Portugal, também citada no comunicado.

A Carta foi construída por jovens investigadores, ativistas, estudantes e representantes de organizações ambientais de todo o país.

A Lcoy é um encontro local que acontece em vários países, com a orientação da Youngo, que reúne todas as cartas nacionais e elabora a “Global Youth Statement”, entregue à presidência da conferência da ONU sobre o clima.

A YCL é uma organização internacional, criada no Brasil em 2018 e que atua em Portugal desde 2021. Capacita e conecta jovens líderes para a ação climática e é observadora oficial da UNFCCC.