Milhares de pessoas juntaram-se no final da tarde de terça-feira em Nova Iorque para protestar contra as ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) no bairro de Chinatown ao início da tarde do mesmo dia.
Segundo avança o The Guardian, vários agentes do ICE invadiram o bairro na tarde de terça-feira numa “operação contra venda de bens contrafeitos”, não havendo até agora um número preciso de detenções.
Alguns com máscaras a tapar a cara, todos extremamente armados e com um carro blindado a rondar o bairro, amarraram e detiveram vários vendedores, no meio de uma multidão que seguia e protestava contra os agentes.
Vários vídeos nas redes sociais mostram a detenção de um homem, que é atirado para o chão e imobilizado, enquanto outros agentes afastam os manifestantes. “Vale a pena o salário? Vender a alma?”, ouve-se uma mulher gritar para os agentes.
ICE agents raided Chinatown’s Canal Street on Tuesday afternoon, detaining several street vendors in an operation that drew immediate and fierce backlash from bystanders and immigrant advocates.https://t.co/oCNwAFWfft pic.twitter.com/JNe0q09pTg
— amNewYork™ (@amNewYork) October 21, 2025
A ação, que várias testemunhas dizem ter envolvido mais de 50 agentes, decorreu numa área de Manhattan conhecida pela venda de malas, acessórios, joias e outros bens contrafeitos, principalmente a turistas.
Horas depois das detenções, várias pessoas reuniram-se perto do Edifício de Imigração, na “Federal Plaza” onde acreditavam estar os detidos, e gritavam repetidamente frases como “ICE fora de Nova Iorque” e “No ICE, No KKK (em referência a um grupo conhecido por promover ódio racial), No fascist USA”.
NOW: protestors chant “ICE out of new york!” outside of 26 federal plaza. this protest comes after a raid where ICE took street vendors in Soho at canal street this afternoon. pic.twitter.com/Y3j8GhSiWY
— Madison Swart (@swartmadison) October 21, 2025
O Departamento de Segurança Interna americano veio certificar que a operação estava apenas focada em “atividade criminal relacionada com a venda de produtos contrafeitos”. No entanto, várias testemunhas dizem que foram também detidas pessoas que apenas se manifestavam contra a ação federal.
Murad Awawdeh, vice-presidente de uma Organização Não-Governamental de proteção aos imigrantes, revelou que foram detidos entre 15 e 40 vendedores e pelo menos mais duas pessoas por se manifestarem. “Não vemos este tipo de coisas em democracia. Vemos em regimes fascistas. Precisamos de continuar a lutar contra isto”, defendeu.
O Departamento de Polícia da Cidade de Nova Iorque (NYPD, na sigla em inglês) garantiu não ter estado envolvido na ação, distanciando-se do ICE. No entanto, várias testemunhas dizem ter visto polícias do departamento também a deter os manifestantes.
The NYPD had no involvement in the federal operation that took place on Canal Street this afternoon.
— NYPD NEWS (@NYPDnews) October 21, 2025
O atual presidente da Câmara de Nova Iorque, Eric Adams, assegurou que a cidade não coopera “com a aplicação da lei federal sobre deportações civis” e garantiu estar a investigar as ações do ICE. “A nossa administração deixou claro que as pessoas que tentam perseguir o ‘sonho americano’ não devem ser alvo da lei e que os recursos devem ser concentrados em criminosos violentos”, escreveu numa publicação na rede social X, que já não está disponível.
Várias figuras políticas também se manifestaram contra as ações do ICE, nomeadamente acusando a administração de Trump de “abuso de poder” e de “escolher a autoridade por via do medo”. “Donald Trump diz que está a atacar ‘os piores dos piores’. Não fazemos Nova Iorque mais seguro ao atacarmos os residentes”, disse uma das candidatas a autarca da cidade, Kathy Hochul.
O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA tem sido alvo de várias polémicas pela violência e falta de fundamento que caracterizam as detenções, tendo já havido, em setembro, um ataque de protesto à agência em Dallas que acabou por causar duas mortes.
Imigrantes sem registo criminal são agora o maior grupo de detenções do ICE, segundo o The Guardian, e a agência já deteve pelo menos 170 cidadãos norte-americanos este ano.