A CP vai comprar cerca de 200 comboios nos próximos anos, afirmou o ministro das Infraestruturas durante a discussão na especialidade do Orçamento do Estado. Miguel Pinto Luz afirmou que o Governo está a preparar o “processo legislativo para a compra de comboios destinados às futuras LAV (linhas de alta velocidade). Trata-se da maior compra de comboios de sempre no nosso país. No total falamos de cerca de 200 novas automotoras que chegarão à CP”.

O número do reforço foi dado na intervenção inicial feita na audição conjunta das comissões de orçamento e infraestruturas, mas o ministro não revelou qual o montante total de investimento previsto nem quis esclarecer, quando questionado pelo deputado do PS, Carlos Barbosa, quantos comboios estará a CP autorizada a comprar para os futuros serviços de alta velocidade.

Depois de mais um ano de imbróglio jurídico, devido à contestação dos concorrentes que perderam o concurso, a CP assinou o contrato para a compra de 117 comboios para os serviços regionais e suburbanos. Este contrato com o agrupamento Alstom/DST está orçamento em 746 milhões de euros, sendo apontado como a maior encomenda da história da empresa. O Governo deu entretanto luz verde à CP para exercer já a opção para comprar mais 36 automotoras, ao abrigo do mesmo contrato, mas não são conhecidos os valores desta operação.

Miguel Pinto Luz justificou estes reforços de material circulante com a obsolescência do material circulante da CP e indicou que foi a própria empresa a indicar ao Governo as necessidade de renovação de frota para os próximos anos. Ou seja, o problema não fica resolvido com o investimento nos 200 comboios, “faltarão outros tantos”, segundo a análise feita pela empresa.

O ministro das Infraestruturas recusou ainda que o lançamento de subconcessões ferroviárias corresponda ao “desventrar da CP” (como apelidou Paula Santos, do PCP), fazendo o paralelo com a adjudicação de serviços a terceiros por parte da TML (Transportes Metropolitanos de Lisboa), uma empresa cuja administração tem elementos nomeados pelo PCP. E mais uma vez reforçou que este plano, do qual ainda se sabe muito pouco, visa sim, “empoderar a CP” e dar-lhe mais capacidade, remetendo ainda para o modelo usado pela Infraestruturas de Portugal nas subconcessões rodoviárias,

Pinto Luz respondeu durante esta audição à acusação do Chega de que a empresa ferroviária estaria “minada” por sindicatos e envolta em compadrios. Pinto Luz convidou o deputado que levantou a questão a apresentar queixa ao Ministério Público se tiver indícios. “Não é só proclamar que há corrupção. A CP é uma casa de trabalho e de gente séria e estamos a empoderá-la”.

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