Está decidido! A partir de 2027, todo o software que esteja conectado com a China vai ser impedido de ser comercializado nos EUA e, em 2029, a proibição será alargada ao hardware. São várias as empresas que vão ver os seus produtos afastados deste mercado por esta medida, sendo que uma delas é a italiana Pirelli, um dos fabricantes de pneus mais conceituados do mundo e que escoa 25% da sua produção para os EUA.

Noruega descobriu que autocarros chineses concedem acesso remoto secreto à China

Nos últimos dias, muito se falou da Noruega e da Dinamarca, países nórdicos que descobriram que os autocarros eléctricos chineses que adquiriram à Yutong tinham no seu sistema a capacidade de se conectar com a China, através de um cartão SIM de origem romena, o que permitiria bloquear a abertura das portas ou que fossem parados remotamente, de acordo com os investigadores noruegueses, entre outras opções impeditivas do bom funcionamento dos transportes locais. Isto levou a que outros países investigassem se os seus veículos de transporte público também permitiam um controlo remoto a partir de um país estrangeiro e, para cúmulo, de confiabilidade questionável.

Depois da Noruega, pânico na Dinamarca devido aos autocarros sob controlo chinês

A agitação provocada pela descoberta norueguesa, relativa ao software dos autocarros, chamou a atenção para uma decisão anterior dos EUA, ainda do tempo do Presidente Biden e formalizada pelo Gabinete da Indústria e Segurança, integrado no Departamento de Comércio norte-americano. Por falta de confiança na China e na Rússia, os EUA criaram uma lei para proteger a indústria local que bane a comercialização de equipamentos que recorram a software ou hardware controlados por empresas chinesas ou russas, sobretudo em veículos que circulem no país. A Pirelli terá sido informada da decisão norte-americana em Abril, antecipando a entrada em vigor em 2027, com a desconfiança das autoridades a dever-se ao facto de a empresa estatal chinesa Sinochem Corporation deter 37% da Pirelli.

O problema não afecta todos os pneus da Pirelli, mas sim os chamados Cyber Tyres, que estão equipados com um novo tipo de sensor — o Advance Tyre Integrated Sensor — associado a um sistema que armazena informações e as envia para o construtor, recebendo igualmente pacotes de dados para actualizar ou alterar o seu funcionamento em tempo real e durante a utilização. O objectivo anunciado por estes novos sensores incorporados em cada um dos pneus é determinar a pressão a cada instante, carga, desgaste, temperatura e o tipo de utilização, informações que depois são processadas para tornar a condução mais segura. Ainda assim, tudo indica que as autoridades norte-americanas temem que a troca de dados possa ir mais longe do que anunciado, e daí a proibição de comercialização.

Os construtores que equipam os seus veículos destinados ao mercado norte-americano com os Cyber Tyres poderão solicitar uma autorização especial para continuar a montar estes pneus Pirelli, mas é pouco provável que tal venha a surtir efeito, sendo público que o CEO da Pirelli, Andrea Casaluci, admitiu ter tentado resolver (sem sucesso) o problema de governance da empresa com a Sinochem. Isto significa ficar fora do seu principal mercado, uma vez que os italianos vendem nos EUA 40% dos seus Cyber Tyres. Também o 3.º maior accionista da Pirelli (depois dos chineses com 37% e dos investidores institucionais italianos com 29,7%), o homem de negócios transalpino Marco Tronchetti Provera (com 22,8%) acusou a Sinochem de estar a prejudicar a empresa, afastando-a do seu maior mercado e impedindo-a de se expandir nos EUA.