Os Estados Unidos levantaram nesta sexta-feira as sanções financeiras impostas ao juiz brasileiro Alexandre de Moraes, que preside o caso contra o ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, aliado de Donald Trump.
A informação foi avançada num comunicado divulgado pelo Escritório de Controlo de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro norte-americano. No comunicado, lê-se que também foram removidas as sanções contra a mulher do juiz, a advogada Viviane Barci de Moraes, e contra o instituto que ela preside, o Lex Institute.
Os EUA sancionaram Moraes ao abrigo da Lei Global Magnitsky em julho, devido ao julgamento do ex-Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que acabou por ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de estado após perder as eleições presidenciais de 2022 contra o atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
O levantamento das sanções surge após uma melhoria das relações EUA-Brasil, iniciado após um encontro breve entre Lula da Silva e o Presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova Iorque. Em novembro, a Administração Trump retirou algumas das tarifas que tinha imposto a Brasília, depois de um pedido ao telefone de Lula.
A CNN Brasil, citando fontes na Presidência brasileira, contou que, no passado dia 2 de dezembro, Lula falou novamente ao telefone com Trump para pedir a retirada das sanções, sublinhando o “possível impacto nocivo que as sanções poderiam causar ao sistema financeiro brasileiro”. “Diante desse argumento, Trump terá respondido: ‘Vou cuidar disso e acho que vai dar certo'”, escreve a estação de televisão.
Filho de Bolsonaro lamenta retirada das sanções “com pesar”
O deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro, radicado nos Estados Unidos, lamentou a retirada pelos norte-americanos de sanções impostas a Alexandre de Moraes.
“Recebemos com pesar a notícia da mais recente decisão anunciada pelo Governo americano. Somos gratos pelo apoio que o Presidente Trump demonstrou ao longo dessa trajetória e pela atenção que dedicou à grave crise de liberdades que assola o Brasil”, escreveu nas redes sociais Eduardo Bolsonaro, que se encontra há vários meses nos Estados Unidos a fazer ‘lobby’ por sanções ao seu próprio país, numa forma de pressionar as autoridades no processo que levou o seu pai à prisão.
Na nota assinada também por Paulo Figueiredo, brasileiro com nacionalidade norte-americana e radicado no país que é neto de João Figueiredo, último Presidente da ditadura militar do Brasil, os dois lamentam que “a sociedade brasileira, diante da janela de oportunidade que teve em mãos, não tenha conseguido construir a unidade política necessária para enfrentar seus próprios problemas estruturais”.
PUBLIC STATEMENT
We received with regret the news of the most recent decision announced by the U.S. government. We are grateful for the support President Trump demonstrated throughout this process and for the attention he gave to the serious crisis of freedoms affecting Brazil.… pic.twitter.com/Yq5FpLGRK5
— Eduardo Bolsonaro???????? (@BolsonaroSP) December 12, 2025