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“Que não haja dúvidas: o nosso mundo é mais perigoso e mais disputado agora do que nas últimas décadas”. As palavras são da diretora dos serviços secretos britânicos, MI6. No primeiro discurso público desde que assumiu o cargo, na segunda-feira, Blaise Metreweli destacou os desafios dos próximos anos, chamando a atenção para os conflitos em curso, a par de uma revolução acelerada na tecnologia. “Estamos a operar num espaço entre a paz e a guerra”, sublinhou. Na sua intervenção Metreweli alertou para um perigo em particular: a Rússia.
“Os conflitos estão a evoluir e a confiança a deteriorar-se, ao mesmo tempo que as novas tecnologias estimulam tanto a competição quanto a dependência. Estamos a ser confrontados do mar ao espaço, do campo de batalha à sala de reuniões. E até mesmo nas nossas mentes, à medida que a desinformação manipula a nossa compreensão uns dos outros e de nós mesmos”, afirmou a diretora do MI6, segundo o discurso publicado na página do Governo britânico. Alertou que em todo o mundo se enfrenta “não um único perigo, mas uma teia interligada de desafios de segurança”, incluindo militares, tecnológicos, sociais e éticos.
A figura máxima do MI6 acredita que se está então a operar “entre a paz e a guerra”. “Este não é um estado temporário nem uma evolução gradual e inevitável. O nosso mundo está a ser ativamente remodelado, com profundas implicações para a segurança nacional e internacional”, sublinhou, reconhecendo que as instituições “concebidas nas cinzas da Segunda Guerra Mundial estão a ser desafiadas”. “Novos blocos e identidades estão a formar-se e estão a ser reformuladas alianças. A competição multipolar entra em tensão com a cooperação multilateral”, notou.
A diretora dos serviços secretos britânicos definiu um desafio de segurança em particular: “Vou quebrar com a tradição e não vos vou dar um tour das ameaças globais, mas vou focar-me aqui na Rússia de Putin”. Blaise Metreweli disse que o mundo continua a enfrentar “a ameaça de uma Rússia agressiva, expansionista e revisionista” que procura “subjugar a Ucrânia e hostilizar a NATO”.
Metreweli acusou o Presidente russo, Vladimir Putin, de “arrastar” as negociações, mas garantiu que o Reino Unido vai continuar a pressionar a Rússia para apoiar a Ucrânia. “É fundamental não só para a soberania e segurança europeia, mas também para a estabilidade global”, apontou.
A diretora do MI6 acrescentou que além da guerra “desgastante”, a Rússia está a testar o mundo “numa zona cinzenta com táticas que estão logo abaixo do limiar da guerra”. “É importante entender as suas tentativas de intimidar, incitar medo e manipular, porque isso afeta-nos a todos”, notou. Referiu-se concretamente aos ciberataques, às incursões de drones em território europeu e às atividades “agressivas” no mar, bem como às ações de sabotagem e às operações de propaganda.
“A exportação do caos é uma característica, não uma falha na abordagem russa das relações internacionais”, defendeu. Acrescentou que o Reino Unido deve estar preparado para enfrentar esta postura até que Vladimir Putin seja “forçado a mudar os seus cálculos”.
Num discurso também na segunda-feira, o Chefe do Estado-Maior da Defesa do Reino Unido afirmou que mais pessoas devem estar dispostas a lutar pelo seu país, alertando também para a ameaça russa. “Todos os dias o Reino Unido é alvo de uma onda de ciberataques provenientes da Rússia e sabemos que agentes russos estão tentando realizar ações de sabotagem e mataram pessoas no nosso território”, afirmou, citado pela BBC. “Filhos e filhas, colegas, veteranos, temos todos um papel a cumprir. Para construir, servir e, se necessário, lutar”, defendeu.
Richard Knighton destacou que o poder da Rússia está a crescer rapidamente e que o Reino Unido deve tornar-se um “alvo difícil” às ameaças híbridas e evitar a guerra.