A administração Trump suspendeu as licenças atribuídas a cinco dos maiores parques eólicos offshore (em mar profundo) que estavam em construção na costa leste dos Estados Unidos. A decisão do departamento de estado equivalente ao Ministério da Administração Interna é justificada com preocupações de segurança nacional.

Em causa estão, segundo um comunicado, as queixas apresentadas pelo Pentágono alegando que o movimento das pás gigantes (que podem alcançar até mais de cem metros), bem como as torres altamente refletoras que sustentam os aerogeradores, causam interferências nos sinais de radar que podem dificultar a identificação e localização de ameaças.

Em causa estão as licenças atribuídas aos parques Revolution Wind e Sunrise Wind — da Orsted, empresa dinamarquesa, Vineyard Wind I — projeto partilhado pela Conpenhagen Infrastructure Partens (CIP) e pela espanhola Iberdrola, Empire Wind I — detido pela norueguesa Equinor e CVOW Commercial — empreendimento promovido pela americana Dominion Energy.

Estes parques, a maioria dos quais tem como investidores elétricas europeias, localizam-se na costa atlântica dos Estados Unidos, desde Rhode Islands, Nova Iorque e Massachussets até à Virgínia. Para já, a suspensão não parece ter afetado o projeto SouthCoast Wind, no qual participa a EDP, através da Ocean Winds, mas que também poderá vir a estar sob ameaça devido à política anti-eólicas defendida pela atual administração.

Donald Trump fez campanha contra o eólico offshore, alegando que a tecnologia era muito cara e era lesiva para as baleias e para as aves. No verão tinha havido uma decisão contra o parque da Orsted ao largo de Rhode Island que foi revertida por um tribunal federal.

Apesar desta inversão na política energética americana, a EDP reafirmou a sua aposta nos Estados Unidos e no mercado das energias renováveis na última atualização do plano de negócios.

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As suspensões são anunciadas agora como temporárias para dar tempo às agências federais competentes de trabalharem com os investidores e os estados de forma a avaliar quais são as possibilidade de mitigação dos riscos para a segurança nacional, que segundo o secretário de Estado, Doug Burgum, são provocados por estes projetos.

Argumentos que não convencem as autoridades dos estados afetados que estão a analisar que opções têm perante a decisão federal.

Para a governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, “a administração Trump vai procurar todas as desculpas para continuar o assalto contra a energia limpa — e contra os milhares de empregos bem pagos que estes projetos trazem — mas não existe numa justificação credível para esta paragem.”

A associação que representa esta indústria também apelou ao governo americano para acelerar esta pausa, destacando que o Pentágono esteve envolvido na aprovação dos projetos agora suspensos durante a anterior administração.

O congelamento das licenças levou à queda das ações das empresas promotoras. Mas há também preocupações ao nível do abastecimento das necessidades futuras de eletricidade, nomeadamente no estado da Virgínia que é um dos principais destinos procurados pelos centros de dados .

“Estes eletrões irão alimentar os centros de dados que vão permitir ganhar a corrida pelo domínio da inteligência artificial, suportar os nossos combatentes e construir os navios nucleares necessários para manter a nossa supremacia marítima”, avisou em comunicado uma das elétricas, a Dominion.