Quando o universo começa a ser o culpado, o treinador deixa de ser o culpado. Se é certo que o Manchester United empatou com o lanterna vermelha Wolverhampton nos últimos dias do ano, também é certo que todos os comentadores lembraram que Ruben Amorim não tem oito potenciais titulares entre lesionados e convocados para a CAN. Ou seja, o treinador português continua a estar sob fogo como sempre esteve — mas agora tem uma espécie de colete anti-balas.

Até porque as limitações de opções eram evidentes. Às ausências já esperadas de Bryan Mbeumo, Amad Diallo e Mazraoui, que estão então na CAN, juntaram-se as lesões de De Ligt, Harry Maguire, Bruno Fernandes, Kobbie Mainoo e Mason Mount. Na antecâmara da visita ao Leeds este domingo, onde o Manchester United procurava regressar às vitórias no arranque de 2026, Ruben Amorim explicou que não esperava recuperar nenhum indisponível até ao jogo e não fez bluff, já que nenhum dos lesionados surgia na convocatória.

“O mercado não vai mudar nada. Não temos qualquer conversa neste momento para existir qualquer alteração no plantel. Há um processo, há uma ideia que vai continuar. Penso que estamos a jogar melhor. Quando temos o plantel completo estamos claramente a atacar melhor. Mas não temos sido suficientemente bons nos detalhes e deveríamos ter mais pontos neste momento”, atirou o treinador, numa falta de expectativas face ao mercado de janeiro que, de acordo com a imprensa inglesa, tem causado algum atrito com Jason Wilcox, o diretor para o futebol dos red devils.

Assim, em Elland Road, Amorim deixava Joshua Zirzkee no banco e apostava em Patrick Dorgu e Matheus Cunha no apoio mais direto a Benjamin Sesko, com Manuel Ugarte e Casemiro a formarem um pivô muito defensivo no meio-campo e Diogo Dalot e Luke Shaw a surgirem nos corredores. Do outro lado, num Leeds que vinha de seis jogos sem perder mas também de quatro empates nos mesmos seis jogos, Daniel Farke tinha Calvert-Lewin e Noah Okafor no ataque.

Numa primeira parte que terminou sem golos e onde reinou o equilíbrio, nenhuma das equipas conseguiu propriamente assumir a superioridade e ambas tiveram muitas dificuldades para criar verdadeiras oportunidades, com o jogo a manter-se sempre demasiado longe das balizas. Ainda assim, Matheus Cunha marcou ainda dentro dos dez minutos iniciais, com o lance a ser invalidado por fora de jogo de Sesko (7′), o Leeds ficou perto de abrir o marcador através de um cabeceamento de Calvert-Lewin que acertou no poste (35′) e Leny Yoro ainda forçou Lucas Perri a uma boa defesa na sequência de um canto (40′).

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o Leeds ficou perto de marcar logo nos instantes iniciais da segunda parte, com Gudmunsson a atirar de primeira na área para Senne Lammens defender (51′). O Manchester United respondeu em jogadas praticamente consecutivas, com Ugarte a rematar ao lado (52′) e Sesko a falhar também o alvo de cabeça (54′). À passagem da hora de jogo, porém, o golo apareceu mesmo.

Passe longo para o espaço, Ayden Heaven achou que tinha o lance controlado e permitiu a fuga de Brenden Aaronson, que acelerou e não falhou na cara de Lammens (62′). Ruben Amorim reagiu de imediato à desvantagem, lançou Joshua Zirkzee e o empate pouco ou nada demorou: o mesmo Zirkzee lançou Matheus Cunha nas costas da defesa contrária e o brasileiro atirou de primeira, já em esforço, para bater Lucas Perri (65′).

Lammens segurou a igualdade pouco depois, com uma grande intervenção a parar um remate acrobático de Noah Okafor (70′), Sesko teve uma enorme ocasião para marcar mas atirou ao lado (74′) e Daniel Farke colocou Lukas Nmecha, Tanaka e Wilfried Gnonto em campo. Matheus Cunha ainda acertou no poste nos últimos minutos (81′), mas já nada mudou até ao fim e o Manchester United empatou mesmo em casa do Leeds no arranque do novo ano, correndo o risco de ser ultrapassado pelo Sunderland e de ver fugir o Liverpool no quarto lugar.