As ruas não mostram o que as sondagens têm apontado — e os números internos da campanha também não. É isso que se garante repetidamente na campanha de Luís Marques Mendes, que este sábado decidiu subir a parada e assegurar aos jornalistas: “A minha convicção segura é que vou passar à segunda volta em primeiro lugar”.

No meio de muitos cumprimentos e muitos apertões, nas festas de São Gonçalinho, em Aveiro, a equipa decidiu evitar o percurso planeado, dadas as preocupações de segurança que gerava o mar de gente que se encontrava a participar no tradicional lançamento das doces cavacas do topo da capela de São Gonçalinho. E foi ali que Mendes disse não estar “nada preocupado” com as sondagens.

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“É uma campanha altamente mobilizadora. Já estive em Aveiro muitas vezes, é uma receção extraordinária”, assegurou, garantindo que quer mostrar uma campanha “em crescendo” na segunda semana. “Normalmente, sondagens em alta influenciam negativamente. Estar sempre em alta não é grande ideia, porque alimenta triunfalismo”, avisou.

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Marques Mendes eleva a fasquia: “Vou passar em 1º lugar”

Não era a primeira vez que passava a mensagem aos seus apoiantes. Em todos os almoços e jantares mais recentes, Mendes tem começado as intervenções por assegurar que não há sondagem que o desanime; “se achavam que nos desanimavam enganaram-se”, vai repetindo. Logo de manhã dizia aos jornalistas que se vão “enganar todos redondamente” se confiarem nas sondagens e acreditarem que não consegue fixar o eleitorado social democrata. Tem números ou é só por convicção? Pausa dramática. “Não é só convicção”, rematava.

Ao almoço, numa quinta de casamentos em Vila Verde, seria a vez de Paulo Rangel levar o apoio do Governo à campanha e desmentir as sondagens e os “zunzuns” que anda a ouvir sobre quem está à frente na corrida.

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“Olhando para os números que andam aí, esta semana foi apenas e só o aquecimento. O nosso sprinter Marques Mendes vai disparar e já no dia 18 vai chegar em primeiro à meta!”, atirou Rangel com entusiasmo. “É bom que se entretenham a contar as décimas”, ironizou, criticando a “voltinha em que andam cinco para cima e cinco para baixo”. E garantiu que Mendes não se distrai com essas “pequenas tertúlias”.

No mesmo discurso, o ministro frisava que Mendes tem o perfil certo: “Precisamos de um líder para dar estabilidade, confiança, previsibilidade e sensatez à função”, argumentou. Olhando para os adversários, sentenciou: “Fico inquieto e fico preocupado”.

O povo, defendeu, já percebeu que este não é o tempo “de Venturas”, mas também não pode ser “das aventuras”, incluindo as liberais, que podem pôr em causa a “estabilidade social”. “Escreveu agora uma carta bastante inoportuna”, acrescentou, em referência à carta enviada por Cotrim Figueiredo ao Governo. E prossegiu nas críticas: o país também não está para “aventuras militares”, porque é preciso experiência e maturidade, atirou, criticando pelo caminho Seguro pelos dez anos de “retiro esfíngico”. “Um voto em Seguro é igual a um voto em Gouveia e Melo. É um voto em branco. São dois votos em caixas que estiveram fechadas durante imenso tempo. Queremos saber com o que contamos”.

À tarde Mendes teve também um encontro com jovens, em Guimarães, em que o presidente da câmara, Ricardo Araújo, voltou à mesma tecla: “Os que andam aí a antecipar vitórias de outros vão ter uma grande desilusão. Acreditem, porque eu também acredito”.

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Mendes não quer ser candidato do Tik Tok

O encontro foi conduzido por Sebastião Bugalho, que falou aos jovens para avisar contra os cantos de sereia do “populismo” e dos que dizem que são “os melhores do mundo”: “A nossa geração quer uma mudança substancial, uma coisa concreta. Nós, jovens, somos muito melhores do que aqueles que se comportam como se fossem donos da nossa geração só porque querem mais um ou outro voto”.

Já Mendes admitiu que há alguns candidatos melhores a falar no Tik Tok; “mas os problemas dos jovens não se vão resolver no Tik Tok, mas com experiência a partir da Presidência da República”. E disse não querer competir nas redes sociais, mas dar mais poder e influência aos jovens, tendo mais intervenção e passando a estar no centro da agenda.

Às dezenas de jovens que o ouviam, Mendes quis garantir que como Presidente será “implacável” com ameaças à democracia e ao Estado de Direito, lembrando que estabeleceu que pediria garantias constitucionais antes de dar posse a um Governo do Chega. “Muito boa gente, mesmo à esquerda, não quis saudar esta matéria e comete um erro enorme, porque isto é defender a democracia. O PR não é um notário”. Com uma garantia, que negou ser uma farpa para Marcelo Rebelo de Sousa: quer ser “interventivo”, e isso “provavelmente” significará “falar menos do que atualmente mas atuar com maior consequência”.

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