Jorge Pinto tem tendência a repetir a ideia de que “a luta pela democracia” se faz em conjunto e que “ninguém fica para trás”. Talvez por isso este sábado tenha terminado o dia ao lado de Paulo Muacho e Patrícia Gonçalves, deputados eleitos pelo Livre. E também de Rui Tavares, que desafiou Seguro a dizer o que fará caso seja para avançar com uma revisão da Constituição.
A manhã do candidato a Belém apoiado pelo Livre começou com um encontro inusitado: Jorge Pinto cruzou-se com João Cotrim Figueiredo. Reconhece que o liberal tem “muitas ideias”, mas diz discordar de todas delas. Ainda assim, não havia motivos para não se cumprimentarem, garante. O breve encontro deu para trocar algumas bocas e Jorge Pinto foi, uma vez mais, questionado se “é para ir até ao fim”. Não hesitando, o candidato mais novo respondeu que sim e mais tarde apelou ao voto de todos: “a quem já votou no PAN, na esquerda e até aos que já votaram na direita.” É a primeira vez que Jorge Pinto se dirige aos eleitores do PAN, que nesta corrida a Belém não têm qualquer representante, sendo que o partido não apoia nenhum candidato.
Salvaguardando que o “voto verdadeiramente útil é o voto em quem queremos que seja o garante da democracia”, Jorge Pinto argumentou que se os eleitores quiserem “verdadeiramente recompensar quem faz política e campanha de forma séria e informada, a forma de recompensar e agradecer esse trabalho é votando” na sua candidatura.
“Há uma esquerda que não se rende”, garantiu, deixando depois uma resposta a António Filipe, que no dia anterior o acusou de ter “ideias giras”. “Não ouvi as declarações de António Filipe, mas se acha giras as propostas que tenho trazido para cima da mesa, eu agradeço o elogio! São giras porque são propostas que servem os portugueses… É sinal que António Filipe está a reconhecer o mérito da minha candidatura.”
Jorge Pinto e António Filipe têm tido alguns momentos de tensão nos últimos, com os dois candidatos de esquerda a trocar indiretas e insinuações. A relação entre ambos deteriorou-se após Jorge Pinto afirmar que não seria um entrave à vitória de António José Seguro e mostrando abertura a um acordo entre os candidatos da esquerda. Apesar de ter proposto aquilo que apelidou de “pacto republicano”, Jorge Pinto afirmou este sábado que não está “na política para andar a reboque de quem quer que seja ou a reboque da espuma dos dias”.
O candidato a Belém alertou ainda, no jantar-comício que fechou o dia, em Almada, para o caráter dos políticos que são escolhidos pelos portugueses. “Já é chegado o tempo de termos mais pessoas reais na política” e “menos personas, menos agências de comunicação que basicamente ditam palavra por palavra o que os outros candidatos vão dizer”, disse. Jorge Pinto disse ser necessário “quem pense pela sua cabeça”.
Seguro, “diz-nos como lutas”, desafiou Rui Tavares
Conforme o diretor de campanha de Jorge Pinto já tinha adiantado, nos próximos comícios, sempre que possível, o candidato será acompanhado por outras figuras do partido, algo que se espera que “traga força” e votos, disse à época. Este sábado, ao microfone, ouviu-se a voz dos deputados Patrícia Gonçalves, Paulo Muacho e Rui Tavares.
Os dois primeiros criticaram os restantes candidatos presidenciais por interpretarem estas eleições como um “prémio carreira”. A “esmagadora maioria dos candidatos interpreta” estas presidenciais “como um prémio carreira” depois de ter desempenhado diferentes funções na política, atirou Paulo Muacho. “Para muitos candidatos é um bocadinho como uma reforma dourada. Mas não deve ser assim”.
Já Rui Tavares, escolheu António José Seguro como alvo (à semelhança do que aconteceu no último dia em que marcou presença na campanha de Jorge Pinto). O candidato apoiado pelo PS “começou por não dizer se era de esquerda ou não”. “Depois lembrou-se de vir dizer que era. E depois, a seguir ao debate com o Jorge Pinto, finalmente percebeu que havia uma revisão constitucional em risco”, criticou.
E acrescentou que, ainda assim Seguro não disse ainda “o mais importante”. Por isso desafiou-o a isso mesmo: “Diz-nos o que é que fazes se quiserem mudar a Constituição. Diz-nos como lutas e como a fazes cumprir.”
Rui Tavares aterrou em Portugal e foi à campanha de Jorge Pinto tentar devolver alguma ordem