De visita à Feira de São Gonçalinho, em Aveiro, debaixo de chuva e de uma chuva de cavacas — há naquele local a tradição de se atirar cavacas do cimo da igreja —, André Ventura reconheceu que os adversários “gostariam de estar lá em cima” a atirar objetos contra ele, mas disse que não atirava qualquer cavaca porque “é de paz”.
À chegada a Aveiro, em declarações aos jornalistas, o candidato apoiado pelo Chega antecipou uma semana de campanha em que pretende “dar a voz a quem não tem voz” para que os portugueses olhem “ao espelho” e vejam “o país que não queremos ser”.
“Dizer a verdade, expor onde as pessoas sentem que não têm voz, dar voz aos que não têm voz. Foi sempre essa a estratégia e vai continuar a ser essa”, salientou Ventura, frisando que pretende “levar o país a um olhar para si próprio, a um olhar-se ao espelho, e ver o estado em que está a todos os níveis”.
Para o líder do Chega é preciso falar sobre o estado a da saúde, da “distribuição de lugares, de tachos e desperdício de dinheiro público, à ineficácia da luta contra a corrupção, às questões da imigração ilegal”. “Vou procurar que os últimos dias de campanha sejam de fazer o país olhar-se a si próprio no espelho, ver o estado degradante em que está”, atirou, referindo-se novamente à questão da doente oncológica que foi fotografada no chão de um hospital — informação desmentida pelo estabelecimento hospitalar.
Ouça aqui a reportagem da Rádio Observador em Aveiro
Ventura recusou ainda estar a “furar eleitorados de forma aritmética”, mais precisamente o da AD e explicou: “Trata-se das pessoas compreenderem, votem AD, PS, Iniciativa Liberal, e [mesmo que] não tenham votado no Chega, que há um candidato que quer responder às suas ansiedades e fala do país real.”
Desta forma, considerou ser o “único que não passa a tarde a dizer que António José Seguro é isto ou aquilo ou que Gouveia e Melo é isto ou aquilo ou que Marques Mendes é isto ou aquilo”. “Quero falar do país e é esse país que espero levar à segunda volta para ser discutido o estado em que está.”
DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR
De manhã, em frente à estátua de Sá Carneiro, em Viseu, André Ventura reiterou que o fundador do PSD é uma “enorme inspiração política, pessoal e política” e “vai continuar a ser”. “É um exemplo de homem que soube romper a tempo, soube tomar decisões mesmo difíceis perante o seu partido, perante o seu país, pôs Portugal primeiro, que é o que eu quero fazer”, assumiu.
Perante as acusações de José Luís Carneiro e António José Seguro, que dizem que “o fascismo vai voltar e o racismo vai se implantar na sociedade”, Ventura afirmou que é “só meter medo” e que “não é de agora”, lembrando declarações de Costa e Pedro Nuno e acusando o PS de ter “medo de um corte com o passado” e com a “corrupção, porque se habituaram a distribuir, verdadeiramente tachos entre si”.
Recusando-se repetidamente a responder a adversários ou a falar sobre a alegada moderação para ir buscar votos à AD, Ventura está certo de que o país quer é discutir a Saúde. “Um [Cotrim Figueiredo] diz que se eu for eleito quem ganha o Seguro, o Seguro diz que eu sou fascista e racista. O Rui Rio diz que eu sou populista. Francamente, podem dizer o que quiserem. Estão livres de o dizer, quando tenho que dizer, digo, mas acho que a campanha ganhar mais se nós discutimos coisas que importam às pessoas.”
Em reação à tracking poll que o coloca pela primeira vez em terceiro lugar, o líder do Chega considerou que “vai haver variações” ao longo da semana e desvalorizou, frisando que estão “todos em 1.º lugar porque estamos a falar de 5 décimas de diferença”.
“Não tenho adversários, eu já disse isto, eu quero lutar para ganhar e para vencer no dia 18, com a maior margem possível”, reitera. Questionado sobre a subida de Cotrim nas sondagens, Ventura recusou-se novamente a responder, dizendo que Seguro “há uns meses atrás estava em valores mais residuais” e um “candidato [Gouveia e Melo] estava com 40% e agora está atrás”.
Depois de várias insistências, Ventura disse que quer “fazer um corte com o passado” e reiterou que votar em João Cotrim Figueiredo é “votar no PS e no PSD”.
Ainda relativamente à Gronelândia, André Ventura não defendeu Donald Trump: “Já critiquei [Donald Trump] várias vezes, voltaria a criticar. Eu, ao contrário da esquerda, não tenho ditadores, nem tenho presidentes de preferência“, defendeu o líder do Chega.
E questionado sobre se ficou desiludido disse o seguinte: “Eu fico desiludido é quando o país não tem saúde para dar às pessoas. É isso que me desilude. De resto, acho que seja Donald Trump, seja o presidente da China, seja o presidente da Venezuela, seja o presidente da Coreia do Norte, do Sul, eu não quero mais ditaduras no mundo. Quero liberdade”.