Dezenas de sacos com cadáveres no meio da rua. É este cenário que se vê num vídeo com imagens dos subúrbios de Teerão revelado durante o fim de semana, durante os protestos contra o regime iraniano que já duram há mais de duas semanas.

O vídeo foi filmado, segundo a Agence France-Presse, em Kahrizak, a sul do Teerão e nas imagens surge o Centro de Diagnóstico Forense da Província de Teerão. À porta, estão várias pessoas a chorar — tratar-se-ão dos familiares das vítimas mortais.

À Agence France-Presse, organizações não governamentais (ONG) confirmaram que os corpos são de manifestantes contra o regime. O Iran Human Rights, com sede na Noruega, referiu que o vídeo mostra um “grande número de pessoas mortas durante os protestos em todo o Irão”.

A ONG Hengaw também denunciou um “crime severo” no Irão. Na morgue, há “dezenas de corpos dentro e fora da morgue de Kahrizak”.

Ainda não é clara a dimensão das vítimas mortais durante os protestos no Irão. O país está num apagão informativo desde a passada quinta-feira, o que impede que a divulgação de informações sobre o que se passa nas ruas do país.

Ainda assim, o jornal Le Monde conseguiu falar com um amigo de Amir, um jovem que foi morto durante os protestos contra o regime na madrugada de sexta-feira. De acordo com o relato feito ao jornal francês, as autoridades iranianas ligaram aos familiares para ir identificar o corpo à morgue de Kahrizak.

Os familiares pediram a um amigo de Amir que o fosse reconhecer à morgue. Ao Le Monde, numa mensagem enviada pela irmã que vive no estrangeiro, esse amigo relatou que viu “corpos empilhados como se fossem galinhas”. “Os corpos que não são identificados são postos em sacos pretos e são colocados no quintal de Kahrizak. Pode entrar-se e tirar fotos. Ninguém impede.”