Como tradicional nas campanhas ligadas à CDU, António Filipe escolheu o último dia de campanha para descer o Chiado, e fez-se acompanhar pelo secretário-geral comunista, Paulo Raimundo, Rodeado de várias centenas de pessoas, fez um último apelo ao voto direcionado aos indecisos que se identifiquem com “os valores de abril e da Constituição” e com “os direitos fundamentais”. O voto na sua candidatura, garantiu, “é um voto para que não fique tudo na mesma”.

“Precisamos de ter um Presidente da República que defenda um novo rumo para o país”, disse aos jornalistas a meio do trajeto. O candidato recusa traçar metas para domingo, e recusa a ideia de que a esquerda parta derrotada para a ida às urnas. Numa crítica que tem repetido contra as sondagens, alertou que “cada cidadão é dono do seu próprio voto” e que não se pode deixar “alienar” ou “condicionar” por estudos de opinião com base em “palpites”.

O candidato faz um balanço “claramente positivo” da sua campanha. Considera que as iniciativas realizadas tiveram “grande impacto, muita mobilização, muita participação, muita alegria e determinação”.

Quanto ao futuro, espera “tempos muito difíceis” no contexto político, em que os “diretos dos portugueses são claramente ameaçados” pelas políticas da direita, que “não estão de acordo com aquilo que são os princípios constitucionais”.
E os problemas não se ficam por Portugal: “O mundo está numa situação muito difícil, com ameaças de guerras, com guerras em vários pontos do mundo e é preciso um Presidente da República também, desse ponto de vista, que esteja alinhado com os valores da resolução pacífica dos conflitos”.

A ginjinha na Margem Sul, porque “há práticas do atual Presidente que são estimáveis”

“Um brinde ao 25 de abril,

Um brinde à Constituição,

Um brinde aos trabalhadores portugueses,

E um brinde a esta candidatura”

O último dia de campanha de António Filipe arrancou na Baixa da Banheira, numa arruada ao início da manhã. Pelo caminho, quis cumprir uma das tradições de Marcelo Rebelo de Sousa: a ginjinha. Uma boa maneira de acordar, disse o candidato, que avisou que não ia “repetir ao longo do dia”. “Depois não sei o que é vou dizer”, brincou.

António Filipe não brindou à vitória nem a nenhum resultado em concreto, porque “a galinha não canta antes de pôr o ovo”. Prometeu aguardar, “com confiança, naturalmente”, esperando “não sair daqui aos ziguezagues, porque eu não sou um candidato de ziguezagues”.

António Filipe lembrou que esta foi já a segunda ginjinha que bebe na campanha — a primeira tinha sido no Barreiro, local normalmente escolhido por Marcelo Rebelo de Sousa para cumprir a tradição de Natal. “Nem todas as práticas são más, há práticas do atual Presidente da República que são para manter”, afirmou. O candidato que por isso manter o “contacto direto com as pessoas”, mas avisa que a proximidade não se pode ficar pelo “afeto”. “Quero que seja uma proximidade ao conhecimento dos problemas, à compreensão dos problemas, à solidariedade para com a resolução dos problemas”, concluiu, antes de dar mais um golinho na ginjinha: “Isto tem de ser é devagarinho. Não pode ser à penálti”.

Em declarações aos jornalistas durante a arruada, António Filipe sublinhou que “no essencial”, não mudaria nada na campanha que fez ao longo das últimas semanas. “Procurei chegar onde eu acho que era fundamental: aos problemas das pessoas, junto das pessoas que trabalham, aos locais de trabalho”.

O candidato sublinhou ter ouvido o que as pessoas “têm a dizer”, para perceber as principais preocupações do eleitorado. “Fiz um grande esforço para que a discussão em todas as situações fosse aquilo que preocupa de facto os portugueses e não questões laterais que por vezes tendem um pouco a encher as agendas e o discurso entre os candidatos”, reforçou.

Questionado sobre se a campanha não foi demasiado fechada em si mesma, Filipe lembrou que no inverno “é muito arriscado haver muitas iniciativas ao ar livre” (e a forte chuvada que se seguiu, enquanto discursava aos apoiantes, acabou por lhe dar razão), mas lembrou que “houve de tudo”: contactos institucionais, contactos de rua, iniciativas com apoiantes, como almoços ou jantares.