Uma homenagem nacional às vítimas do acidente ferroviário que fez pelo menos 43 mortos em Adamuz, no sul de Espanha, vai realizar-se a 31 de janeiro em Huelva, na Andaluzia, indicaram esta quarta-feira fontes do gabinete do primeiro-ministro.
Na cerimónia, o chefe do executivo socialista, Pedro Sánchez, estará acompanhado do presidente da região da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, membro do Partido Popular (oposição de direita), acrescentou a mesma fonte.
Entretanto, a XXXVI Cimeira Luso-Espanhola, que estava agendada para 29 de janeiro em Huelva, foi adiada devido “aos trágicos acontecimentos”, indicou esta quarta-feira o gabinete do primeiro-ministro português.
A Guarda Civil espanhola afirmou esta quarta-feira que há ainda dois desaparecidos por encontrar em Adamuz, Córdova, depois do acidente de domingo entre dois comboios de alta velocidade.
“Foram contabilizados 43 corpos do acidente em Adamuz, e 45 pessoas foram dadas como desaparecidas, o que significa que ainda há duas pessoas desaparecidas que precisamos de encontrar“, declarou o major-general responsável pela 4ª Zona da Guarda Civil (Andaluzia), Luis Ortega.
Em declarações à imprensa em Adamuz, depois de acompanhar a segunda vice-primeira-ministra espanhola, Yolanda Díaz, numa visita ao local do acidente, Ortega indicou que a chuva está a tornar as operações de busca e resgate “mais complicadas” e que estas se centram no comboio Alvia.
“As duas primeiras carruagens foram totalmente destruídas e ficaram presas numa pequena vala com cerca de quatro ou cinco metros de profundidade, e tivemos de trazer maquinaria muito pesada, primeiro para cortar partes das carruagens e depois para retirar pouco a pouco os restos desses vagões com o cuidado necessário”, explicou.
Segundo o responsável da Guarda Civil, ainda “há bastante trabalho a fazer”, porque o comboio Alvia “ainda está só parcialmente desmontado”.
O Sindicato Espanhol de Maquinistas Ferroviários (Semaf) anunciou esta quarta-feira à tarde que se realizará nos dias 09, 10 e 11 de fevereiro a greve setorial que esta manhã convocou para exigir medidas de garantia da segurança ferroviária, após os acidentes de Adamuz, no domingo, e de Gelida (Barcelona), na terça-feira, que vitimaram “três maquinistas”, além de muitos passageiros.
De acordo com dados oficiais, foram atendidas em hospitais 122 pessoas feridas no acidente de Adamuz e 37 continuam internadas.
Estão ainda a ser investigadas as causas do acidente ocorrido no domingo, por volta das 19:45 locais (18:45 em Lisboa) na localidade de Adamuz, na província de Córdova, no sul de Espanha, envolvendo dois comboios de alta velocidade.
Vítima mortal do descarrilamento de Córdoba tinha escapado a outro acidente ferroviário em 2013
Um comboio da empresa privada Iryo, procedente de Málaga e com destino a Madrid, descarrilou, e as três últimas carruagens invadiram a via contrária, por onde passou, 20 segundos depois, outro comboio de alta velocidade, um Alvia, da empresa pública Renfe, que fazia a ligação Madrid-Huelva.
As duas primeiras carruagens do Alvia foram projetadas para fora dos carris depois do choque com os vagões do Iryo descarrilados.
Este é considerado o acidente mais grave de sempre na rede de alta velocidade de Espanha que, com cerca de 4.000 quilómetros, é a segunda maior do mundo, a seguir à da China.
É também o mais grave acidente ferroviário em Espanha desde 2013, quando o descarrilamento de um comboio rápido Alvia a 24 de julho, em Angrois, perto de Santiago de Compostela, se saldou em 80 mortos e 144 feridos.