Uma troca de turno em 2013 permitiu a Agustín Fadón escapar ao acidente ferroviário que, em 2013, matou 79 pessoas em Santiago Compostela. Treze anos depois, o funcionário da empresa ferroviária espanhola Renfe é uma das vítimas mortais confirmadas do descarrilamento em Córdoba que provocou pelo menos 43 mortos e cerca de 150 feridos.
Poucos minutos antes da colisão fatal, Agustín que trabalhava na cafetaria num dos comboios que descarrilaram este domingo, disse a um colega que ia à casa de banho na carruagem número 2. Não houve mais notícias do funcionário da Renfe até à confirmação da sua morte esta quarta-feira, avançada pelo jornal El Mundo.
A família e os amigos do funcionário passaram as últimas setenta e duas horas a pedir ajuda nas redes sociais para que qualquer pessoa com informações contactasse as autoridades espanholas. A irmã, María del Mar, disse à imprensa antes da confirmação da morte de Agustín que desejava “que a memória do [seu] irmão e de todas as pessoas que estavam naquele comboio não fosse esquecida”.
“Estamos devastados e desorientados”, confessou ainda na terça-feira o cunhado, Javier Pacios, de acordo com o El País. Acrescentou ainda que a família precisava de uma resposta rápida para “ter um pouco de paz de espírito”. Minutos depois, a sua irmã contou que Agustín se costumava queixar sobre as más condições dos carris e que repetia muitas vezes: “É um milagre ainda não termos descarrilado”.
Agustín Fadón tinha 39 anos e estudou para ser comissário de bordo antes de arranjar emprego na Serveo, a empresa de restauração contratada pela Renfe. Natural de Leganés, cidade localizada perto de Madrid, o funcionário tinha acabado de regressar ao trabalho após uma longa licença e, segundo o que Iván Ramos, colega e amigo próximo de Agustín, contou ao El Mundo, “estava a reconstituir a sua vida”.
Há quase 13 anos, Agustín sobreviveu àquele que foi um dos piores acidentes ferroviários em Espanha deste século. O acidente ocorreu numa curva em Angrois, perto de Santiago de Compostela. Na altura, já trabalhava como funcionário da Renfe, mas nesse dia alterou o seu turno com um colega que acabou por morrer. Desta vez, era o seu amigo Iván quem não estava no comboio, pois estava de folga no domingo, dia do acidente, segundo um relato do próprio.
Agustín Fedón estava separado e tinha dois filhos, que vivem em Córdoba. Por isso, costumava utilizar os seus fins de semana livres para os visitar.