É “demasiado tarde” para voltar atrás. As obras de construção do novo salão de baile da Casa Branca deverão mesmo avançar, se for cumprida a vontade do presidente dos Estados Unidos da América. Num post publicado este domingo na sua rede social, a Truth Social, Donald Trump desafia o National Trust for Historic Preservation, uma organização de preservação histórica, que em dezembro apresentou um processo para travar a obra. “Parar a construção, numa fase tão tardia, quando já foi tanta coisa encomendada e feita, seria devastador para a Casa Branca, o nosso país e todos os envolvidos”, defende Trump.
Numa longa nota, Donald Trump começa por destacar que o salão de baile, cujos trabalhos arrancaram em outubro do ano passado com a demolição da ala este da Casa Branca, “é um presente para os Estados Unidos”, que está a ser construído “sem financiamento dos contribuintes”. “Além de tudo o que estou a fazer, ainda estou a construir um dos maiores e mais belos salões de baile do mundo, com mais de 300 milhões de dólares dos grandes patriotas americanos”, diz Trump. Entre os financiadores do projeto estão empresas como a Amazon e a Apple. No mesmo post, Trump acrescenta que o custo da obra pode chegar aos 400 milhões de dólares, “dependendo da qualidade dos acabamentos interiores”.
Para o projeto ir para a frente, o presidente dos EUA diz que tem estado “a trabalhar em estreita colaboração, desde o início, com as Forças Armadas e os Serviços Secretos dos Estados Unidos”.
O salão de baile, defende, é um “espaço desesperadamente necessário, desejado há mais de 150 anos por presidentes e administrações anteriores, para que a Casa Branca não volte a ser obrigada a usar uma ‘tenda’ barata e insegura para grandes e importantes eventos de Estado, jantares, reuniões, conferências e futuras tomadas de posse já agendadas (por motivos de segurança e capacidade!), no relvado da Casa Branca, que é muito húmido e está sujeito às intempéries”.
Para o presidente dos EUA, as doações para o projeto deveriam ser consideradas “uma coisa maravilhosa”. “Mas não, como sempre, fui processado, desta vez pela esquerda radical da National Trust for Historic Preservation, um grupo que não se importa minimamente com o nosso país!”, acusa.
A associação de preservação do património alega que os trabalhos em curso são ilegais e violam a Constituição e que, por isso, a construção deve ser suspensa enquanto o tema é analisado. “Nenhum Presidente tem permissão legal para destruir partes da Casa Branca sem qualquer análise”, lê-se na queixa.
Trump detalha que todo o material do salão de baile, como o “aço estrutural, janelas, portas, equipamento de ar condicionado/aquecimento, mármore, pedra, betão pré-fabricado, janelas e vidros à prova de bala, telhado anti-drones e muito mais” já foi encomendado ou está pronto para ser. E por isso “não há maneira prática ou razoável de voltar atrás. É TARDE DEMAIS! Por que é que esses obstrucionistas e causadores de problemas não entraram com o seu processo sem fundamento muito antes?”, questiona.
O presidente dos EUA questiona o financiamento da organização de preservação do património e defende que “não devia poder travar este acrescento tão necessário à nossa GRANDE Casa Branca, onde nunca nenhum presidente precisou de permissão para alterar ou melhorar”.
Trump argumenta ainda que o Congresso “nunca tentou nem quis” travar o salão de baile. E que “a pequena ala este” que foi destruída estava “tão ‘desfigurada’ e alterada”, por ter sido “construída e reconstruída ao longo dos anos, que não tinha qualquer semelhança ou relação com o edifício original”.
E acrescenta que a obra do salão de baile está a ser feita com o “consentimento e aprovação dos mais altos escalões das Forças Armadas e dos Serviços Secretos dos Estados Unidos. Infelizmente, o simples facto de esta ação judicial ridícula ter sido apresentada já expôs este facto até agora ultrassecreto”, acusa Trump.