O ex-presidente do BPI Artur Santos Silva reagiu com “grande surpresa” à morte de Pedro Ferraz Reis, o banqueiro português que foi encontrado morto em Moçambique na passada segunda-feira. Santos Silva, que conhecia Ferraz Reis “há décadas”, afirmou em declarações à RTP Notícias que, “pelos sinais”, não acredita na causa de morte avançada pelas autoridades moçambicanas.

“De maneira nenhuma me passaria pela cabeça que uma coisa destas pudesse ter acontecido por iniciativa dele”, referiu o antigo responsável pelo banco em que trabalhava Pedro Ferraz Reis. “Pelos sinais, de forma alguma posso acreditar na hipótese de suicídio, com a serenidade que tinha, pelo otimismo, pelo amor a Moçambique, e pelas filhas e mulher que estavam muito bem lá”, continuou.

Pedro Ferraz Reis, de acordo com Artur Santos Silva, “era um homem forte, com coragem, sereno, sábio” e o suicídio “não encaixa na personalidade, a não ser por uma situação de suicídio provocado, não pelo próprio, mas por terceiros”. Confirmou, também, que o banqueiro português tinha aceitado a recondução por mais um mandato na gestão do BCI, o banco que é detido pela Caixa Geral de Depósitos e pelo BPI.

Não acreditando na tese do Serviço Nacional de Investigação Criminal de Moçambique, o ex-presidente do BPI acrescentou que, se se confirmar “aquilo que parece mais evidente”, insinuando que Ferraz Reis terá sido vítima de uma “morte provocada por terceiros”, ficará “realmente indignado”. “Como é que isto foi possível e desta maneira bárbara?”, questionou.