Às escondidas dos Estados Unidos, o Vaticano terá tentado negociar o exílio de Nicolás Maduro para Moscovo, antes de as tropas de Donald Trump terem entrado em Caracas para deter o então Presidente da Venezuela. De acordo com o jornal El Español, o principal impulsionador destas conversas foi o cardeal Pietro Parolin, o chefe da diplomacia da Santa Sé, que durante quatro anos serviu como núncio apostólico na Venezuela. Maduro terá recusado a proposta por não querer perder o acesso a quase cinco mil milhões de dólares em ativos financeiros.

O Vaticano chegou a acordo com o Kremlin após negociações entre o núncio Giovanni d’Aniello, o diplomata da Igreja Católica em Moscovo, e o patriarca Kirill, o responsável pela Igreja Ortodoxa que é muito próximo de Vladimir Putin. Estas reuniões entre diplomatas religiosos terão sido autorizadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, que pediu a participação de Gennady Askaldovich, um representante especial do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros para a cooperação religiosa.

Com o hipotético anfitrião de acordo com os termos propostos pelo Vaticano, só faltava convencer o homem que seria exilado. Terão havido duas chamadas telefónicas entre Pietro Parolin e Nicolás Maduro, onde o número dois do Vaticano terá tentado convencer o então Presidente da Venezuela a aceitar o exílio político em Moscovo, já com a autorização de Vladimir Putin. Nestas duas conversas, a resposta de Maduro foi sempre negativa, referindo que se fosse viver para a Rússia, o acesso aos milhares de milhões de ativos financeiros em seu nome espalhados um pouco por todo o mundo seria dificultado, devido às sanções impostas à Rússia desde o início da guerra na Ucrânia.

O jornal El Español estima que o Chefe de Estado venezuelano tem cerca de 3,2 mil milhões de euros em propriedades em 20 países diferentes, bem como quase 1,2 mil milhões em dinheiro e barras de ouro em bancos suíços. Estes fundos ficariam bloqueados se Maduro fosse para o exílio em Moscovo e, por esse motivo, o Presidente decidiu manter-se na Venezuela.

Estas negociações foram intencionalmente escondidas dos Estados Unidos da América, continua o diário espanhol. Pietro Parolin não terá incluído o núncio apostólico de Washington nestas conversas por ter medo de ser descoberto pelas secretas norte-americanas. O cardeal Christophe Pierre, o diplomata a representar o Vaticano nos EUA, não terá relações “muito diplomáticas” com Donald Trump, mas será próximo do Secretário de Estado, Marco Rubio, e do embaixador norte-americano no Vaticano, Brian Burch.

O jornal afirma ainda que houve, na terceira semana de dezembro, uma reunião entre Parolin e Burch, onde a temática da Venezuela terá sido levantada. O representante diplomático da administração Trump terá exigido a “não intervenção” do Vaticano no conflito entre Washington e Caracas — mesmo que a operação que levou à detenção de Maduro já estivesse decidida para o início de janeiro.

Com estas novas informações, a fonte do Vaticano citada pelo El Español afirma que se levantou uma guerra interna na Cúria, com os cardeais da ala mais conservadora a exigir a demissão de Parolin do cargo de chefe da diplomacia do Santa Sé, bem como uma “purga” daqueles mais próximos do Papa Francisco.