Não vão ser semanas, mas também não vão ser horas. O presidente da E-Redes não arrisca uma data, nem sequer indicativa, mas prometeu que a reenergização da rede “está para breve”. O processo vai começar pelas subestações e pela rede da alta tensão.

“A partir do momento em que a alta tensão ficar disponível acredito que comecemos a ter energia muito em breve”, afirmou José Ferrari Careto à RTP — as que fez durante esta crise — mas avisou que depois “a causa (da recuperação) do serviço vai ser longa. Ter 100% da energia reposta vai demorar muito tempo”.

Entre os meios que estão a ser mobilizados há cerca de 80 geradores instalados com 200 disponíveis e há também uma central móvel que acabou de ser instalada. É uma espécie de super-gerador, funciona a gasóleo, mas com muito mais potência. Esta central móvel, que foi transportada num camião TIR, permite substituir uma das subestações que não está operacional, permitindo injetar energia na rede de baixa tensão. É a baixa tensão que serve os clientes finais, famílias e empresas. Mas para isso é preciso primeiro fazer ressuscitar a rede de alta tensão. É nesta prioridade que estão focados todos os esforços.

A rede elétrica, explicou o presidente da E-Redes à RTP, funciona em forma de cascata e começa por ser alimentada ao nível da muito alta tensão — a rede de transporte gerida pela REN (Redes Energéticas Nacionais) também foi muito afetada, mas a recuperação foi mais rápida — seguindo depois para a alta tensão e depois média e baixa tensão.

Kristin deitou abaixo 61 postos e 774 km de rede de muito alta tensão, mas é a rede de distribuição que deixa 450 mil sem luz

Em Leiria há seis subestações fora de serviço, precisamente porque houve linhas de alta tensão que ficaram interrompidas, essencialmente devido à queda de árvores sobre as linhas, mas também pela queda de postes, o que suspendeu o fornecimento de energia a essas subestações. “A nossa prioridade é repor as linhas de alta tensão e repor as subestações para depois conseguirmos energizar as linhas de média tensão e chegar à baixa tensão”, indicou Ferrari Careto.

Paralelamente, e em articulação com as autoridades, a E-Redes está a concentrar geradores na região para  fornecer energia a pontos específicos antes das linhas estarem energizadas. A prioridade vai para os serviços essenciais, como hospitais, telecomunicações e sistemas de abastecimento de água que estão a falhar.

De acordo com a última estimativa comunicada pela E-Redes existiam 291 mil clientes em eletricidade dos quais 217 mil na zona de Leiria. Apesar de existirem roturas no abastecimento em outros distritos, com particular expressão em Santarém, Coimbra, Portalegre e Castelo Branco, a E-Redes está a concentrar mais esforços na região de Leiria, para onde foram mobilizadas equipas de outras partes do país.

Como funciona a central de produção “portátil”

A E-Redes deslocou para Leiria uma central móvel para produção de energia. É como se fosse um gerador XXL, mas que atua num momento a jusante da chegada de eletricidade aos clientes finais, servidos pela baixa tensão. Esta unidade de produção móvel atua ao nível da média tensão.

Se a alta tensão estiver operacional, a energia é injetada nessa unidade portátil e a partir dela injetada, novamente, na baixa tensão para servir particulares e empresas.

Como é que funciona esta unidade? Alimentada com gasóleo (como os geradores), esta unidade tem capacidade de produzir muito mais energia que os geradores e injeta energia na média tensão à saída do posto de transformação. Para esta unidade funcionar, a alta tensão tem de estar operacional, já que é esta que a alimenta — na prática a unidade permite substituir uma subestação de média tensão. E com isso permite energizar a baixa tensão que estiver operacional.

Além desta unidade de produção, a E-Redes tem já instalados pouco mais de 80 geradores, tendo 200 disponíveis, alguns dos quais tiveram de chegar de fora.

Porque está a ser tão difícil o restabelecimento do serviço

Ao contrário do que aconteceu no apagão do ano passado, existem danos físicos graves na infraestrutura — árvores que caíram para cima de linhas de altas tensão e de média tensão e queda de postes. O presidente da E-Redes admite que tem sido difícil identificar esses danos e sobretudo ter acesso às estruturas danificadas para as reparar porque são linhas muito longas e postes muito altos que atravessam espaços rurais.

A empresa aponta como fator de atraso as condições meteorológicas que permanecem adversas, o que motiva o aparecimento de avarias em outras zonas do país, dispersando meios, mas também condiciona o uso de drones e de helicópteros para uma melhor e mais precisa identificação da extensão total dos danos, o que só será possível quando as condições meteorológicas o permitam.

As equipas da E-Redes já identificaram 450 postes de alta e média tensão partidos ou danificados, assim como 24 subestações, estando nesta altura oito por ligar.

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Atualizado com balanço da E-Redes da manhã de sexta-feira.