O Presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva esta quinta-feira para “abrir um processo” para impor “tarifas a bens de países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba”, apertando o bloqueio que o país já impõe a Havana.

O objetivo, lê-se no site da Casa Branca, é “proteger a segurança nacional e política externa dos EUA das ações e políticas malignas do regime”. O documento também dá poderes ao secretário de Estado, Marco Rubio, e ao secretário do Comércio, Scott Bessent, para “tomar todas as ações necessárias” para implementar o sistema de tarifas.

A nota que acompanha a ordem executiva contém várias acusações ao governo liderado pelo Partido Comunista de Cuba, que responsabiliza “pelo apoio […] ao terrorismo e à instabilidade regional que colocam em risco a segurança e a política externa dos Estados Unidos”.

A Casa Branca acusa ainda Havana de se alinhar com vários países hostis e atores malignos, sendo um “porto seguro” para grupos como Hezbollah e o Hamas e acolhendo as suas capacidades militares e de inteligência, como é o caso da Rússia. “Cuba acolhe a maior instalação de inteligência de sinais da Rússia no estrangeiro, focada em roubar informações confidenciais de segurança nacional dos Estados Unidos”, acusam.

Para além disso, lê-se, “o regime persegue e tortura opositores políticos, nega a liberdade de expressão e de imprensa, lucra de forma corrupta com a miséria do povo cubano e incita o caos, espalhando a ideologia comunista por toda a região”.

Tudo isto torna o país insular, para a Administração Trump, uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos EUA, exigindo uma resposta imediata para proteger os cidadãos e os interesses americanos”.

A pressão da Casa Branca sobre Cuba aumentou pouco tempo após ter atacado a Venezuela e capturado Nicolás Maduro, mantendo uma versão do regime mais amigável aos interesses norte-americanos, especialmente face ao petróleo do país. Caracas era um dos principais fornecedores de petróleo ao país insular das Caraíbas até à queda de Maduro, tendo os EUA proibido o envio de crude venezuelano a Havana.

“Não haverá mais petróleo ou dinheiro para Cuba — zero!”, escreveu Trump numa publicação na rede Truth Social, onde pressionou Cuba “a aceitar um acordo, antes que seja tarde demais”. 

Uma das pessoas que vai agora definir o esquema das tarifas a Cuba é alguém que Trump já disse que “não se opunha” que governasse a ilha. Marco Rubio, descendente de cubanos radicados nos EUA, é uma das vozes mais críticas ao regime dentro da Casa Branca, tendo afirmado no Senado que “adorava” ver uma mudança de regime em Cuba.

O México era dos poucos países que ainda abastecia a ilha deste recurso. A Presidente, Claudia Sheinbaum, tinha dito que manter ou não os contratos de fornecimento com o governo cubano era uma “decisão soberana” da petrolífera estatal Pemex.

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Até agora, Cuba tem-se mantido desafiante, com Diaz-Canel a defender que “não há possibilidade de rendição ou capitulação” face aos EUA. Porém, resta perceber por mais quanto tempo é conseguirá.

À CNN internacional, o analista energético Jorge Piñon augura um “colapso económico iminente” quando os EUA fecharem a torneira, “Não há petróleo, não há economia. Um furacão está a caminho“, acrescentou.

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