Não é só em Portugal que o estado do tempo está a afetar a realização de eleições. O Japão também vai a votos este domingo numa altura em que as previsões meteorológicas apontam para queda de neve e frio intenso em várias partes do país. E o dia pior, segundo a agência Nikkei, deverá mesmo ser o das eleições.

O sufrágio servirá para eleger a câmara baixa do parlamento japonês, dissolvida a pedido da primeira-ministra demissionária, Sanae Takaichi, no passado dia 19 de janeiro. Na altura, as previsões para a altura das eleições já indicavam que o tempo ia ser frio, tendo a governante pedido desculpa aos habitantes das zonas com mais neve e apelado logo para que os eleitores votassem antecipadamente, de acordo com o The Japan Times.

Para este fim de semana, as previsões não melhoraram, antes pelo contrário. Segundo o jornal japonês em língua inglesa, o país vai enfrentar “a massa de ar mais fria da época”, com queda de neve intensa em várias regiões, afetando estradas e a circulação ferroviária — importantes para a deslocação das pessoas para os locais de voto.

Também se anteveem dificuldades para o processo eleitoral a seguir ao fecho das urnas de voto. O JapanTimes adiantou, no mês passado, que o transporte das urnas para os locais de contagem pode ser “muito atrasado” na ilha de Hokkaido, especialmente em zonas rurais, caso as estradas sejam fechadas por um nevão.

Toda o período em que decorreu a campanha — que durou pouco mais de duas semanas — foi afetado pelas más condições atmosféricas, que se manifestaram em níveis recorde de neve e temperaturas que chegaram aos 23 graus negativos nos distritos do norte, segundo o jornal The Independent. Desde o dia 20 de janeiro, 35 pessoas morreram pelos efeitos do mau tempo, segundo os últimos números do Ministério da Administração Interna do Japão, citados pelo Japan Times.

Na cidade nortenha de Aomori, noticiou o The Independent, a queda de neve acumulada atingiu o nível mais alto desde 1986, com 183 centímetros de neve. Entretanto, lê-se, o nível reduziu para 175 centímetros na terça-feira, que ainda assim é “mais do dobro da média sazonal”.

“Há crises iminentes de risco de vida, como acidentes fatais causados pela queda de neve de telhados e colapsos de casas” disse o governador regional de Aomori, Soichiro Miyashita, numa conferência de imprensa. Nessa cidade, as forças armadas ajudaram aos trabalhos de limpeza da neve.

Nestas regiões com mais neve, os preparativos para as eleições foram afetados pelas condições vividas, tal como a própria campanha eleitoral. Nos municípios de Fukui e Aomori, como indicou o jornal britânico, houve cartazes de candidatos a ficar soterrados na neve. Em Aomori, o número de cartazes colocados nos quadros definidos para o efeito desceu de 621 nas eleições do ano passado para 97, noticiou o The Guardian,

Apesar das várias dificuldades, segundo a Jiji Press, a chefe do governo em funções ordenou aos seus ministros para se prepararem para enfrentar a situação no domingo, sem adiar o sufrágio. “Permaneçam vigilantes e tomem todas as medidas necessárias para realizar a eleição“, afirmou Takaichi, apelando aos votantes para que participem com cuidado enquanto vigiam as condições do tempo.

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