No passado domingo, durante a sua performance no intervalo do Super Bowl, Bad Bunny usou os 13 minutos da apresentação para passar uma mensagem política através de símbolos. Entre frases como “Juntos, somos a América” ou “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”, e as bandeiras de todos os países que compõem o continente americano, o artista usou uma em particular, para mostrar a sua posição acerca do arquipélago de Porto Rico, que é um território norte-americano.

É que Bad Bunny usou uma bandeira com um azul mais claro, que remete ao movimento revolucionário da população porto-riquenha pela independência, e é inspirada pelas manifestações cubanas. A bandeira chegou a ser “proibida” em 1948, quando a Assembleia Legislativa de Porto Rico aprovou regras para tentar suprimir o movimento independentista na ilha e criminalizou a exibição dos seus símbolos, no que ficou conhecida como a Lei da Mordaça. A lei, entretanto, foi revogada em 1952.

“Em 1995, o Governo de Porto Rico mudou a cor da bandeira de volta para o azul celeste”, disse o professor de geografia na Universidade de West Chester, na Pennsylvania, à ABC News. “Com o tempo, os diferentes tons de azul passaram a ser associados a ideologias políticas: os apoiantes da independência tendem a preferir a versão azul mais clara (como a usada por Bad Bunny), enquanto que os que defendem a anexação aos Estados Unidos geralmente preferem o azul mais escuro.” Atualmente a cor especificada pelo site do Governo porto-riquenho é o #0066FF, que representa um azul médio.

Bad Bunny faz referência às bandeiras de Porto Rico na canção “La Mudanza”. “Aqui mataram gente por mostrar a bandeira / Por isso eu a levo para todo lugar que eu quiser”, canta, mostrando assim o seu apoio ao movimento pela independência do arquipélago. Porto Rico é um território norte-americano há mais de 100 anos, desde 1917, o que significa que os porto-riquenhos também são cidadãos norte-americanos. Contudo, só podem votar nas eleições primárias, que decidem os candidatos que vão à corrida presidencial. Porto-riquenhos só têm o direito de votar em eleições presidenciais se viverem num dos 50 Estados dos EUA.

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