Oito anos depois, a mudança de paradigma num plano institucional não poderia ser mais radical – sendo que a parte desportiva não deve ser dissociada dessa viragem. No sufrágio de 2018, o Sporting teve um número recorde de seis candidatos à presidência numa fase em que o clube atravessava uma das maiores crises quase identitárias da sua história, na sequência da invasão da Academia em Alcochete e da destituição sufragada em Assembleia Geral do então presidente Bruno de Carvalho. Aí, Jorge Nuno Pinto da Costa caminhava para as quatro décadas na liderança do FC Porto que conseguira voltar aos sucessos desportivos com a chegada de Sérgio Conceição e Luís Filipe Vieira comandava o Benfica há 15 anos na segunda década com mais troféus do clube no futebol. Agora, em menos de uma década, a realidade mudou e de uma forma abrupta.

No caso do FC Porto, e depois das primeiras eleições com mais do que dois candidatos em 2020 quando Pinto da Costa venceu José Fernando Rio e Nuno Lobo com 68,65% dos votos (o resultado mais baixo desde que assumira a liderança em 1982), houve uma viragem de rumo no sufrágio de 2024, com André Villas-Boas a “esmagar” a concorrência do então líder e de Nuno Lobo com uma vitória de 80%. Da parte do Benfica, e na sequência do ato eleitoral de 2020 com Luís Filipe Vieira a vencer João Noronha Lopes e Rui Gomes da Silva com 62,5% dos votos (triunfo mais apertado desde que ganhou as eleições de 2003), Rui Costa derrotou a lista de Francisco Benítez em 2021 após a queda de Vieira com 84,5% mas houve um número recorde de listas no ato eleitoral de 2025, com Rui Costa a renovar o mandato frente a Noronha na segunda volta depois de uma primeira volta que teve também Vieira, João Diogo Manteigas, Martim Mayer e Cristóvão Carvalho.

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Onde havia lideranças longas começaram a existir eleições com cada vez mais candidatos. Ao invés, e em Alvalade, a liderança mais curta no plano temporal teve o condão de reduzir o número de listas que se foram apresentando – com essa curiosidade de, em 2018, Frederico Varandas ter ganho com mais votos mas menos votantes do que João Benedito, o segundo candidato com mais percentagem à frente de José Maria Ricciardi, Dias Ferreira, Fernando Tavares Pereira e Rui Jorge Rêgo. Foi assim em 2022, quando Varandas ganhou por larga maioria de 85,8% frente a Nuno Sousa e Ricardo Oliveira, será assim também nestas eleições.

A cerca de 48 horas da data limite para entrega de listas nos serviços do clube, tudo aponta para que as eleições do próximo dia 14 de março tenham apenas dois candidatos: Frederico Varandas, que concorre a um terceiro mandato na liderança do clube, e Bruno Coelho, mais conhecido como Bruno Sá, empresário de 45 anos que é proprietário do restaurante “Cantinho do Sá” perto do Pavilhão João Rocha. De acordo com as informações recolhidas pelo Observador, ambos deverão ter tudo preparado para entregar as listas na próxima quinta-feira, incluindo o número mínimo de assinaturas para uma candidatura ser aceite pela Mesa da Assembleia Geral, que verifica em conjunto com os serviços do clube todos os requisitos necessários.

Da parte de Frederico Varandas, o elenco que irá a sufrágio deverá ser muito semelhante ao atual, com a principal mudança a surgir na liderança da Mesa da Assembleia Geral: depois de Rogério Alves no mandato de 2018 a 2022 e de João Palma entre 2022 e 2026, Pedro Almeida Cabral, atual número 2 da Mesa, vai passar de vice para presidente do órgão, numa troca que já estava definida há algum tempo. Em tudo o resto, a Direção deverá integrar praticamente os mesmos elementos e o Conselho Fiscal e Disciplinar continuará a ter João Teives Henriques como número 1 do órgão, que subiu de vice a presidente no último sufrágio depois de ter sido número 2 no quadriénio de 2018 a 2022 com Joaquim Baltazar Pinto como líder.

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Olhando para aquilo que era o elenco inicial com que Varandas foi pela primeira vez em sufrágio (ganhando com 42,3% dos votos contra 36,8% de João Benedito), permanecem na Direção Francisco Salgado Zenha, André Bernardo, Pedro Lancastre, Maria Serrano, Miguel Afonso, Miguel Nogueira Leite e Alexandre Ferreira, tendo entrado mais tarde no órgão Gonçalo Albuquerque, Rodrigo Almeida e Vasco Matos.

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Já da parte de Bruno Sá, o movimento liderado pelo empresário tenta cumprir todos os pressupostos não só a nível de recolha de assinaturas (que tem vindo a ser organizada há vários dias, com especial enfoque neste último fim de semana e no dia do clássico) mas também nas listas, que depois da última revisão estatutária ainda com Bruno de Carvalho na liderança continua a colocar obrigatoriedades na antiguidade.

  • artigo 53.º: a Mesa da Assembleia Geral deve ser composta por presidente, vice-presidente e três secretários (mais dois a três suplentes), sendo que o candidato a líder da Mesa “deverá ter, pelo menos vinte anos de inscrição ininterrupta como sócio efctivo A, e ter pago ininterruptamente, pelo menos nos últimos vinte anos anteriores à data de eleição, as quotas de valor máximo do escalão de base”;
  • artigo 55.º: o Conselho Diretivo deve ser composto por um número ímpar de membros não inferior a cinco e não superior a 11, com presidente e um número não superior a cinco de vices (os restantes serão vogais, com mais dois a quatro suplentes), sendo que “um terço dos seus membros têm de ter, pelo menos, vinte anos de inscrição ininterrupta como sócios efetivos A, e de ter pago ininterruptamente, pelo menos nos últimos vinte anos anteriores à data de eleição, as quotas de valor máximo do escalão de base e um terço dos seus membros têm de ter, pelo menos, quinze anos de inscrição ininterrupta como sócios efetivos A, e de ter pago ininterruptamente, pelo menos nos últimos quinze anos anteriores à data de eleição, as quotas de valor máximo do escalão base”;
  • artigo 58.º: o Conselho Fiscal e Disciplinar deve ser composto por sete membros efetivos, sendo um presidente e outro vice-presidente (podendo haver dois a três suplentes).

Foram ainda ventiladas outras possibilidades para este sufrágio mas que, com o tempo, acabaram por cair. Nuno Correia da Silva, antigo administrador da SAD em representação da Holdimo (onde é vice-presidente), foi uma dessas possibilidades para tudo aponta para que o jurista e antigo deputado de 59 anos não formalize essa intenção até à próxima quinta-feira. O Observador sabe também que existem outros movimentos ou grupos que olharam com especial atenção para estas eleições mas que consideraram não ser o timing ideal para corporizar uma candidatura até pelos resultados sobretudo desportivos que Varandas apresentou no atual mandato, não deixando de acompanhar de perto toda a realidade do universo leonino. Nuno Sousa e Ricardo Oliveira, candidatos derrotados em 2022, há muito que estavam fora dessa corrida.

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