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Andou ao colo de Dennis Rodman, gosta de andar a cavalo e aparece em momentos solenes. Kim Ju-ae, a adolescente que pode "herdar" Pyongyang.

Este artigo tem mais de 6 meses

É a única filha conhecida de Kim Jong-un e de Ri Sol-ju e o nascimento foi revelado por Dennis Rodman. Apesar da idade, aparece de sapatos altos e ítens de luxo e já é respeitada pela cúpula militar.

epa12596047 A photo released by the official North Korean Central News Agency (KCNA) on 16 December 2025 shows North Korean leader Kim Jong Un (C-R) and his daughter, Kim Ju Ae (C-L), attending an inauguration ceremony of regional-industry factories and leisure complex in Kangdong County, on the outskirts of Pyongyang, North Korea, 15 December 2025.  EPA/KCNA  EDITORIAL USE ONLY
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A primeira aparição pública ao lado do pai — a quem já quase “apanha” na altura — durante a inspeção de um míssil balístico intercontinental Hwasong-17, marcou o início da sua visibilidade crescente

KCNA/EPA

A primeira aparição pública ao lado do pai — a quem já quase “apanha” na altura — durante a inspeção de um míssil balístico intercontinental Hwasong-17, marcou o início da sua visibilidade crescente

KCNA/EPA

Oficiais militares condecorados, apóstolos da dinastia, já se ajoelham, num gesto de deferência, a quem se poderá tornar o próximo líder da Coreia do Norte. Ou a próxima. Kim Ju-ae, filha do “respeitado líder”, tem sido apontada por vários especialistas dos serviços secretos da Coreia do Sul como a sucessora mais provável do reino eremita do norte da península, embora ainda não tenha sequer idade para ingressar no partido, reservado a maiores de 18 anos. Há muito que não se sabe sobre ela — nem mesmo o nome é confirmado oficialmente —, mas o que é conhecido já sugere a construção de uma figura política para o país. A jovem, cuja voz o mundo nunca ouviu, emerge como peça central de uma sucessão pensada ao detalhe.

Kim Ju-ae é a única filha conhecida de Kim Jong-un e de Ri Sol-ju, cuja existência foi confirmada pela liderança norte-coreana. Foi o jogador de basquetebol norte-americano Dennis Rodman que anunciou o nascimento da “bebé Ju-ae” ao mundo. Em 2013 contou ao The Guardian como pegou na bebé “Ju-ae” durante uma visita à capital do país: “Segurei a bebé Ju-ae nos braços e conversei com a Sra. Ri [Sol-Ju, esposa de Kim]”. Desde então, Ju-ae — que se acredita que tenha cerca de 13 anos — passou a ser descrita pelos meios de comunicação social estatais da Coreia do Norte como a “mais adorada” ou a “querida filha”, segundo o New York Times.

As autoridades de inteligência sul-coreanas acreditam que Kim Jong-un terá dois filhos, possivelmente três, mas apenas Ju-ae surge em público. Alguns céticos defendem que a sua exposição possa ser simbólica, até que o eventual irmão mais velho esteja preparado. No entanto, a frequência das suas aparições e a forma como o regime a apresenta apontam para uma estratégia do ditador. Para analistas citados pela Associated Press (AP), a preparação pública da sucessora serve para evitar erros do passado, como os que marcaram a ascensão de Kim Jong-un, que só se tornou herdeiro após o AVC do pai, Kim Jong-il, em 2008.

As muitas façanhas de Kim Jong-un, o menino prodígio (tal como o pai)

Segundo os serviços secretos sul-coreanos citados pela AP, os seus tempos livres são passados a andar a cavalo, a esquiar e a nadar. O cabelo comprido — proibido no país —, o rosto arredondado e a presença discreta eram a sua assinatura. Mas a primeira aparição pública ao lado do pai — a quem já quase “apanha” na altura — durante a inspeção de um míssil balístico intercontinental Hwasong-17, marcou o início da sua visibilidade crescente. A partir daí, as suas roupas começaram a refletir o lugar que a parece esperar: os casacos de inverno acolchoados passaram a casacos de couro e golas de pele, apareceram os saltos altos e os blazers, e até uns óculos de sol da marca de luxo Gucci.

Pouco tempo depois, Ju-ae começou a aparecer em retratos oficiais com o pai e a alta cúpula militar. Sessões de fotos oficiais, receções diplomáticas e viagens com Kim Jong-un a Pequim — terá sido aqui a sua primeira viagem ao estrangeiro — indicam que a sua presença não é uma ponta solta.

Sétima aparição em público da filha de Kim Jong-un alimenta rumores de sucessão

Mas fora da formalidade desses momentos, a relação com o pai também é exibida em gestos de intimidade. Na véspera de Ano Novo, em Pyongyang, Ju-ae segurou a mão de Kim Jong-un, sussurrou-lhe algo ao ouvido e beijou-o na bochecha, diante das câmaras da televisão estatal.

À medida que cresce, Ju-ae eclipsa a mãe e a irmã poderosa do pai, Kim Yo-jong, e vai consolidando um lugar entre as figuras de autoridade do país. Kim Yo-jong, serve de precedente para a autoridade feminina no regime, ocupando um alto cargo no Comité Central do Partido dos Trabalhadores. É dentro desta tradição familiar que Ju-ae começa a moldar o seu papel. A cada nova aparição, desde a inspeção de mísseis até à participação em cerimónias e eventos diplomáticos, a sua formação como futura líder aparenta ser mais evidente.

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