Mudança foi a palavra de ordem ao longo da última semana no futebol português. No que respeita ao Benfica, as águias somaram mais uma vitória difícil, no fim, na receção ao Alverca, num jogo em que o “menino” Anísio Cabral voltou a ser decisivo, tendo salvado a sua equipa com mais um golo de cabeça, poucos segundos depois de ter entrado e na primeira vez em que tocou na bola (2-1). Apesar de não estarem totalmente relacionados, o “renascimento” dos encarnados no Campeonato Nacional está, inevitavelmente, ligado ao aparecimento de mais uma pérola do Seixal, que voltou a dar ânimo aos adeptos do clube da Luz e reaproximou o seu clube dos rivais FC Porto e Sporting. Para essa aproximação contribuiu a vitória frente aos alverquenses, bem como o empate entre dragões e leões no clássico do Dragão (1-1). Assim, a equipa lisboeta partiu para as últimas 13 jornadas da Primeira Liga a três pontos do rival da capital e a sete dos portistas.
Anísio repetiu a história de amor para se tornar herói (a crónica do Benfica-Alverca)
Com o plantel a crescer, nas últimas semanas, em termos de opções, Alex Bah e Richard Ríos já se juntaram aos treinos no relvado da equipa principal. Contudo, nem tudo são boas notícias para José Mourinho, que se deslocou aos Açores sem Fredrik Aursnes e Amar Dedic. Se o lateral tem sido baixa nos últimos jogos, o mesmo não se pode dizer do norueguês, que se lesionou no treino da passada quinta-feira e não seguiu viagem para o arquipélago localizado em pleno oceano Atlântico, estando ainda em risco de não defrontar o Real Madrid na primeira mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Nesse sentido, Daniel Banjaqui, o outro “menino” campeão do mundo de Sub-17 que tem sido aposta do Special One, deveria voltar ao onze, com o treinador a confirmar ainda que Dodi Lukebakio ia somar minutos.
“Eles precisam de pontos, mas acho que precisamos mais do que eles. Têm uma boa equipa. Estão naquela situação, mas vão sair. Não me parece que seja uma equipa para ter problemas. Nós precisamos muito de pontos para olharmos para cima. Se formos olhar para baixo, a distância para o quarto é significativa e nós olhamos para cima. Nesse caso somos nós desesperadamente a precisar de pontos. O campo é seguramente um problema. Há estádios na Liga com os standards baixos para uma Liga que se quer de alto nível. Com as condições climatéricas das últimas semanas é possível que esteja pior do que normalmente está, mas trabalhámos esta semana a pensar nisso e no melhor modo de ultrapassar essas dificuldades extra. Viajamos para os maravilhosos Açores com o objetivo de lutar muito e trabalhar muito para voltarmos com os pontos que precisamos. Independentemente das classificações e objetivos, há coisas que não são negociáveis e aceitáveis. Uma delas é baixar os níveis de concentração e trabalho”, explicou Mourinho à BTV.
Ficha de jogo
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Santa Clara-Benfica, 1-2
22.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio de São Miguel, em Ponta Delgada
Árbitro: António Nobre (AF Leiria)
Santa Clara: Gabriel Batista; Lucas Soares, Sidney Lima, Frederico Venâncio, Paulo Victor (Guilherme Romão, 46’); Pedro Ferreira (Djé Tavares, 62’), Gustavo Klismahn (Brenner Lucas, 86’), Serginho; Vinícius Lopes (Welinton Torrão, 73’), Gabriel Silva e Gonçalo Paciência (Fernando, 62’)
Suplentes não utilizados: Neneca; Diogo Calila, Darlan Mendes e Henrique Silva
Treinador: Petit
Benfica: Anatoliy Trubin; Tomás Araújo, António Silva, Nico Otamendi, Samuel Dahl; Enzo Barrenechea, Leandro Barreiro; Gianluca Prestianni (Manu Silva, 90’), Rafa Silva (Giorgi Sudakov, 79’), Andreas Schjelderup (Sidny Lopes Cabral, 68’); Vangelis Pavlidis
Suplentes não utilizados: Diogo Ferreira; Franjo Ivanovic, Dodi Lukebakio, Daniel Banjaqui, Gonçalo Oliveira e Anísio Cabral
Treinador: José Mourinho
Golos: Pavlidis (16’), PV (a.g., 38’) e Paciência (47’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Vinícius (45’), Paciência (58’), Lucas (66’ e 90+2’), Venâncio (78’), Djé (84’), Prestianni (90’) e Tomás (90+2’), vermelho a Lucas (90+2’)
Em São Miguel, os últimos dias também foram de mudança, a começar pela saída de Vasco Matos do comando técnico do Santa Clara. Para o seu lugar chegou Petit, que tinha como principal objetivo fugir à zona de despromoção e interromper a série de quatro derrotas seguidas e nove jogos sem vencer. Fora dos relvados, a situação dos bravos açorianos está, aparentemente, instável, com Bruno Vicintin, acionista maioritária da SAD açoriana, a ameaçar abandonar os Açores devido ao corte no apoio do executivo regional. “Temos de olhar mais para aquilo que é a nossa identidade, para o que podemos fazer, sabendo que o outro lado tem muita qualidade, tanto em termos individuais como coletivos. Mas essa capacidade de saber os momentos do jogo, de ter a bola, de saber que espaços que devemos fechar, a concentração e a atitude, disso não podemos abdicar. Analisámos o Benfica e a qualidade e inteligência dos seus jogadores. Preparámos vários cenários”, perspetivou o antigo internacional português.
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— SL Benfica (@SLBenfica) February 13, 2026
Apresentados os dados, José Mourinho entrou em campo com duas novidades em relação ao jogo com o Alverca, a começar pelo regresso de António Silva ao centro da defesa, o que “relegou” Tomás Araújo para o lado direito e Sidny Lopes Cabral para o banco. No meio-campo, o escolhido para substituir Aursnes foi Enzo Barrenechea, que voltou a ser titular três jogos depois. Já Petit contou com apenas uma alteração em relação ao desaire em casa do Estrela da Amadora (0-1), com Gonçalo Paciência a render Wendel Silva na frente de ataque. O ex-avançado português do FC Porto estreou-se, assim, como titular no novo clube, ao passo que o brasileiro, que também já esteve ligado aos dragões, está a caminho do Ceará por empréstimo com opção de compra.
Apesar do alerta lançado por Mourinho na véspera, o Benfica sentiu muitas dificuldades em ligar o jogo nos primeiros minutos, por conta do estado do relvado do Estádio de São Miguel. Ainda assim, a primeira oportunidade de golo pertenceu aos encarnados, com Vangelis Pavlidis a entrar na área pela meia-direita e a cruzar para Rafa Silva que, na pequena área, cabeceou para fora, chocando depois com o guarda-redes Gabriel Batista (5′). A partir daí, o Santa Clara teve um ligeiro período de crescimento, que culminou na primeira intervenção de Anatoliy Trubin, que se mostrou atento a travar um cruzamento de Gustavo Klismahn para Paciência, que se preparava para rematar (11′). Pouco depois, as águias reagiram da melhor forma, com Tomás a cruzar para o corte de Frederico Venâncio, levantando, à segunda, para o cabeceamento certeiro de Pavlidis ao segundo poste, depois de ter fugido a Sidney Lima (16′).
Com o nulo desfeito, o Benfica instalou-se definitivamente no ataque e quase dilatou a vantagem pouco depois, com Gabriel a travar um remate cruzado de Rafa (25′). O antigo internacional português continuou em destaque, depois de uma jogada de entendimento entre Araújo e Gianluca Prestianni, rompeu na área e finalizou de primeira, mas sem a direção da baliza (33′). Pouco depois, Vangelis Pavlidis descaiu para o corredor esquerdo e voltou a fazer das suas, deixou Pedro Ferreira pelo caminho e cruzou para o remate de Prestianni, que acabou em golo depois de Paulo Victor ter desviado para o fundo da sua baliza (38′). Até ao intervalo, a tendência do desafio manteve-se intocável, com o apito final de António Nobre a chegar com Mourinho a “dar uma dura” a Andreas Schjelderup, que apontou de imediato para os pitons das suas chuteiras.
Para a segunda parte, Petit lançou de pronto Guilherme Romão no lugar de PV e trocou os flancos de Vinícius Lopes e Gabriel Silva, e os bravos açorianos entraram com outra cara, chegando ao golo nos instantes iniciais, com Gustavo Klismahn a levantar um canto na esquerda para o centro da área, Gonçalo Paciência a cabecear fraco e Anatoliy Trubin, na tentativa de agarrar, a deixar a bola escapar por entre as suas pernas (47′). A partir daí, o jogo voltou a estabilizar, com o treinador açoriano a aproveitar para colocar em campo Djé Tavares e Fernando, retirando Pedro Ferreira e o autor do golo, e José Mourinho a trocar Andreas Schjelderup por Sidny Lopes Cabral, que, na primeira vez que tocou na bola, desferiu um remate de fora da área para fora (70′). Já com Welinton Torrão em campo, Gabriel voltou ao lado esquerdo do ataque do Santa Clara, que continuou com mais bola, o que “obrigou” os encarnados a gerirem o resultado e os tempos de jogo. Nesse sentido, o Special One colocou em campo Giorgi Sudakov, na tentativa de reter mais a bola.
Contudo, o Benfica continuou sem conseguir estancar o jogo e Petit lançou toda a carne no assador à beira do minuto 90, retirando Klismahn e colocando o veloz Brenner Lucas no corredor. Em sentido inverso, Mourinho fechou o corredor central com a entrada de Manu Silva para o lugar de Gianluca Prestianni. No tempo de compensação, por entre os amarelos para o argentino — que falha a receção ao AVS — e para Tomás Araújo por perda de tempo, Lucas Soares também viu o cartão pela segunda vez e deixou os açorianos em inferioridade numérica (90+2′), mas o resultado manteve-se intacto e o Benfica deixou os Açores com os três pontos no bolso (1-2).
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