Os construtores europeus de automóveis atravessam um período particularmente difícil, não só a braços com os fortes investimentos nos veículos eléctricos, dependendo contudo do interesse dos clientes em adquiri-los, como ainda a sofrer com a travagem da economia chinesa e com o agravamento das taxas à entrada do mercado norte-americano. Porém, nada disto beliscou o exercício da Ferrari em 2025, ano em que a marca italiana viu (mais uma vez) a facturação, os lucros e a margem de lucro aumentarem, apesar de ter vendido menos unidades. E devido a este aparente milagre, os responsáveis pela marca criada por Enzo Ferrari em 1939 resolveram atribuir um prémio de 14.900€ a cada um dos seus empregados. E esta não a primeira vez que a Ferrari distribuiu uma parte dos lucros pelos funcionários.
Em 2025, a Ferrari vendeu 13,640 veículos, o que representa uma redução de 112 unidades face ao ano anterior. Ainda assim e porque os Ferrari comercializados nos 12 meses de 2025 eram essencialmente mais potentes, mais exuberantes, mais bem equipados e por isso mesmo mais caros, a facturação aumentou 7%, atingindo 7,146 mil milhões de euros. O lucro EBITDA no mesmo período ascendeu a 2,772 mil milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 8% face a 2024, o que elevou a margem EBITDA de 28,3% em 2024 para 29,5% em 2025.
A valorização bolsista dos construtores tem pouco a ver com o presente e muito mais com o futuro, ou seja, se as previsões apontam para um incremento das vendas, da facturação e lucros. É esta capacidade de a Ferrari reivindicar aumentos de rentabilidade mesmo num período de uma certa crise, em que simultaneamente está a investir no seu primeiro veículo eléctrico, que começará a ser entregue a clientes ainda em 2026, que agrada aos investidores e explica que a marca possua um valor em bolsa de 66 mil milhões de euros, notável para quem vende 13.640 veículos.
Como termo de comparação, o Grupo BMW (que inclui BMW, Mini e Rolls-Royce) vendeu 2,46 milhões de veículos em 2025 e possui hoje um valor de 52 mil milhões de euros, com o Grupo Mercedes (Mercedes e Smart) a comercializar 2,16 milhões de unidades, possuindo um valor de de 56 mil milhões de euros. O mais valioso dos gigantes alemães é o Grupo Volkswagen, que em 2025 transaccionou 8,98 milhões de unidades e que vale em bolsa 56 mil milhões de euros. Todos eles abaixo do valor da Ferrari.