O Ministério Público acusou o comandante da GNR de Tavira Ricardo Sousa de tortura pelas agressões a um ladrão de bicicletas detido naquele mesmo posto, avançou o Expresso.

O caso remonta ao dia 1 de abril do ano passado quando Mbarek Mouine foi apanhado em flagrante delito e tentou fugir. A zona da praia do Barril, em Santa Luzia, estava a ser alvo de uma onda de roubos de bicicletas e, para descobrir o autor dos crimes, Ricardo Sousa montou uma operação que resultou na detenção do luso-marroquino, relata o semanário. Quando foi apanhado, Mbarek Mouine “não queria ser detido”, avança o Ministério Público, o que levou a que os dois caíssem no chão e se envolvessem numa luta que só terminou quando os outros militares da GNR que participavam na operação intervieram.

O suspeito ficou “com lesões na cara e no corpo” enquanto que o sargento sofreu “ferimentos numa mão que fez com que sangrasse bastante”, diz a acusação. Quando Mbarek já estava algemado, “Ricardo Sousa desferiu um ou dois socos na cabeça do detido, sem que tal fosse necessário para consumar a detenção”. De acordo com o Expresso, já no posto da GNR, quando estava sentado numa cadeira, Mbarek voltou a ser agredido por Ricardo Sousa, que o deitou ao chão com uma estalada enquanto perguntava “vês o que fizeste?”, referindo-se ao ferimento com que ficou na mão.

Mbarek, revela a mesma fonte, passou duas noites numa cela, onde terá sido agredido com “várias pancadas” pelo mesmo comandante. “Não quero voltar a ver-te em Tavira, enquanto eu aqui estiver não voltas a por aqui os pés”, ameaçou Ricardo Sousa que, dois duas depois voltou a agredir o luso-marroquino “com estalos” e mais ameaças no dia em que foi presente a um juiz de instrução.

De acordo com o procurador António Ventinhas, o acusado “quis tratar de forma cruel e degradante Mbarek Mouine, de modo a castigar o mesmo” por lhe ter “provocado lesões e cometer crimes na zona em que comandava o posto territorial da GNR, querendo igualmente intimidá-lo para que não voltasse a regressar ao concelho de Tavira, o que efetivamente conseguiu”.

A defesa de Ricardo Sousa nega as acusações. O comandante foi afastado do posto da GNR de Tavira e colocado numa unidade operacional da GNR, a Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras, a pedido do MP.

Além da acusação de tortura, Ricardo Sousa é acusado de dano por ter partido três câmaras de vigilância nas buscas a Mbarek. O ofendido disse ao MP ter sido agredido ainda por outro militar, mas o MP arquivou essa queixa por considerá-la “inconsistente”.

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