As primeiras explosões foram ouvidas em Cabul pelas 1h50 locais (21h20 em Portugal). A ofensiva paquistanesa, que seguiu de uma declaração de “guerra aberta” oficializada pelo ministro da Defesa do Paquistão, surgiu após o governo talibã ter reivindicado uma série de ataques na região fronteiriça.
O porta-voz dos talibã confirmou que os ataques paquistaneses atingiram partes de Cabul, Kandahar e Paktia, sem adiantar detalhes sobre a severidade dos danos. A Reuters recorda que a cidade de Kandahar é onde está a sede do regime e onde vive o líder espiritual supremo Haibatullah Akhundzada. Nestes ataques, 274 membros dos talibã foram mortos, de acordo com o diretor-geral das comunicações das Forças Armadas do Paquistão, deixando ainda outros 400 feridos entre civis e militantes. Os números são desmentidos pelos afegãos, que confirmam apenas oito mortos e onze feridos entre os combatentes.
Já Cabul diz ter matado 55 soldados paquistaneses nestas primeiras horas de conflito, adiantando que têm sob custódia 23 cadáveres de militares paquistaneses e um número indeterminado de prisioneiros. Durante a manhã de sexta-feira, o Afeganistão voltou a atacar e, desta vez, não se limitou à região fronteiriça. As autoridades talibãs anunciaram o bombardeamento de várias zonas do Paquistão, incluindo uma localidade próxima da capital, Islamabad.
O Ministério da Defesa precisou que foram atacados “um acampamento militar perto de Faizabad, em Islamabad, uma base militar em Noushera, posições militares em Jamrud e outros locais em Abbottabad”. Já a imprensa afegã, citada pela agência russa TASS, relata uma ofensiva numa “instalação nuclear” paquistanesa. Estes ataques terão causado “centenas de mortos e feridos” que foram transportados para o Instituto de Ciências Médicas do Paquistão na capital esta manhã.
“A operação aérea foi executada com sucesso, tendo como alvo bases militares, centros de comando e instalações estratégicas fundamentais do Paquistão”, afirmou o ministério. Trata-se de uma “resposta às incursões aéreas das forças paquistanesas em Cabul, Kandahar e Paktia”, acrescentou.
Relativamente aos primeiros ataques, o primeiro-ministro do Paquistão advertiu esta sexta-feira que o seu exército tem “plena capacidade para reduzir a pó qualquer ambição agressiva”, na primeira reação oficial após a declaração de “guerra abertado país do país contra o regime talibã do Afeganistão.
“A nação inteira está de pé, ombro a ombro com as Forças Armadas”, afirmou Muhammad Shehbaz Sharif, numa série de mensagens publicadas na rede social X, ressaltando que as tropas paquistanesas cumprem funções “com fervor nacional” sob a liderança do marechal Syed Asim Munir. O chefe do governo paquistanês insistiu que não haverá “nenhum compromisso na defesa da querida pátria e o Paquistão responderá com firmeza” a qualquer incursão.
"پاکستان کی عوام اور مسلح افواج ملک کی سلامتی، خودمختاری اور علاقائی سالمیت کے تحفظ کے لیے ہمہ وقت تیار ہیں۔ افواج پاکستان کا عزم ہے کہ کسی بھی صورت ملک کے امن اور تحفظ پر آنچ نہیں آنے دیں گے. ہماری افواج کسی بھی جارحانہ عزائم کو خاک میں ملانے کی بھرپور صلاحیت رکھتی ہے.
چیف و…— Prime Minister's Office (@PakPMO) February 27, 2026
“As nossas forças estão equipadas com capacidades profissionais, formação superior e uma estratégia defensiva eficaz para enfrentar qualquer desafio interno ou externo”, afirmou Sharif. A declaração do chefe do Governo constitui um marco político na escalada bélica derivada dos ataques de Islamabad da semana passada contra supostos refúgios do grupo insurgente TTP (movimento talibã do Paquistão) em solo afegão.
O porta-voz dos talibã do Afeganistão, Zabihullah Mujahid, garante que daquele lado da fronteira não existe qualquer desejo por um conflito armado e que, de acordo com as declarações citadas pela Sky News, estão à procura de resolver a guerra “através do diálogo”.
As tensões entre os dois países não são novas. Ainda em outubro, “dezenas de soldados” dos dois lados morreram durante uma breve troca de fogo na região de fronteira. As hostilidades só cessaram após intervenção da Turquia, do Qatar e da Arábia Saudia, que mediaram as negociações se chegar a um cessar-fogo — conversas essas que foram revisitadas recentemente entre o Paquistão e Riyad, numa tentativa de reduzir as tensões naquela região.
Também a Rússia, o único país do mundo que reconhece formalmente o governo dos talibã, mostrou-se disponível para mediar negociações para um novo acordo de cessar-fogo, bem como a Turquia, a China e o Irão, que se manifestaram publicamente “profundamente preocupados” com a escalada das tensões.
As Nações Unidas apelaram esta sexta-feira à “calma” entre o Paquistão e o Afeganistão, depois de Islamabad ter declarado “guerra aberta” contra os talibãs, em resposta à onda de ataques afegãos na quinta-feira, bombardeando Cabul, Paktia e Kandahar.
“Mais uma vez, apelo à calma e ao respeito pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos, em particular a proteção dos civis, nas atuais tensões entre o Paquistão e o Afeganistão, que infelizmente resultaram em violência”, afirmou o relator especial da ONU para o Afeganistão, Richard Bennett, que afirmou que “uma desaceleração imediata é essencial”.