O primeiro dérbi teve Viktor Gyökeres a brilhar. Na melhor exibição desde que chegou ao Arsenal, o ex-avançado do Sporting aproveitou a visita ao rival Tottenham para bisar e ajudar a sua equipa a golear o rival da capital (4-1). Esse jogo permitiu aos gunners voltarem às vitórias depois de dois empates na Premier League, ainda que o Manchester City continue próximo e igualmente a depender só de si para ser campeão. Este domingo, as atenções voltaram-se para novo confronto entre gigantes de Londres, com o Arsenal a receber o Chelsea na 28.ª jornada do Campeonato inglês, já depois de os cityzens terem vencido o Leeds (fora, 1-0). De um lado estava uma equipa vermelha que procurava manter-se na liderança isolada da competição, ao passo que os blues queriam continuar na luta pelo acesso à Liga dos Campeões.

O dia que ele queria, o dia por que ele esperava, o dia que justificou quase tudo: Arsenal goleia Tottenham com Gyökeres a bisar

“Gyökeres? Penso que uma coisa leva à outra. As exibições têm sido boas, compreende-se melhor os jogos e as próprias exibições. Ele é um avançado incrível. Precisa de compreender melhor a equipa e a Liga. Pressão? Não sei, essa é uma pergunta para ele. Não sei as exigências que coloca a si mesmo para ajudar a equipa. Perguntem aos nossos jogadores. Quando têm de treinar contra ele, dizem que ‘é um pesadelo’. Acho que o que importa é a preparação, e a preparação dá-lhe confiança e o estado emocional certos para chegar ao jogo com a crença e a convicção de que vai ganhar, e depois disso, tem de conquistar o direito de o fazer. Não acho que março vá definir a época, mas será muito importante o que vai acontecer em abril e maio, isso é certo. Há competições nas fases finais e ou se está dentro ou se está fora”, explicou Arteta.

“O meu trabalho é concentrar-me na equipa e tentar torná-la o mais forte possível para ganhar títulos. Trabalhei com o Viktor nos Sub-23 do Brighton. O Viktor começou a ganhar confiança e mostrou que sabe marcar golos. Já enfrentei o Eze muitas vezes. Sabemos que vai ser um jogo muito difícil, mas eles também sabem que vai ser um jogo difícil para eles. Este clube deveria estar na Liga dos Campeões, é um clube de Liga dos Campeões. Quando assumi o comando, estávamos no oitavo lugar. Agora estamos na luta. Todos os treinadores dirão que se fazem avaliações consistentes à medida que avançam. Estou a aprender sobre o meu grupo, os seus pontos fortes e o que precisam de melhorar. Haverá momentos em que estaremos sob pressão e preciso de saber quais os jogadores que conseguem manter a calma e a consistência nesses momentos de pressão”, assumiu Liam Rosenior.

No dérbi deste domingo, Mikel Arteta não fez qualquer alteração no seu onze, entrando em campo com David Raya na baliza, Jurriën Timber, William Saliba, Gabriel Magalhães e Piero Hincapié na defesa, e com Martín Zubimendi e Declan Rice no meio-campo. No ataque, Bukayo Saka e Leandro Trossard ficaram com os corredores, com Eberechi Eze no apoio a Viktor Gyökeres, numa altura em que Martin Odegaard continua a recuperar dos problemas físicos. Já Liam Rosenior lançou de início Pedro Neto, com o português a juntar-se a Cole Palmer e João Pedro no ataque, à frente de Enzo Fernández, Andrey Santos e Moisés Caicedo. Na defesa atuaram Reece James, Mamadou Sarr, Trevoh Chalobah e Jorrel Hato, com Robert Sánchez entre os postes.

O jogo começou equilibrado e com Sánchez a tremer fora da área, mas sem grandes consequências. Ainda assim, o Arsenal desbloqueou o jogo à passagem do minuto 20, de… bola parada. Saka cobrou um canto na direita muito chegado à baliza, Gabriel ganhou ao segundo poste e, na pequena área, Saliba desviou para o golo, com a bola a desviar ainda em Sarr, que não conseguiu cortar (21′). Com o empate desfeito, o Chelsea procurou reagir e, em cima do intervalo, quase empatou em novo lance de bola parada, com Raya a travar o desvio com o braço de Rice, que estava ainda a agarrar João Pedro (45′). No canto seguinte, James levantou para o primeiro poste, onde Hincapié cabeceou para trás e originou mais um golo na própria baliza, empatando o dérbi (45+2′).

No início da segunda metade, o jogo continuou animado, com David Raya a defender um remate de longe de Enzo Fernández, que tinha sido servido por João Pedro (51′). No canto repetiram-se os protagonistas, com o brasileiro a fugir a William Saliba e a cabecear, em zona perigosa, para as mãos do espanhol (53′). Mikel Arteta mexeu pela primeira vez ao colocar Gabriel Martinelli no ataque, por troca com Leandro Trossard, mas os blues continuaram mais perigosos, com Reece James a desferir mais um cruzamento preciso para o desvio de João Pedro para o segundo poste, só que Cole Palmer não chegou a tempo de completar (57′). Pouco depois, Declan Rice cobrou um canto na esquerda, Jurriën Timber ganhou nas alturas e cabeceou para o 2-1 (66′). Na sequência desse lance, Pedro Neto viu o amarelo por protestos e, três minutos depois, foi expulso depois de ter cometido uma falta sobre Martinelli, junto à linha (70′).

Com a missão mais complicada, Rosenior tentou manter a equipa no jogo com as entradas de Roméo Lavia e Malo Gusto para os lugares de Andrey Santos e Jorrel Hato, com Arteta a aproveitar a mesma paragem para lançar Kai Havertz e Christian Norgaard, retirando Gyökeres e Rice. À entrada para a reta final, Eberechi Eze ganhou espaço à entrada da área e rematou forte, para uma grande intervenção de Robert Sánchez (80′). Já com Liam Delap e Alejandro Garnacho em ação, o Chelsea voltou a aproximar-se da baliza adversária, com Caicedo a desferir um remate de longe e colocado, que saiu por cima (87′). Por fim, Tosin Adarabioyo foi lançado em campo, numa altura em que o Arsenal estava remetido à sua zona defensiva, e os blues quase aproveitaram, com Raya a fazer mais uma defesa primorosa, depois de um cruzamento traiçoeiro de Garnacho (90+3′). Logo a seguir, o Chelsea chegou mesmo ao golo, mas depois de um fora de jogo de João Pedro e de mais uma enorme defesa do espanhol (90+5′).

Desta forma, o Arsenal respondeu da melhor forma à vitória do Man. City e voltou a adiantar-se na liderança da Premier League, com mais cinco pontos e um jogo que o rival (64-59). Segue-se a visita a casa do Brighton, na quarta-feira.