Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a atualidade política
O PS na Assembleia Municipal de Lisboa propôs esta terça-feira a constituição de uma comissão eventual para acompanhamento e esclarecimento do acidente com o elevador da Glória, que ocorreu há seis meses e provocou 16 mortes e 24 feridos.
“A relevância do acidente, a necessidade de transparência e a obrigação institucional de garantir a segurança dos munícipes e visitantes impõem um acompanhamento político rigoroso, sistemático e independente”, defendeu o grupo municipal do PS, na proposta apresentada na Assembleia Municipal de Lisboa.
No documento, a que Lusa teve esta terça-feira acesso, o PS sublinhou que a Assembleia Municipal, enquanto órgão fiscalizador da atividade do executivo camarário, “tem o dever de assegurar que todas as entidades envolvidas [no acidente com o elevador da Glória] são ouvidas e que as responsabilidades, diretas ou indiretas, são devidamente apuradas”.
O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 3 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
Em resposta à agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou esta terça-feira que o inquérito do Ministério Público ao acidente com o elevador da Glória está ainda “em investigação”, encontrando-se “em curso” diligências de aquisição de prova, designadamente “diligências complexas de natureza pericial”.
“O inquérito está sujeito a segredo de justiça”, afirmou a PGR, sem adiantar mais informação, inclusive sobre que pessoas foram já ouvidas neste âmbito.
A constituição de uma comissão eventual para o acompanhamento e esclarecimento do acidente ocorrido no elevador da Glória, segundo o PS, terá como missão acompanhar o processo de investigação em curso relativo ao acidente e “ouvir todas as entidades relevantes“, sem indicar quais.
De acordo com o grupo municipal do PS, a comissão pretende também seguir o curso do processo de indemnização e apoios prestados às vítimas pelas várias entidades competentes e responsáveis nas diferentes matérias, assim como remeter à Câmara Municipal de Lisboa um relatório final, que terá de ser aprovado em plenário.
A proposta do PS, que ainda tem de ser votada pela Assembleia Municipal de Lisboa, determina a apresentação de um relatório final “no prazo de 90 dias”, com conclusões e recomendações para a melhoria da segurança e gestão dos ascensores e funiculares da cidade.
“O acidente verificado no elevador da Glória, ocorrido há seis meses, com consequências humanas e materiais de elevada gravidade, gerou uma profunda preocupação pública quanto às condições de segurança, manutenção, fiscalização e gestão deste ascensor, classificado como Monumento Nacional e integrado no sistema de mobilidade urbana de Lisboa”, realçou o PS.
No atual mandato (2025-2029), a Assembleia Municipal de Lisboa, constituída por um total de 75 deputados, tem 10 grupos municipais, respetivamente de PS (24), PSD (22), IL (seis), Chega (seis), PCP (cinco), CDS-PP (quatro), Livre (três), BE (dois), PEV (dois) e PAN (um).
Na sequência do descarrilamento do elevador da Glória, a Câmara Municipal de Lisboa, presidida por Carlos Moedas (PSD), suspendeu “de imediato” o funcionamento dos ascensores da Bica e do Lavra e do funicular da Graça para os equipamentos serem inspecionados.
Na segunda-feira, a empresa municipal Carris, responsável pela gestão destes equipamentos de transporte público, indicou que o funicular da Graça vai reabrir “em abril”, após a vistoria técnica ter confirmado “as boas condições estruturais e operacionais do equipamento”, enquanto os ascensores da Bica e do Lavra continuam sob avaliação.
Meio ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, os processos de apoio às vítimas e seus familiares continuam em desenvolvimento por parte da seguradora da Carris, a Fidelidade, que indicou à Lusa que já foram celebrados acordos indemnizatórios.
Elevador da Glória. Meio ano depois, ainda estão em desenvolvimento processos de apoio às vítimas
Fonte oficial da Fidelidade disse que “foram registadas 40 vítimas no total”, concretamente 16 mortes e 24 feridos, e sublinhou que mantém “um acompanhamento ativo e permanente” às vítimas e respetivas famílias, “assegurando a regularização do sinistro nos termos legais aplicáveis”.