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O retrato de Marcelo assinado por Vhils já está no Museu da Presidência: "Foi a ideia mais louca em 10 anos de mandato"

Este artigo tem mais de 6 meses

Marcelo, ao contrário dos Presidentes da República que estavam até agora na galeria do Palácio de Belém, resolveu fugir dos retratos tradicionais e convidou Alexandre Farto para assinar a obra.

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O retrato de Marcelo Rebelo de Sousa assinado por Vhils foi apresentado esta quarta-feira, no Museu da Presidência, no Palácio de Belém, cinco dias antes de passar o testemunho a António José Seguro. O chefe de Estado em fim de mandato escolheu Alexandre Farto, conhecido como Vhils, para assinar a obra de arte, rompendo com a tradição mais clássica dos retratos institucionais. E assume que esta foi a “ideia mais louca” que teve em 10 anos de mandato.

Ao contrário das pinturas dos antecessores, Vhils estreia-se em retratos oficiais de Presidentes da República com uma obra que mistura escultura e colagem, onde se encontram jornais e revistas dos 10 anos de mandato. No site do Museu da Presidência, refere-se que “Vhils iniciou o seu percurso no graffiti ainda na adolescência, desenvolvendo uma linguagem própria marcada por técnicas diferenciadas e pela intervenção direta sobre os materiais”.

“Com obras espalhadas por várias cidades do mundo, é, hoje, uma referência internacional da arte contemporânea portuguesa”, lê-se na mesma nota.

Assim, a galeria “recebe mais uma obra que testemunha o contexto cultural em que foi criada, enriquecendo o património artístico da Presidência da República”, com Vhils a dialogar “com a tradição da galeria, onde diferentes gerações de artistas interpretam a figura do chefe do Estado segundo a linguagem do seu tempo”.

Na galeria dos retratos dos Presidentes da República, no Palácio de Belém, estão os retratos de António Ramalho Eanes, da autoria de Luís Pinto Coelho, o de Mário Soares, feito por Júlio Pomar, o de Jorge Sampaio, pintado por Paula Rêgo, e o de Aníbal Cavaco Silva, da autoria de Carlos Barahona Possolo.

Marcelo Rebelo de Sousa contou, durante a apresentação, que há uns meses pediu a Alexandre Farto que “considerasse” e pensasse na possibilidade de fazer o seu retrato. “Ele, muito honestamente, disse que não”, recorda, justificando que era “de outro mundo, de outro domínio”, que fazia outras coisas e não se via naquela galeria. Mais tarde, o fotógrafo Rui Ochôa disse-lhe que Vhils tinha começado a pensar e a “trabalhar no retrato”.

“Fez-me uma pergunta: como é que acha que deve ser o retrato? E eu disse que eu sou um otimista, não excessivo, para usar uma expressão moderada, mas realista, mas sou um otimista, mas não estava num momento particularmente otimista. E disse-lhe que há o peso de dois mandatos (…), dez anos de peso, penso no que se passou no mundo, o que se passou na Europa e em Portugal”, relembra Marcelo, que no momento em que recebeu o esquiço sentiu que estava “acabadinho” — uma expressão que arrancou gargalhadas à plateia que assistia ao momento.

Quando viu a obra colocada na galeria do Palácio de Belém, Marcelo confessa que sentiu um “choque em termos de rutura numa casa que está cheia de ruturas”. O chefe de Estado pediu a Vhils uma representação do período histórico em que tinha tido “responsabilidade na Presidência da República” e considera que representa uma “épica diferente”, como já tinha acontecido com Júlio Pomar ou Paula Rêgo.

“Visto de perto, é completamente diferente. Podemos ver, quem tiver paciência, ali o retrato de alguém que foi primeiro-ministro [António Costa] comigo, em tempos. Ali, problemas dos fogos, acolá, problemas da pandemia”, destaca, reconhecendo que ficou “muito satisfeito”. “E, ao mesmo tempo, [disse] para mim mesmo que foi a ideia mais louca que tive em 10 anos de mandato. Eu sou considerado muito original, esta foi a minha maior originalidade“, conclui o Presidente da República.

Para Marcelo, a obra de Vhils é um “retrato de uma sociedade aberta, o triunfo da democracia”.

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