Um cidadão português está entre as seis vítimas do incêndio num autocarro na localidade suíça de Chiètres, no cantão de Friburgo (oeste), que aconteceu esta terça-feira. A informação da morte foi confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) esta quarta-feira à noite. “O MNE lamenta profundamente a morte de um cidadão português no trágico incêndio em Kerzers, na Suíça. Transmitimos sentidas condolências à família e expressamos solidariedade às autoridades e vítimas”, pode ler-se na publicação divulgada na rede social X. Segundo o jornal suíço 20 Minuten, o português era o motorista do autocarro e tinha 63 anos.
As autoridades suíças adiantaram que o incêndio foi causado por um homem “marginal e perturbado” que se imolou, afastando motivações terroristas. “Uma testemunha relatou que um homem, cuja investigação mostrou ser de origem suíça (…) entrou neste autocarro com sacos nas mãos. A certa altura, pulverizou-se com um produto inflamável e incendiou-o”, disse o procurador do cantão, Raphael Bourquin, numa conferência de imprensa em Granges-Paccot, perto de Friburgo. O incêndio fez ainda cinco feridos, um dos quais um socorrista. Destes cinco, três feridos estão em estado grave, relatam os jornais suíços.
Polícia de Friburgo
O suspeito, presumivelmente cidadão suíço, já era conhecido junto das autoridades por problemas de saúde mental. Segundo uma testemunha ouvida pela RTS, que conversou com dois sobreviventes, trata-se de um homem idoso, com idade estimada entre os 60 e os 70 anos, e cujo desaparecimento havia sido reportado pela família.
Por seu lado, a polícia cantonal de Berna confirmou à RTS que recebeu, pouco depois das 14h (em Lisboa) de terça-feira, uma denúncia sobre o desaparecimento de um homem de um hospital no cantão. Apesar das buscas realizadas ao longo da tarde, as autoridades não conseguiram localizá-lo nem obter pistas concretas sobre o seu paradeiro. Segundo a polícia, as informações obtidas até ao momento indicam que seja este o homem responsável pelo incêndio no autocarro postal.
As autoridades revelaram ainda alguns detalhes técnicos sobre o veículo. Todos os autocarros postais, um serviço de transporte público icónico no país, que liga localidades rurais e montanhosas e deve o seu nome ao facto de ter sido inicialmente criado para distribuir o correio, estão equipados com extintor de incêndio na parte dianteira e possuem também certificação de proteção contra incêndios emitida pelo Departamento Federal de Estradas (FEDRO), estando obrigados a cumprir normas internacionais relativas a materiais resistentes ao fogo. Durante o incêndio de terça-feira à noite, as portas do autocarro abriram-se, explicou o comandante da polícia cantonal de Friburgo, Philippe Allain, citado pela emissora pública suíça, embora ainda não seja claro se isso ocorreu devido à explosão ou se alguém as abriu. Especialistas admitem que a combinação de calor, oxigénio e materiais inflamáveis pode ter provocado a rápida propagação das chamas.
O presidente do Governo de Friburgo, Philippe Demierre, já reagiu ao caso. “Estamos verdadeiramente consternados com o ocorrido”, declarou na quarta-feira no programa Forum, apresentando as condolências do Conselho de Estado às famílias das vítimas mortais e aos feridos hospitalizados. “Nunca conseguiremos intercetar pessoas que cometerão tais atos”, sublinhou, acrescentando que o essencial reside na capacidade de resposta das autoridades.
Também a empresa Car Postal reagiu ao incidente, afirmando: “Esta trágica notícia comove-nos profundamente. Os nossos pensamentos estão com os feridos e com os familiares das vítimas fatais. Uma equipa de apoio psicológico estará à disposição dos colaboradores a partir de amanhã [quarta-feira]”.
O incêndio teve início pelas 18h25 desta terça-feira, sendo que nenhum outro veículo esteve envolvido. A estrada onde tudo aconteceu permanece fechada até esta quarta-feira e agora as autoridades irão focar-se na recolha de informação junto das testemunhas que estavam presentes no momento do incêndio. De acordo com jornais suíços, foi criada uma linha de telefone direta para testemunhas e familiares que queiram obter informações.