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Português entre as vítimas mortais de incêndio em autocarro na Suíça

Este artigo tem mais de 6 meses

Autoridades revelaram que pelo menos seis pessoas morreram. A polícia afasta a hipótese de terrorismo e indica que o suspeito, um homem idoso com problemas de saúde mental, terá cometido imolação.

epa12810107 The charred shell of a postal bus stands after it caught fire in Kerzers, Switzerland, 10 March 2026. According to Fribourg cantonal police, several passengers were killed and others were injured when the postal bus caught fire in Kerzers.  EPA/ALESSANDRO DELLA VALLE
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▲Incêndio no "autocarro postal" – transporte público que liga localidades rurais e montanhosas – ocorreu na localidade suíça de Chiètres, no cantão de Friburgo

ALESSANDRO DELLA VALLE/EPA

▲Incêndio no "autocarro postal" – transporte público que liga localidades rurais e montanhosas – ocorreu na localidade suíça de Chiètres, no cantão de Friburgo

ALESSANDRO DELLA VALLE/EPA

Um cidadão português está entre as seis vítimas do incêndio num autocarro na localidade suíça de Chiètres, no cantão de Friburgo (oeste), que aconteceu esta terça-feira. A informação da morte foi confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) esta quarta-feira à noite. “O MNE lamenta profundamente a morte de um cidadão português no trágico incêndio em Kerzers, na Suíça. Transmitimos sentidas condolências à família e expressamos solidariedade às autoridades e vítimas”, pode ler-se na publicação divulgada na rede social X. Segundo o jornal suíço 20 Minuten, o português era o motorista do autocarro e tinha 63 anos.

As autoridades suíças adiantaram que o incêndio foi causado por um homem “marginal e perturbado” que se imolou, afastando motivações terroristas. “Uma testemunha relatou que um homem, cuja investigação mostrou ser de origem suíça (…) entrou neste autocarro com sacos nas mãos. A certa altura, pulverizou-se com um produto inflamável e incendiou-o”, disse o procurador do cantão, Raphael Bourquin, numa conferência de imprensa em Granges-Paccot, perto de Friburgo. O incêndio fez ainda cinco feridos, um dos quais um socorrista. Destes cinco, três feridos estão em estado grave, relatam os jornais suíços.

Polícia de Friburgo

O suspeito, presumivelmente cidadão suíço, já era conhecido junto das autoridades por problemas de saúde mental. Segundo uma testemunha ouvida pela RTS, que conversou com dois sobreviventes, trata-se de um homem idoso, com idade estimada entre os 60 e os 70 anos, e cujo desaparecimento havia sido reportado pela família.

Por seu lado, a polícia cantonal de Berna confirmou à RTS que recebeu, pouco depois das 14h (em Lisboa) de terça-feira, uma denúncia sobre o desaparecimento de um homem de um hospital no cantão. Apesar das buscas realizadas ao longo da tarde, as autoridades não conseguiram localizá-lo nem obter pistas concretas sobre o seu paradeiro. Segundo a polícia, as informações obtidas até ao momento indicam que seja este o homem responsável pelo incêndio no autocarro postal.

As autoridades revelaram ainda alguns detalhes técnicos sobre o veículo. Todos os autocarros postais, um serviço de transporte público icónico no país, que liga localidades rurais e montanhosas e deve o seu nome ao facto de ter sido inicialmente criado para distribuir o correio, estão equipados com extintor de incêndio na parte dianteira e possuem também certificação de proteção contra incêndios emitida pelo Departamento Federal de Estradas (FEDRO), estando obrigados a cumprir normas internacionais relativas a materiais resistentes ao fogo. Durante o incêndio de terça-feira à noite, as portas do autocarro abriram-se, explicou o comandante da polícia cantonal de Friburgo, Philippe Allain, citado pela emissora pública suíça, embora ainda não seja claro se isso ocorreu devido à explosão ou se alguém as abriu. Especialistas admitem que a combinação de calor, oxigénio e materiais inflamáveis pode ter provocado a rápida propagação das chamas.

O presidente do Governo de Friburgo, Philippe Demierre, já reagiu ao caso. “Estamos verdadeiramente consternados com o ocorrido”, declarou na quarta-feira no programa Forum, apresentando as condolências do Conselho de Estado às famílias das vítimas mortais e aos feridos hospitalizados. “Nunca conseguiremos intercetar pessoas que cometerão tais atos”, sublinhou, acrescentando que o essencial reside na capacidade de resposta das autoridades.

Também a empresa Car Postal reagiu ao incidente, afirmando: “Esta trágica notícia comove-nos profundamente. Os nossos pensamentos estão com os feridos e com os familiares das vítimas fatais. Uma equipa de apoio psicológico estará à disposição dos colaboradores a partir de amanhã [quarta-feira]”.

O incêndio teve início pelas 18h25 desta terça-feira, sendo que nenhum outro veículo esteve envolvido. A estrada onde tudo aconteceu permanece fechada até esta quarta-feira e agora as autoridades irão focar-se na recolha de informação junto das testemunhas que estavam presentes no momento do incêndio. De acordo com jornais suíços, foi criada uma linha de telefone direta para testemunhas e familiares que queiram obter informações.

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