David Pyne, diretor-adjunto executivo da task force sobre a Segurança Interna dos Estados Unidos da América, acusou o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, o genro de Trump, que estiveram na Suíça na última ronda de negociações com Teerão sobre o pacote nuclear, no final de fevereiro, de mentirem a Donald Trump sobre as conversações com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi.

“O Irão fez-nos uma ótima proposta e Witkoff e Kushner mentiram, alegando que o Irão se recusou a fazer uma proposta de paz decente e aconselharam Trump a rejeitá-la e a entrar em guerra, a pedido de Israel. Ambos deviam ser demitidos, juntamente com Susie Wiles, Rubio, Radcliffe e todos os outros falcões neoconservadores que instaram o Presidente a iniciar a sua nova guerra sem fim no Irão”, lê-se numa publicação na rede social X do veterano do Exército dos EUA que, como líder da task force, assume o papel de conselheiro do Departamento de Segurança Interna. “Israel forçou o Governo Trump a iniciar uma guerra impossível de vencer contra o Irão, na ausência de qualquer ameaça aos EUA”, escreveu o conservador do movimento America First e assumido apoiante das visões anti-intervencionistas de J.D. Vance (apesar de, neste caso, o vice-presidente apoiar o ataque ao Irão.

Pyne passou as últimas 24 horas a publicar críticas aos ataques norte-americanos ao Irão, e chegou a dizer que o país será militarmente superior aos norte-americanos. “A guerra iraniana, em muitos aspetos, tem sido uma versão inversa da estratégia de “choque e pavor”, com o Irão a travar uma campanha militar brilhantemente planeada que explora os seus pontos fortes e que provavelmente terminará com a humilhante retirada dos Estados Unidos da região do Golfo Pérsico“, escreveu o diretor-adjunto deste grupo de trabalho sobre a Segurança Interna dos EUA.

“O Irão possui diversos mísseis mais avançados que os EUA, incluindo mísseis móveis, mísseis balísticos antinavio, mísseis de cruzeiro supersónicos, mísseis de cruzeiro hipersónicos e veículos planadores hipersónicos. Também possuem satélites com capacidade de pulso eletromagnético (EMP), algo que os EUA não têm. A alegação de Trump de que os mísseis antissatélites dos EUA destruíram 100% da capacidade militar iraniana é ridícula, como o Irão demonstra diariamente com os seus ataques de mísseis”, escreve Pyne.

“A poderosa Marinha dos EUA está a ser forçada a operar os seus porta-aviões a mil quilómetros do Irão, bem no limite do raio de combate dos seus F-35, incapaz de romper o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz e relutante em implementar um contra-bloqueio ao petróleo iraniano”, partilhou ainda o especialista, que afirma que o próximo passo do Irão poderá ser atacar navios de guerra norte-americanos. “Hoje, podemos ter 200 baixas militares, mas amanhã podemos ter cinco mil se o Irão decidir afundar o USS Abraham Lincoln com mísseis antinavio hipersónicos.”

“O espectro de o Irão tornar a Marinha dos EUA impotente, após Trump afirmar que afundámos toda a sua frota, está a encorajar a Rússia e a China a nos desafiarem militarmente em outras partes do mundo, exatamente como eu previ há duas semanas”, assinala ainda Pyne, que comenta também os riscos da guerra no Irão intensificar as tensões com países como a China e a Rússia. “Diante do sucesso do Irão em conter o poderio naval dos EUA, o que leva alguém a crer que os EUA podem defender Taiwan de um bloqueio e/ou invasão chinesa, considerando que as capacidades navais e de mísseis antinavio da China são infinitamente superiores?”, escreve Pyne. “A Rússia tem ajudado o Irão a maximizar os danos que inflige às bases e instalações militares dos EUA, com o objetivo de enfraquecer os EUA económica e militarmente, assim como tentámos, sem sucesso, fazer com a Rússia na Ucrânia”, considera ainda o consultor para o Departamento de Segurança Interna.

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Pyne, que chama a ofensiva norte-americana “guerra interminável de Trump contra o Irão”, afirma ainda que os ataques poderão adicionar “alguns biliões de dólares à dívida nacional dos EUA antes do fim de seu mandato.” O especialista sublinha que “Trump vai enriquecer e fortalecer ainda mais o Irão se continuar com a sua guerra insensata, impossível de vencer e interminável contra o país por muito mais tempo.”

A voz de Pyne não é a única a referir que a proposta do Irão era suficiente para evitar a guerra. O The Guardian noticiou na terça-feira que o mesmo fez o conselheiro nacional de segurança do Reino Unido. Jonathan Powell, que esteve presente nas negociações, considerou, segundo fontes do jornal britânico, que Teerão tinha feito uma proposta “surpreendente”.

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