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O conselheiro nacional de segurança do Reino Unido, Jonathan Powell, que participou nas negociações finais entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano, considerou que a proposta apresentada por Teerão era suficientemente significativa para evitar um conflito armado, noticiou o The Guardian. As negociações tiveram lugar em Genebra, na Suíça, no final de fevereiro e, segundo as fontes citadas pelo jornal britânico, a proposta iraniana foi descrita como “surpreendente”.
A presença de Powell — que tem uma vasta experiência como mediador — nas reuniões entre Washington e Teerão foi confirmada por três fontes ao mesmo jornal e agiu como conselheiro, refletindo as preocupações britânicas com a falta de especialistas norte-americanos nas negociações. “Jonathan acreditava que era possível chegar a um acordo, mas o Irão ainda não estava totalmente convencido, especialmente em relação à questão das inspeções da ONU nas suas instalações nucleares”, afirmou uma das fontes.
Segundo diplomatas e antigos responsáveis familiarizados com as negociações, a proposta iraniana não representava ainda um acordo final, mas demonstrava progressos claros. O Irão mostrou-se disponível para aceitar restrições permanentes ao seu programa nuclear, sem prazos de expiração, e comprometeu-se a reduzir o seu stock de urânio enriquecido sob supervisão internacional. Teerão também admitiu uma pausa de três a cinco anos no enriquecimento interno, embora os Estados Unidos tenham exigido uma suspensão de dez anos.
O acordo também incluía benefícios económicos, com a possibilidade de participação norte-americana num futuro programa nuclear civil iraniano, em troca do levantamento de cerca de 80% das sanções económicas impostas ao país.
Irão propõe benefícios económicos para EUA como parte de um possível acordo nuclear
De acordo com outra fonte, as negociações de Genebra “não foram um acordo completo, mas representaram um progresso e provavelmente não era a oferta final dos iranianos. A equipa britânica esperava que a próxima ronda de negociações prosseguisse com base no progresso alcançado em Genebra”. Estava agendada nova ronda de negociações para 2 de março.
Mas o ataque militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, impediu-a. O Reino Unido considerou a ação de Washington e Telavive “prematura e ilegal”, defendendo que ainda existia margem para uma solução diplomática.
“Considerávamos Witkoff e Kushner como ativos israelitas que arrastaram um Presidente para uma guerra da qual ele quer sair” disse ao The Guardian um diplomata do Golfo com conhecimento das negociações.
O Governo britânico recusou comentar oficialmente a participação de Powell nas negociações, mas as fontes citadas pelo Guardian indicam que Londres não encontrou provas de uma ameaça iminente por parte do Irão nem de que o país estivesse prestes a obter uma arma nuclear.
A presença de Powell nas negociações na Suíça foi debatida no parlamento britânico, onde a deputada Liz Saville Roberts questionou o Governo sobre a legalidade dos ataques, sublinhando que as vias diplomáticas ainda estavam abertas. A ministra dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, respondeu que o Reino Unido apoiava a continuação das negociações e que esta posição influenciou a oposição inicial aos ataques levados a cabo pelos Estados Unidos e por Israel.
Do outro lado do Atlântico também surgiram afirmações no mesmo sentido. David Pyne, diretor-adjunto executivo da task force sobre a Segurança Interna dos Estados Unidos da América, grupo de especialistas que funciona como conselheiro do Departamento de Segurança, diz que o Irão fez “uma ótima proposta” e acusa o genro de Trump e o enviado especial do Presidente dos EUA de mentirem. “Israel forçou o Governo Trump a iniciar uma guerra impossível de vencer contra o Irão, na ausência de qualquer ameaça aos EUA”, escreveu o conservador do movimento America First.