A Reserva Federal dos EUA (Fed) decidiu nesta quarta-feira, como se esperava, manter as taxas de juro inalteradas, numa fase em que a inflação ameaça subir (ainda mais) e o mercado de trabalho dá sinais de fraqueza. O presidente da Fed salientou que “simplesmente” não é possível antecipar qual vai ser o impacto da guerra do Irão.
“A incerteza quanto às perspetivas económicas continua elevada. As implicações dos acontecimentos no Médio Oriente para a economia dos EUA são incertas. O Comité está atento aos riscos para ambos os lados do seu duplo mandato”, pode ler-se no comunicado oficial.
Na conferência de imprensa, Powell afirmou que “no curto prazo, os preços da energia mais elevados irão empurrar para cima a inflação global. Mas é cedo demais para perceber a abrangência e a duração dos possíveis efeitos“.
Simplesmente não sabemos qual vai ser o efeito dos preços da energia [mais elevados]”, afirmou Jay Powell.
O comité considera que “os dados disponíveis indicam que a atividade económica tem expandido a um ritmo sólido“, embora se reconheça que “os ganhos no mercado de trabalho continuam lentos“.
Por outro lado, “a inflação continua algo elevada“, diz o banco central que idealiza uma taxa de inflação de 2%.
Pressionado por Donald Trump, ao longo dos últimos meses, Powell acrescentou que “se não houver progressos na inflação não haverá qualquer corte da taxa de juro“.
Ainda assim, noutro tema, o presidente da Fed manifestou-se “ligeiramente mais confiante” de que as pressões inflacionistas causadas pelas tarifas de Trump irão atenuar-se a partir de meados do ano.
Apenas um dos membros do conselho, Stephen Miran, aliado de Trump, defendeu que o banco central deveria cortar as taxas de juro.
A taxa de juro de referência mantém-se no intervalo entre 3,50% e 3,75% e os analistas antecipam, apenas, uma descida dos juros até ao final do ano. Essa é, também, a expectativa do comité da Fed que decide sobre taxas de juro, o FOMC (Comité Federal de Operações no Mercado Aberto).
A confirmar-se, será uma decisão anunciada não por Jay Powell, o atual presidente da Fed, mas, sim, pelo seu sucessor, Kevin Warsh. O mandato do atual presidente termina em maio.