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O ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, que mediou as negociações entre EUA e Irão, revelou que Teerão e Washington estiveram, por duas vezes, “à beira de um acordo” nuclear nos últimos nove meses. Por isso, Badr Albusaidi sublinha que o ataque conjunto de Israel e EUA contra o Irão foi recebido com “choque”. Para o chefe da diplomacia de Omã, o ataque norte-americano ao Irão foi o “maior erro de cálculo” da administração Trump.
“Por duas vezes em nove meses, os Estados Unidos e o Irão estiveram à beira de um acordo concreto sobre a questão mais complexa que os divide: o programa nuclear iraniano e os temores americanos de que ele se possa transformar num programa militar. Portanto, foi um choque, mas não uma surpresa, quando a 28 de fevereiro — apenas algumas horas após as últimas e mais substanciais negociações — Israel e os Estados Unidos lançaram novamente um ataque militar ilegal contra a paz que, por um breve período, parecera realmente possível”, sublinhou Badr Albusaidi, num artigo de opinião publicado na revista The Economist.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã considera que a guerra foi o “maior erro de cálculo da administração americana” e avisa que não é provável que nem os EUA nem Israel consigam atingir os seus objetivos. “Esta não é uma guerra dos Estados Unidos, e não há um cenário provável em que Israel e os Estados Unidos consigam o que desejam”, antevê Badr Albusaidi, dizendo esperar que “o compromisso americano com a mudança de regime seja apenas retórico”.
Omã acusa Israel de ter arrastado EUA para a guerra
O chefe da diplomacia de Omã acusou Israel de ter arrastado os EUA para a guerra, ao ter convencido Washington que o Irão estava tão enfraquecido pelas sanções, divisões internas e pelos bombardeamentos americanos e israelitas de 2025, que rapidamente se renderia após um primeiro ataque — o que não aconteceu, sublinha. “Agora é claro que, para Israel alcançar o seu objetivo declarado [de derrubar o regime iraniano], será necessária uma longa campanha militar para a qual os Estados Unidos teriam que enviar tropas terrestres“, realça Badr Albusaidi, acrescentando que “não é isso que o governo americano” nem o povo dos EUA desejam.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã defende que os “Estados Unidos perderam o controlo de sua própria política externa” e insta a administração Trump a “decidir onde realmente residem os seus interesses nacionais” e agir em conformidade, garantindo o fim definitivo da proliferação de armas nucleares no Médio Oriente e a segurança das cadeias de abastecimento de energia — objetivos que o responsável considera difíceis de atingir nas atuais circunstâncias. Badr Albusaidi mostra-se cético em relação a um eventual retomar das negociações entre Teerão e Washington. “Certamente será difícil para a liderança iraniana retomar o diálogo com uma administração que, por duas vezes, passou abruptamente das negociações para bombardeamentos e assassinatos”, frisa.
Quanto à retaliação iraniana, o chefe da diplomacia de Omã diz ser uma consequência “inevitável”. Depois do início da guerra, essa “era provavelmente a única opção racional disponível à liderança iraniana”, defende, acrescentando, ainda assim, que os ataques são uma opção “profundamente lamentável e completamente inaceitável”, com consequências a nível global, “com o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz severamente interrompido, elevando os preços da energia e ameaçando uma profunda recessão”.
“Se isso não foi previsto pelos arquitetos desta guerra, certamente foi um grave erro de cálculo”, acusa Badr Albusaidi.