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Zelensky lamenta que EUA estejam concentrados no Irão

Este artigo tem mais de 6 meses

Enviados de Kiev e Washington reuniram-se dois dias em Miami. Witkoff falou em conversações "construtivas", mas Zelensky lamenta que o Irão domine a agenda norte-americana.

epa12827598 Ukrainian President Volodymyr Zelensky during his meeting with British Prime Minister Keir Starmer (not pictured) in 10 Downing Street, London, Britain 17 March 2026. The UK and Ukraine are set to agree a new partnership to boost global defensive capability against the proliferation of low cost, high tech military hardware, including drones.  EPA/DAVID CLIFF/POOL
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DAVID CLIFF/POOL/EPA

DAVID CLIFF/POOL/EPA

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lamentou este domingo que os norte-americanos estejam sobretudo concentrados na guerra no Irão, após dois dias de negociações entre enviados de Kiev e Washington na Florida para pôr fim ao conflito na Ucrânia.

Embora saudando a realização destas negociações, Zelensky lamentou, na sua mensagem diária à população ucraniana, que “a situação em torno do Irão” tenha sido “o principal foco de atenção da parte norte-americana”.

Por seu lado, o enviado norte-americano, Steve Witkoff, considerou que as conversações de sábado e domingo na Florida foram “construtivas”, numa mensagem publicada na rede social X.

Uma primeira versão da sua publicação fazia uma breve menção a “um avanço” nas negociações “sobre uma questão humanitária fundamental”, mas depois essa parte da mensagem foi apagada.

“As conversações construtivas assentaram nos progressos alcançados ontem [sábado] e centraram-se em pontos-chave para definir um quadro de segurança sólida e fiável para a Ucrânia, bem como em esforços humanitários essenciais na região”, lê-se na sua conta da X.

O negociador ucraniano Rustem Umerov também relatou “progressos” nas negociações.

“Nas reuniões, centrámo-nos nas questões de garantias de segurança fiáveis e na dimensão humanitária, em particular na troca e no repatriamento dos nossos cidadãos”, afirmou na rede social Facebook.

A sua delegação regressará à Ucrânia para consultas.

“Há sinais que levam a pensar que novas negociações poderão ser possíveis”, sublinhou Volodymyr Zelensky, acrescentando: “Esperamos que tal aconteça”.

Esta iniciativa diplomática norte-americana para tentar pôr fim ao conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial estava paralisada antes deste fim de semana, desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos ao Irão no final de fevereiro, uma guerra que entretanto alastrou a todo o Médio Oriente.

Perante a subida dos preços do petróleo, Washington flexibilizou recentemente algumas restrições às vendas de hidrocarbonetos russos, de forma a estabilizar o mercado.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após o desmoronamento da União Soviética – e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado, em ofensivas com drones, alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

Estas condições — constantes do plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para solucionar o conflito – são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo incondicional de 30 dias antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam garantias sólidas de que não voltará a ser alvo de ataque.

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