O Irão tem “novos alvos legítimos”. Neste 32.º dia de guerra, Teerão anunciou que está agora disposto a atacar instalações de empresas tecnológicas norte-americanas na região, bem como o sistema Starlink, de Elon Musk, que tem sido usado por muitos iranianos para aceder à internet — fortemente limitada no país.

O dia foi ainda marcado pelo rapto da jornalista norte-americana Shelly Kittleson, em Bagdade (Iraque). O Governo do país deteve uma pessoa e há suspeitas de que o rapto terá sido levado a cabo pela milícia iraquiana pró-Irão Kataib Hezbollah.

No Ocidente, Itália e França anunciaram que se juntam a Espanha ao impedir o Exército norte-americano de sobrevoar o seu espaço aéreo. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que os EUA têm de repensar a sua relação com a NATO depois da guerra do Irão, falando em “falta de apoio” dos aliados.

Pode recordar os acontecimentos de segunda-feira aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta terça-feira, dia 31 de março:

No Irão

  • Israel e os EUA conduziram mais ataques a territórios iranianos, atingindo armazéns de munições na província de Esfahan.
  • Os ataques atingiram um local de produção de mísseis em Khojir.
  • As forças israelitas e norte-americanas atacaram um complexo de produção e investigação de componentes de mísseis em Teerão.
  • Ataques registados ao sistema de radar da Força Aérea iraniano em Kohgiluyeh e Boyer Ahmad.
  • Israel disse ter atacado a Universidade Imã Hussein em Teerão, dizendo que o local (civil) era usado para investigação de armamento.
  • Telavive reivindicou 230 ataques ao Irão nas últimas 24 horas. As IDF dizem que 70% dos locais de indústria de defesa iraniana já foram atacados.
  • Um ataque na cidade de Mahallat matou 11 pessoas e feriu outras 15.
  • Os ataques israelitas e norte-americanas danificaram um local religioso em Zanjan.
  • O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou que a operação já atingiu mais de metade dos seus objetivos.
  • A Guarda Revolucionária disse considerar agora empresas tecnológicas norte-americanas na região como alvos legítimos.
  • Responsáveis iranianos declararam que não há negociações com os Estados Unidos a decorrer, falando apenas em trocas limitadas de mensagens.
  • O Irão colocou em checkpoints veículos militares Spartak, produzidos pela Rússia.
  • A Guarda Revolucionária confirmou a morte do comandante naval do país, o Almirante Alireza Tangsiri.
  • Milhares de iranianos saíram à rua em manifestações de apoio ao regime na cidade de Karaj.
  • O Irão executou dois homens acusados de atacar um edifício governamental.
  • Teerão declarou que o sistema Starlink é agora um alvo legítimo.
  • Um grupo armado não identificado matou um comandante no Baluchistão, uma província onde há movimentos separatistas.
  • O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou destruir a infraestrutura de petróleo da ilha de Kharg se não houver um acordo. Também declarou que o Irão irá demorar “15 a 20 anos” a reconstruir o país.
  • O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que os ataques têm afetado o moral do Exército iraniano, com “deserções, falta de pessoal e frustração entre os líderes séniores”.
  • O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou que as comunicações entre EUA e Irão são indiretas e feitas por intermediários. Também declarou que os objetivos dos Estados Unidos serão atingidos “em semanas, não meses”.
  • Os EUA enviaram mais aeronaves e sistemas de rockets para a região, indiciando o que pode ser uma invasão com “botas no terreno”. Também enviaram para o Oceano Índico 1.800 fuzileiros.

Em Israel e no Líbano

  • O Irão disparou três vagas de mísseis contra Israel, o valor diário mais baixo desde o início da guerra.
  • Seis pessoas ficaram feridas em Israel na sequência de um ataque com mísseis.
  • Israel pediu a retirada de civis a sul do rio Zahrani, no Líbano.
  • Ataques israelitas mataram uma pessoa em Nabatieh, no Líbano. Outro ataque à cidade de Al-Najjariya matou pelo menos cinco pessoa e um terceiro à cidade de Jebchit matou uma mulher grávida e o seu marido.
  • As IDF declararam que dispararam mais de 700 projéteis contra o Hezbollah nos últimos dias.
  • Israel declarou que qualquer cessar-fogo com o Irão não afetará as operações no Líbano, que devem continuar.
  • O porta-voz das IDF Effie Defrin afirmou que Israel já atingiu mais 2.500 alvos do Hezbollah e matou 900 membros do grupo.
  • Quatro soldados israelitas morreram nos combates no sul do Líbano.
  • O Hezbollah levou a cabo quatro ataques com drones contra veículos das IDF.
  • O grupo também atacou com drones um sistema de defesa aérea na cidade israelita de Ma’alot-Tarshiha.
  • O Líbano informou as Nações Unidas de que criminalizou a ala militar do Hezbollah.
  • Mais de 200 mil pessoas já saíram do Líbano em direção à Síria desde o início da guerra.

No Golfo

  • Terça-feira foi o dia em que se registou o menor número de ataques iranianos com mísseis aos países do Golfo.
  • A Arábia Saudita intercetou oito mísseis balísticos e cinco drones.
  • Os Emirados Árabes Unidos (EAU) intercetaram 36 drones, oito mísseis balísticos e quatro mísseis de cruzeiro.Um drone atingiu uma empresa de telecomunicações em Sharjah.
  • Destroços de um projétil iraniano feriram quatro pessoas no Dubai.
  • Media iranianos próximos da Guarda Revolucionária noticiaram que o Irão estará a preparar-se para atacar o porto de Fujairah, nos EAU, e o oleoduto de Habshan-Fujairah.
  • O Irão atacou um petroleiro do Kuwait que estava num porto do Dubai.
  • O Kuwait foi atingido por sete drones e cinco mísseis.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghci, declarou que é altura de os Estados Unidos abandonarem as suas bases nos países do Golfo.

No resto do mundo

  • A milícia iraquiana pró-Irão Kataib Hezbollah deverá ser a responsável pelo rapto da jornalista norte-americana Shelly Kittleson em Bagdade. O Governo iraquiano diz ter detido um suspeito do rapto.
  • A milícia Resistência Islâmica no Iraque diz ter feito 19 operações contra bases norte-americanas.
  • Um ataque no ocidente do Iraque matou dois membros das milícias.
  • O Paquistão diz que os esforços diplomáticos para um acordo de paz continuam. O vice-primeiro-ministro do país encontrou-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. Ambos os países apelaram à “cessação imediata das hostilidades”.
  • O Presidente do Egipto, Abdel Fattah el-Sisi, deixou uma mensagem a Donald Trump: “Digo ao Presidente Trump: ninguém vai ser capaz de parar a guerra na nossa região e no Golfo. Por favor, ajude-nos a parar a guerra, você é capaz.” Sisi falou no mesmo dia ao telefone com o Presidente russo, Vladimir Putin.
  • Forças da NATO intercetaram um míssil iraniano que seguia em direção à Turquia, o quarto incidente do género desde o início da guerra. Teerão classifica a notícia como “completamente sem fundo de verdade”.
  • Itália e França juntaram-se a Espanha e impediram o Exército norte-americano de sobrevoar o seu espaço aéreo.
  • O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou que o Reino Unido não vai ser “arrastado” para esta guerra.
  • A União Europeia apelou aos Estados-membros para que reduzam o consumo de combustíveis.
  • O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que os EUA têm de repensar a sua relação com a NATO depois da guerra do Irão, falando em “falta de apoio” dos aliados.
  • Mais de 200 soldados norte-americanos já apresentaram queixas formais contra oficiais superiores que terão usado retórica religiosa para justificar a guerra.
  • O Irão terá dito à Rússia que os seus navios podem transitar no Estreito de Ormuz.
  • Três navios chineses atravessaram o Estreito de Ormuz.
  • A Indonésia pediu respeito pelo Direito Internacional depois de soldados indonésios integrantes da força de paz das Nações Unidas no Líbano terem sido mortos.
  • O Japão e a Indonésia reforçaram a cooperação energética.
  • O Bangladesh ordenou aos funcionários públicos que desliguem as luzes e reduzam o ar condicionado no trabalho.
  • O Dalai Lama afirmou que a violência só gera mais conflito e apelou à paz.
  • O Papa Leão XIV pediu ao Presidente Donald Trump que encontre uma “via de saída” para terminar com a guerra.
  • A Etiópia ordenou o racionamento de combustível.
  • A FIFA declarou que o Irão “irá estar no Mundial” de futebol.
  • Os ministros do G7 disseram estar disponíveis para tomar “todas as medidas necessárias” para lidar com a crise energética.
  • A Noruega vai cortar com os impostos sobre o combustível.
  • O preço do barril de petróleo subiu para 118 dólares por barril.
  • O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas declarou que a guerra poderá levar a perdas no valor de 194 mil milhões de dólares na economia mundial.