A BMW prepara-se para relançar a sua berlina topo de gama, o Série 7, que passa a usufruir de uma estética refrescada, bem como de novas soluções tecnológicas, sobretudo na versão eléctrica i7, que monta novas baterias que prometem aumentar a autonomia e recarregar mais rapidamente. O restyling será apresentado no próximo dia 22, no Salão Automóvel de Pequim, na China, com a curiosidade a residir no facto de as novas baterias do i7 serem formadas com células fabricadas não pela BMW, mas sim pelos croatas da Rimac Technology.
O actual BMW i7 oferece versões com potências entre 455 cv e 659 cv, a primeira com um motor atrás e a segunda com dois motores, um por eixo. Ambas recorrem a uma bateria com 105,7 kWh de capacidade (101,7 kWh úteis), que assegura autonomias de 611 km na versão menos potente e 559 km na mais possante e com duas unidades motrizes. Ao que tudo indica, não só o construtor alemão não estava muito satisfeito com a autonomia, como o tempo necessário para recarregar o acumulador também não figurava entre os mais impressionantes do mercado, com carregamentos de apenas 195 kW em corrente contínua (DC).
Com o restyling a ser apresentado a 22 de Abril, na China, o BMW i7 passará a montar baterias da Rimac, que conseguem aumentar a quantidade de energia armazenada, bem como a capacidade de aceitar potências superiores para apressar os carregamentos
Para incrementar o potencial das baterias do i7, a BMW recorreu aos croatas da Rimac Technology, com quem assinou um contrato de colaboração há cerca de dois anos, visando assim usufruir da tecnologia da empresa criada por Mate Rimac. Este, com algum sentido de humor, recorda que a sua aventura nos veículos eléctricos arrancou com a transformação do seu BMW (na altura um Série 3 velhote) a gasolina em eléctrico e que, com esta colaboração para as baterias do i7, o ciclo acaba por parecer fechar-se. E, para quem duvida da capacidade de Mate Rimac, bem como da sua equipa, é bom ter presente que o “seu” Grupo Rimac, além da Rimac Technology, que vende os seus serviços a uma série de construtores e equipas de competição, detém ainda 55% da Bugatti Rimac, que gere, com os restantes 45% a pertencerem ao Grupo Volkswagen, através da Porsche.
A fábrica de baterias da Rimac Tecnology, em Zagreb, na Croácia
A Rimac produz as células 4695 de iões de lítio e faz funcionar a integração destas células cilíndricas que a BMW apelida de Gen6 (6.ª geração) num veículo que foi concebido para utilizar as Gen5 (que eram do tipo prismático). As células são fabricadas na Croácia, próximo de Zagreb, e daí exportadas para Dingolfing, na Alemanha, onde a BMW produz os Série 7.
O construtor germânico afirma esperar que as novas baterias da Rimac permitam incrementar a autonomia em 20%, o que significa apontar a capacidade de percorrer 730 km entre recargas, em vez dos actuais 611 km, como acontece agora na versão com autonomia mais generosa. Em relação à rapidez de recarga ainda há dúvidas, pois tudo indica que, ao contrário do que acontece nos novos BMW i3 e iX3, cuja arquitectura já assenta num sistema a 800V, o i7 ainda deverá continuar a recorrer a uma solução a 400V, o que deverá impossibilitar atingir potências de 400 kW. Mas, com a magia da Rimac, é bem possível que o próximo i7 consiga recarregar pelo menos a 300 kW com a introdução do restyling no final do mês, o que é um salto considerável face aos actuais 195 kW.