A biopirataria poderá estar a sofrer mudanças. Se antes o marfim de elefante era altamente solicitado, agora as redes de contrabando passam a olhar para outras espécies menos óbvias, como formigas. É o caso do cidadão chinês Zhang Kequn, que foi esta quarta-feira condenado no tribunal de Nairóbi, no Quénia, a um ano de prisão e uma multa de um milhão de shillings quenianos (cerca de 6.500 euros). Kequn tentou contrabandear para fora do país africano 2.248 formigas-de-jardim vivas na sua mala de viagem.
O objetivo de Kequn, detido a 10 março, seria voar do Aeroporto Internacional de Nairóbi para a China, onde conta com uma rede de clientes entusiastas de colónias de formigas. Estes colecionadores têm grandes recipientes transparentes, chamados formicariums (formigários), onde mantêm as colónias e as observam, permitindo estudá-las a nível comportamental e social.
Cada uma destas formigas poderá valer entre cerca de 100 dólares (cerca de 85 euros), revela o TheGuardian e 196 euros, segundo a BBC. Das mais de duas mil formigas, 1.948 são da espécie valiosa Messor cephalotes, muito procurada pelos entusiastas e a poder ultrapassar os 110 euros por formiga e foram encontradas em pequenas cápsulas de plástico na bagagem de Kequn. Outras 300 estavam escondidas em três rolos de papel macio. Em tribunal ficou provado que o cidadão chinês tinha comprado por aproximadamente 395 euros um lote de 600 formigas e 465 euros por outro de 700 ao queniano Charles Mwangi. Este também foi acusado por ser fornecedor do traficante de formigas mas ainda não julgado. Aguarda o desenrolar do processo em liberdade sob fiança.
Na leitura da sentença, a juíza Irene Gichobi disse que Kequn “não é uma pessoa totalmente honesta” e que este não demonstrou remorsos pelo crime que cometeu. A magistrada mencionou o “aumento dos casos de comércio de grandes quantidades de formigas-de-jardim e os consequentes efeitos colaterais ecológicos negativos” que causam. Por isso, entendeu ter sido “necessária uma pena severa como medida dissuasora”.
Inicialmente, Kequn foi acusado de conspiração e comércio ilegal de espécies selvagens — crimes que, segundo o seu advogado, podem levar até a sete anos de prisão. Contudo, após a retirada da acusação de conspiração, o arguido declarou-se culpado. Zhang Kequn vai recorrer da decisão, garantiu o seu advogado, de acordo com a Reuters.
No entanto, se não for interposto recurso no prazo de 14 dias desde a sua condenação, Zhang Kequn começa a cumprir a pena de prisão no final deste mês, finda a qual será “encaminhado para o seu país de origem”, acrescentou a juíza.