Acompanhe aqui o nosso liveblog sobre o conflito no Médio Oriente

Fatih Birol, o diretor da Agência Internacional de Energia, acredita que o mercado energético está a “subestimar” as consequências do bloqueio do Estreito de Ormuz e, se esta passagem estratégica continuar impedida, os preços da energia vão aumentar. “Se o Estreito não for aberto, temos de nos preparar para preços de energia significativamente mais altos”, afirmou o responsável em entrevista ao jornal suíço Neue Zuercher Zeitung, admitindo que a produção energética na região poderá demorar dois anos até ser normalizada.

Sobre o recente decréscimo do preço dos combustíveis, Birol refere que se deve aos petroleiros que já estavam a caminho dos diferentes países ainda antes de a guerra eclodir e, como as viagens desde o Médio Oriente podem demorar entre 30 a 40 dias, chegaram agora aos seus destinos, o que tem mitigado os efeitos sentidos pelo conflito. No entanto, sublinha que em março, não houve qualquer carregamento e que não foram processadas entregas de combustível para o mercado asiático.

Crise do jet fuel. Porque corre a Europa o risco de ficar sem combustível para a aviação antes do verão

O diretor refere que os 400 milhões de barris de petróleo já disponibilizados pelos 32 Estados-membros da Agência Internacional de Energia representam apenas 20% das reservas totais. “Ainda temos 80% disponíveis e, se necessário, estamos preparados para agir imediatamente e de forma decisiva”, afirmou, porém admitindo que “ainda não estavam em posição” de avançar com tal medida.

Fatih Birol acredita que a produção energética no Médio Oriente poderá demorar aproximadamente dois anos para retomar os níveis registados antes do conflito entre os EUA, Israel e o Irão. Diz, também, que poderá ser observada uma melhoria significativa no dia de abertura do Estreito de Ormuz, mas que “a capacidade total” vai “demorar algum tempo” a ser alcançada.

“Quaisquer que sejam as medidas tomadas, se conduzirem à reabertura, isso é uma boa notícia”, afirmou ainda o responsável pela Agência Internacional de Energia, quando questionado sobre o bloqueio agora imposto pelos EUA aos portos iranianos em Ormuz além do bloqueio do Irão ao Estreito.