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Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Líbano procura "acordo permanente" com Israel, diz Presidente Aoun

Este artigo tem mais de 6 meses

"Encontramo-nos numa nova fase", declarou Joseph Aoun, no seu primeiro discurso à nação desde o começo da trégua e afirma estar a trabalhar para um "acordo permanente" com Israel.

epa12354628 Lebanese President Joseph Aoun (R) arrives for a cabinet session at the presidential palace in Baabda, Lebanon, 05 September 2025. The Lebanese cabinet is set to discuss the army's plan to disarm Hezbollah by the end of the year, as part of Lebanon's commitment under a ceasefire deal mediated by the United States in November 2024.  EPA/WAEL HAMZEH
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▲"Estamos confiantes de que vamos salvar o Líbano, (...) recuperámos o Líbano e o poder de decisão do Líbano pela primeira vez em quase meio século", prosseguiu o chefe de Estado

WAEL HAMZEH/EPA

▲"Estamos confiantes de que vamos salvar o Líbano, (...) recuperámos o Líbano e o poder de decisão do Líbano pela primeira vez em quase meio século", prosseguiu o chefe de Estado

WAEL HAMZEH/EPA

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O Líbano está a trabalhar para um “acordo permanente” com Israel após o cessar-fogo que entrou em vigor na última madrugada, afirmou esta sexta-feira o Presidente libanês, afastando qualquer “sinal de fraqueza” nas negociações com Telavive.

“Encontramo-nos numa nova fase”, declarou Joseph Aoun no seu primeiro discurso à nação desde o começo da trégua com Israel, que assinalou como uma etapa de transição “para trabalhar no sentido de um acordo permanente que salvaguarde os direitos do povo libanês” e a unidade e soberania nacional.

Para Aoun, as primeiras negociações diretas entre os dois países, que não têm relações diplomáticas, não devem ser vistas como “um sinal de fraqueza ou uma concessão”, nem de cedência de território nacional, apesar da atual ocupação israelita no sul do país.

“Estamos confiantes de que vamos salvar o Líbano, (…) recuperámos o Líbano e o poder de decisão do Líbano pela primeira vez em quase meio século“, prosseguiu o chefe de Estado, acrescentando que o seu país não é nem voltará a ser “o teatro de guerra de ninguém”.

Nesse sentido, avisou que não permitirá que “um único libanês morra”, nem a continuação do derramamento de sangue do seu povo “devido à influência de terceiros ou aos cálculos de potências próximas ou distantes”.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel em 2 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.

No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar o grupo xiita, que, no entanto, recusa entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel e não cessou os seus ataques aéreos contra o país vizinho.

Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país no conflito anterior.

No mais recente balanço, as autoridades de Beirute registaram 2.294 mortos nos últimos 45 dias, incluindo 274 mulheres, 177 crianças e 100 profissionais de saúde e socorristas, 7.544 feridos e acima de um milhão de descolados.

Após um mês e meio de confrontos, Israel e o Líbano acordaram um cessar-fogo de dez dias, que o Hezbollah também aceitou apesar de não ter participado no entendimento mediado pelos Estados Unidos, e anunciaram o início de negociações diretas.

No seu discurso à nação, o Presidente libanês agradeceu “a todos os que contribuíram para alcançar o cessar-fogo”, apontando em concreto o Presidente norte-americano, Donald Trump, que identificou como seu amigo, bem como a Arábia Saudita.

Após anunciar na quinta-feira o início da trégua, Trump indicou que Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deverão encontrar-se na Casa Branca, em Washington, “nos próximos quatro ou cinco dias”.

O Presidente libanês declarou esta sexta-feira que o objetivo de Beirute é “travar a agressão israelita” e conseguir a retirada das suas tropas, bem como garantir o regresso dos prisioneiros de guerra e dos deslocados às suas casas “em segurança, liberdade e dignidade”.

A declaração do chefe de Estado surge horas depois de o primeiro-ministro israelita ter afirmado que o seu país “ainda não terminou o trabalho” contra o Hezbollah, apesar de Donald Trump ter avisado que os Estados Unidos proibiram Israel de retomar os seus ataques no país vizinho.

“Israel não vai bombardear mais o Líbano. Estão proibidos [escrito em maiúsculas] de o fazer pelos Estados Unidos. Já chega!”, escreveu o líder norte-americano na sua rede social, Truth Social.

O cessar-fogo decorre sob garantias dos Estados Unidos, embora Israel invoque a prerrogativa de manter “o direito de tomar todas as medidas necessárias em autodefesa, a qualquer momento, contra ataques planeados, iminentes ou em curso”.

O Governo libanês implementará pelo seu lado “medidas significativas para impedir que o Hezbollah” e qualquer outro grupo armado não estatal ataquem o território israelita, segundo os termos do acordo divulgados por Washington.

Ao abrigo do cessar-fogo, apenas as forças armadas e de segurança libanesas estão autorizadas a usar armas no país.

Em comunicado, o grupo político e militar libanês avisou esta sexta-feira que os seus combatentes estão “prontos para atacar” caso Israel viole o cessar-fogo. Na mesma nota, Hezbollah reivindicou 2.184 operações militares contra o território israelita e o seu exército durante os 45 dias de guerra.

“Os combatentes vão manter o dedo no gatilho porque receiam a traição do inimigo”, acrescentou.

Israel e Hezbollah mantinham um cessar-fogo desde novembro de 2024, após mais um ano de confrontos diretos no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, que nunca foi verdadeiramente respeitado e que acabou por ficar comprometido, no início de março, com o reatamento das hostilidades.

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