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Foi na “bela cidade” de São Petersburgo — descrição utilizada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano Abbas Araghchi — que o chefe da diplomacia de Teerão e o Presidente Vladimir Putin se reuniram esta segunda-feira. O encontro serviu para reafirmar a proximidade entre os dois países num momento de grande tensão regional, com Putin a deixar uma mensagem de confiança: o povo iraniano está a lutar “corajosamente e heroicamente” pela sua soberania e irá superar este “período difícil de provações”, segundo a agência estatal russa TASS.
Durante a reunião, Putin sublinhou que a Rússia espera que a paz chegue o mais depressa possível. “Da nossa parte, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para atender aos seus interesses e aos de todo o povo da região, para que a paz seja alcançada o mais rapidamente possível”, afirmou o líder russo, segundo a agência RIA.
Abbas Araghchi agradeceu o apoio e descreveu a ligação entre Moscovo e Teerão como uma “parceria estratégica de altíssimo nível”, garantindo que esta cooperação vai continuar a crescer independentemente das circunstâncias externas. O ministro iraniano destacou ainda que a segurança no estreito de Ormuz é uma prioridade não apenas regional, mas global.
O diplomata iraniano aproveitou o encontro para apontar o dedo aos Estados Unidos, responsabilizando-os pelo fracasso das negociações de paz no Paquistão, ocorridas em abril. Segundo Araghchi, a abordagem de Washington e as suas “exigências excessivas” travaram os progressos que estavam a ser feitos. “As abordagens dos EUA fizeram com que a ronda anterior de negociações, apesar dos progressos, não atingisse seus objetivos devido às exigências excessivas”, disse Araghchi, segundo relatos noticiados pela AFP.
O chefe da diplomacia iraniana aproveitou o encontro para projetar uma imagem de força da República Islâmica, afirmando que o mundo testemunhou o “verdadeiro poder do Irão” ao confrontar os Estados Unidos, provando ser um sistema “estável, forte e poderoso”. Araghchi foi mais longe ao analisar a postura de Washington, sublinhando que é evidente que o Irão está a enfrentar a maior superpotência mundial e que esta não alcançou nenhum dos seus objetivos: “Por isso, solicitou negociações, e estamos a analisar a situação”, considerou o ministro.
Relativamente aos “grandes amigos”, Araghchi destacou que, na recente guerra, ficou claro que o Irão tem “grandes amigos e aliados como a Rússia”, expressando gratidão pelo apoio de Moscovo durante o conflito. “O Irão e a Rússia são parceiros estratégicos, apoiam-nos sempre e nós também, e a nossa cooperação continua”, concluiu o diplomata.
Um dos momentos mais significativos da reunião foi a confirmação de um contacto direto entre o Kremlin e a liderança suprema iraniana. Putin revelou ter recebido, na semana passada, uma mensagem de Mojtaba Khamenei, Líder Supremo do Irão. O Presidente russo pediu formalmente a Araghchi que transmitisse a sua “gratidão pela mensagem e votos de saúde e bem-estar” ao líder iraniano.
Depois da reunião, o Kremlin apressou-se a garantir que este diálogo não deve ser visto com desconfiança pelo Ocidente. Yury Ushakov, assessor de Putin, explicou que estes contactos fazem parte do “trabalho diplomático regular”. Quando questionado pela emissora Vesti sobre uma possível reação negativa dos EUA, Ushakov foi direto: “Ninguém expressou nada negativo a esse respeito. Por que deveriam?”, referiu citado pela TASS. “Isto faz parte do trabalho diplomático habitual; além disso, tendo em conta o envolvimento da Rússia na questão do acordo com o Irão, é natural que nos reunamos com Araghchi, que, suponho, tem algo a dizer-nos“, explicou ainda.
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